Novo presidente do PDT de Caxias do Sul diz que é preciso refundar o partido - Política - Pioneiro

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Política09/11/2018 | 09h04Atualizada em 09/11/2018 | 09h30

Novo presidente do PDT de Caxias do Sul diz que é preciso refundar o partido

Vinicius Ribeiro afirma que é prematuro projetar eleição municipal de 2020

Novo presidente do PDT de Caxias do Sul diz que é preciso refundar o partido Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O PDT caxiense sai da eleição de outubro fragilizado. A sigla não elegeu suas apostas à Câmara Federal e à Assembleia, Alceu Barbosa Velho e Vinicius Ribeiro, respectivamente. Nem mesmo a estratégia de apresentar um candidato para deputado federal e um para estadual foi suficiente para conquistar uma cadeira.

Contrário à reeleição, Alceu deixou a prefeitura de Caxias do Sul no final do seu mandato, em 2016, com aprovação de sua administração de 87,2%. Porém, o capital político não foi suficiente para garantir uma cadeira na Câmara. Apesar de serem eleições diferentes, Alceu saiu de uma votação de 137.689 votos para a prefeitura em 2012, para 40.489 votos para federal – disputa em que o número de candidatos e a divisão de votos é muito maior. O resultado é pior levando-se em conta apenas com os votos conquistados na cidade: 25.072. 

A manifestação de apoio de Alceu à Jair Bolsonaro (PSL), então candidato à Presidência, no segundo turno, causou mal-estar em três setores do PDT caxiense – Juventude Socialista e movimentos comunitário e sindical. A decisão contrariou a orientação do PDT nacional, de apoio crítico ao candidato do PT, Fernando Haddad. Nesta semana, o ex-prefeito pediu afastamento da presidência da legenda por 180 dias. Na prática, é um afastamento definitivo do cargo que vinha ocupando.

– Fica meio contramão, constrangedor, ter três movimentos do partido pedindo expulsão, punição. Esse pessoal todo, então, vou deixar para que se sintam à vontade – justificou Alceu esta semana à coluna Mirante.

Vinicius Ribeiro venceu a disputa interna contra o ex-candidato a prefeito Edson Néspolo e concorreu sozinho à Assembleia, mas também sucumbiu às urnas. Ele concorreu nas eleições de 2010, 2014 e 2018 com votação de 29.041, 29.565 e 24.169, respectivamente. Este ano, teve o menor número de votos das três eleições.

Com a saída de Alceu do comando do partido, caberá a Vinicius promover a avaliação do resultado das urnas e dar início às discussões sobre o futuro da sigla para as eleições municipais. O PDT deverá escolher entre os derrotados nas urnas Alceu, Vinicius e Néspolo – que perdeu a eleição para a prefeitura para Daniel Guerra (PRB) em 2016 – ou entre os vereadores Gustavo Toigo e Rafael Bueno, que admitem disposição para disputar o pleito. Já Néspolo é mais categórico ao dizer que pretende concorrer novamente.

Vinicius descarta a hipótese de projetar a eleição de 2020. Segundo ele, é necessário refundar a sigla, reconhecer suas deficiências e se aproximar das pessoas.

– É muito prematuro. Não é o momento de pensar no poder. O PDT precisa se reinventar e se distanciar dos partidos que apoiaram a corrupção no Brasil. Precisamos falar menos do passado e mais do futuro.

Ele diz ainda:

– A população exige que os partidos sejam mais ágeis e menos burocráticos. Ou fizemos isso ou estamos fadados a ser um partido velho, de velhas ideias, e um partido que passará uma ideia de incompetência.

O QUE DIZEM

"É cedo para falar em eleições futuras, minha atenção está voltada para os dois anos de mandato que temos. O PDT deve refletir quanto aos seus posicionamentos, principalmente quanto ao apoio ao PT, que, particularmente, sou totalmente contra."
Ricardo Daneluz, vereador

"O PDT deverá se reunir para avaliar o resultado das eleições. Temos história na cidade e a educação como prioridade. Estivemos com (José Ivo) Sartori e Alceu (Barbosa Velho) no governo de Caxias e temos líderes capazes de conduzir um debate de alto nível, compondo com agremiações do mesmo campo programático – o PTB, por exemplo – um projeto alternativo de administração da cidade, contrapondo o modelo ineficiente que está aí. Não necessariamente precisamos ter candidatura própria em 2020, podemos apoiar um projeto maior. A possibilidade (de ser candidato) existe. Tenho tempo de partido, trajetória e serviços prestados. Isso depende de uma construção interna e coletiva."
Gustavo Toigo, vereador

"É prematuro falar das eleições de 2020. O PDT é o partido que mais tem filiados em Caxias do Sul. Foi o partido que mais fez votos para deputado federal. Não elegeu o candidato a estadual, mesmo tendo um único nome. Continuamos filiando lideranças de todos os setores, principalmente de pessoas descontentes com o governo Daniel Guerra. É muito prematuro, mas meu nome está à disposição para o que o partido precisar e ainda temos outros três vereadores que podem contribuir para futuras eleições. Acho que os que já tiveram cargos eletivos e concorreram para chapa majoritária têm que dar espaço para outras lideranças que estão ocupando cargo no Legislativo ou que se destacarem. Com certeza seremos protagonistas na eleição e não coadjuvantes."
Rafael Bueno, vereador e líder da bancada

"Tem que fazer uma avaliação bem profunda e tem que se unir. Tem que pensar mais no coletivo do que no individual, pensar mais no partido do que no interesse de cada um. É hora de equilíbrio e bom senso. Enquanto Caxias não aprender e as lideranças não cobrarem dos partidos, vai continuar acontecendo o que aconteceu. Não foi só o PDT. Só teve um grande vitorioso nessa campanha de Caxias, que foi o Neri (o Carteiro). Mesmo o Pepe (Vargas) se elegeu com uma votação baixa em Caxias. A construção deve ocorrer dentro do partido, mas vou colocar meu nome para concorrer a prefeito. Tenho um histórico de contribuição para a cidade. Se as pessoas acharem que eu somo mais para vice, não está descartado, mas tenho potencial para concorrer a prefeito."
Edson Néspolo, ex-candidato a prefeito

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