"Reforma vai ser popular", diz Marcel van Hattem - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª04/12/2018 | 13h40Atualizada em 04/12/2018 | 13h40

"Reforma vai ser popular", diz Marcel van Hattem

Deputado federal eleito obteve 17.532 mil votos em Caxias do Sul

"Reforma vai ser popular", diz Marcel van Hattem Julio Soares/Divulgação
Foto: Julio Soares / Divulgação

A primeira medida do deputado federal eleito Marcel van Hattem (Novo) ao assumir na Câmara será colocar em prática o discurso de corte de gastos. Ele irá recusar o auxílio-moradia, reduzir em 50% a verba de gabinete e o número de assessores parlamentares. Com o respaldo de 349.855 mil eleitores, pretende auxiliar o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) a colocar em votação a Reforma da Previdência.

Nesta entrevista, o deputado, que obteve 17.532 votos em Caxias, comenta sobre as prioridades do seu mandato e diz  que apoia a candidatura própria do Novo à prefeitura de Caxias.

Pioneiro: Qual o tamanho da sua responsabilidade a partir de 1º de fevereiro como deputado federal mais votado do RS? Quais suas principais propostas?
Marcel van Hattem:
A responsabilidade e o compromisso que temos é a mesma, independente da votação, mas a responsabilidade é maior porque mais pessoas confiaram na proposta. São vários eixos. O primeiro deles é que, quando a gente quer cobrar exemplo dos outros, a gente precisa dar exemplo. O Novo não usou dinheiro público para fazer campanha e não usa para se sustentar. A bancada na Câmara dos Deputados vai buscar cortar gastos excessivos. Não vamos aceitar auxílio-moradia, vamos usar até 50% da verba da cota (do gabinete), não vamos nomear mais da metade dos assessores que teremos direito. É preciso encarar a Reforma da Previdência. É a mais urgente e vai ser proposta já nos primeiros meses do mandato do presidente eleito. A bancada do Novo tem um compromisso de fazer com que ela valha para todos, mas que corte nos mais privilegiados para que a gente possa ter recursos para investir em saúde, segurança, educação e para pagar as próprias aposentadorias. A segurança pública atinge a todos e precisa ser priorizada. É necessário que se endureça o combate à criminalidade com leis mais severas. A progressão de regime precisa mudar, a progressão de pena é um absurdo, o semiaberto também. E a desburocratização para o empreendedor. Significa tirar o Estado da frente, inclusive, como concorrente. O Estado não pode ter empresa. O Estado tem de cuidar das áreas básicas.

O senhor obteve 17.532 mil votos em Caxias. Conhece as demandas da cidade?
Sem dúvida. Tenho visitado Caxias com alguma frequência. Palestrei na CIC, que já me convidou para estar em março falando para o setor produtivo. Estive na UCS. O Novo é bastante ativo na cidade. Essa parceria com os membros do partido, com os filiados e as lideranças e com o próprio Mauricio Marcon que concorreu (a deputado federal) e é o primeiro suplente, infelizmente não se elegeu por causa da cláusula de barreira, sem dúvida vai fazer com que muitas dessas demandas cheguem mais rapidamente ao meu gabinete. Uma das minhas bandeiras é a defesa do voto distrital. Sou a favor que os eleitores da região tenham à sua disposição o candidato da sua região para votar.

A população terá tolerância com o governo Bolsonaro?
Tolerância me remete a escândalos de corrupção. Se por acaso aparecer, a população não vai ter porque não toleraram nos últimos anos com a organização criminosa que comandou o Brasil, e não vai ser diferente, independentemente de quem seja agora. Quanto à paciência de saírem as reformas necessárias, é algo que a população vai ter de ter um pouco. Não é da noite para o dia para corrigir tudo o que foi feito de errado no Brasil nas últimas décadas. Temos um país que há séculos vem sendo governado de forma extrativista. Os líderes políticos em geral usam os recursos públicos para suas próprias finalidades e não para o bem da sociedade, em particular na última década sobre o governo do PT, a gente viu a destruição completa dos valores morais e da ética no serviço público. A população tem noção do tamanho do desafio. As pessoas têm consciência do tamanho do rombo e espero também que tenham paciência.

A Reforma da Previdência que Bolsonaro quer não será impopular?
Acho que pelo contrário, vai ser popular. Esse termo impopular já está ultrapassado e se não for utilizado entre aspas parece tornar determinadas medidas que são populares e necessárias à população como algo negativo. Na Assembleia nos últimos anos, o governador (José Ivo) Sartori vem fazendo uma série de mudanças necessárias para mexer na previdência. Tentou passar o duodécimo, privatizar estatais, e eram tidas como (medidas) impopulares. Muitos sindicalistas gritavam para mim que eu estava indo contra o povo. As urnas demonstraram quem realmente estava defendendo povo. É impopular só para quem vai ter o seus benefícios cortados. Para quem pensa em sociedade e no bem comum, são medidas altamente necessárias e populares.

Bolsonaro ainda não assumiu e muitos municípios já perderam médicos por conta das polêmicas do futuro governo com Cuba. Como administrar essas consequências?
Discordo. Isso é mentira do PT. Não foi em consequência das manifestações do Bolsonaro que os médicos saíram. Os cubanos já tinham previsão de saída do Brasil. Está sendo aberta uma CPI do Mais Médicos na Câmara para olhar os telegramas da época da Dilma. Esse programa era para financiar Cuba. Agora a gente está percebendo, com a abertura de vagas para o programa, que todos os pequenos municípios poderiam já ter médicos brasileiros há muito tempo porque as vagas já estão preenchidas.

Sua campanha não aceitou dinheiro do fundo de campanha, mas o senhor usou o espaço no horário eleitoral de rádio e tevê. Não há incoerência?
Não, porque o horário já está lá. Somos a favor do fim do horário de tevê também, mas se ele não é utilizado pelo Novo, é rateado com os outros partidos e acaba fortalecendo os demais. Nesse caso, o horário eleitoral é utilizado. No caso do dinheiro público, também somos a favor da devolução, mas não conseguimos devolver. O dinheiro está parado no caixa, está rendendo juros. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diz que, se nós devolvêssemos o dinheiro, ele seria repartido entre os demais partidos, por isso a gente não devolve.   

O Novo terá candidatura própria à prefeitura de Caxias do Sul?
Espero que sim. Quem decide isso é o diretório estadual. Tem vários filiados na cidade com condições de concorrer e diria que, dentro desses filiados, o próprio Mauricio tem condição de ser candidato a vereador e a prefeito na próxima eleição.

 
 
 

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