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Clima tenso01/11/2018 | 08h52Atualizada em 01/11/2018 | 08h53

Mirante: novo estremecimento com o governo Daniel Guerra

Vereadores dizem que secretário do Planejamento foi autoritário e deselegante em reunião do Plano Diretor

Mirante: novo estremecimento com o governo Daniel Guerra Divulgação/Divulgação
Denise disse que secretário estava "surtado" e gritava com a vereadora Paula Foto: Divulgação / Divulgação

As relações entre o governo Daniel Guerra (PRB) e Legislativo caxiense ganharam mais um capítulo de estremecimento. A forma como o secretário municipal de Planejamento, Fernando Mondadori, se dirigiu à Câmara de Vereadores de Caxias do Sul em reunião sobre o Plano Diretor, realizada na terça-feira à tarde, foi considerada desrespeitosa. De acordo com relatos de parlamentares, o secretário gritava muito, foi autoritário e deselegante, principalmente com a vereadora Paula Ioris (PSDB).

A reunião foi realizada a pedido do Sinduscon, também estavam representantes do Crea e do Conseplan (Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial). Além de Paula, estavam Edi Carlos Pereira de Souza (PSB), Denise Pessôa (PT) e Edson da Rosa (MDB), membros da Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação, e ainda os secretários municipais Emílio Andreazza e Luiz Caetano.

Denise diz que Mondadori teve "um surto".

— Se sentindo pressionado pelas entidades, quis jogar a culpa na Câmara. Estava completamente surtado, começou gritando com a Paula, dizia que as emendas dela tinham sido aceitas. Só não fui embora em respeito às entidades.

Na sessão, Denise disse que ele agiu com autoritarismo e que se fosse com vereadores homens, não gritaria.

— E ele disse: "Ah, eu sou acostumado a bater com o capacete na mesa" – contou a vereadora.

— Vai bater com o capacete na mesa da sala do prefeito e não aqui — revidou Denise.

Para a petista, o presidente da comissão, Edi Carlos, foi muito flexível, deixando acontecer.

Reunião sobre Plano Diretor com secretários municipais e vereadores
Mondadori (E) cobra data de votação do Plano Diretor pela CâmaraFoto: Divulgação / Divulgação

Mondadori admite que se exaltou, mas se disse surpreso com as reações dos vereadores, pois afirma que foram puramente a trabalho e não direcionadas a alguém. Ele cobra a votação do Plano Diretor pela Câmara.

— Em momento algum foi dirigido a Paula, no máximo fiz dois questionamentos à vereadora. A Paula fez as emendas mais conscientes.

O titular da Seplan argumenta que tem timbre de voz alto e pediu desculpas. E acrescenta que é a "delicadeza em pessoa". Sobre ter usado a expressão "bater o capacete na mesa", o secretário diz que ele é de um ambiente de obra e que o uso de capacete é comum. 

Paula diz que supera completamente

Paula, por sua vez, diz que houve um mal-entendido por parte do secretário de que ela estava dizendo que as emendas que apresentou ao Plano Diretor não teriam recebido resposta, quando, na verdade, todas foram aceitas.

— Eu me posicionei, agradecendo a ajuda técnica do Sinduscon para ter melhor entendimento, porque na reunião com a prefeitura as propostas da população não evoluíram.

A tucana afirma que supera completamente o episódio e que sua preocupação é o Plano Diretor.

— Não levo para o lado pessoal, não me vitimizo. Eu estava querendo focar num trabalho técnico, não tenho nenhum interesse individual nisso.

Ela diz que o secretário pediu desculpas, mas que as pessoas em geral ficaram muito chateadas.

Edi Carlos afirma que Mondadori tem um jeito meio agressivo e que desrespeitou a vereadora Paula, mas depois pediu desculpas.

— Ficou um clima tenso — admite.

"Deixei às claras"

Mondadori, porém, não economizou diante dos posicionamentos dos vereadores.

— É porque deixei às claras, não fui polido, que durante um ano fizemos trabalho no Plano Diretor, encaminhamos em dezembro de 2017 e em novembro de 2018 eles ainda não têm previsão de aprovação. Se negaram a dar a data que poderiam aprovar o Plano Diretor. Não sei se (os vereadores) estão acostumados a fazer este tipo de reunião de trabalho, que busca solução. Não sei se isso os abalou.

Ele acrescentou:

— Eu disse: "Está difícil, está lá há dez meses e não evolui. Está difícil, tem muitas cobranças."

— Eles pessoalizaram. Sou a delicadeza em pessoa. Não tenho reclamação de ninguém. Me acham gentil e cortês. Tudo o que pontuei foram questões de trabalho. Não escondi que havia cobrança para entregar o Plano Diretor — afirmou o secretário.

Resumiu dizendo que a Câmara tem que se posicionar no sentido de aprovar o Plano Diretor, e que jamais o Legislativo seria tratado como um setor do Executivo.

Na sessão, Edson da Rosa destacou que em 22 de maio foi reenviado o projeto para a prefeitura, com 139 sugestões da sociedade, e retornou à Câmara no final de setembro.

— A Câmara de Vereadores, através da comissão, está fazendo sua parte, sim, com muita maturidade — definiu o vereador.

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