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Santificados23/11/2018 | 06h10Atualizada em 23/11/2018 | 07h57

Mirante: exposição na Câmara de Caxias provoca tumulto

Episódio ocorreu com integrantes do movimento Direita Gaúcha. Eles vão ingressar no Ministério Público contra as obras

Mirante: exposição na Câmara de Caxias provoca tumulto Divulgação/Divulgação
Bate-boca na rampa da Câmara resultou na vinda da BM Foto: Divulgação / Divulgação

A polêmica em torno da exposição Santificados, do artista Rafael Dambros, com obras que mostram nudez, ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira. Houve tumulto pela manhã, na Câmara de Vereadores. Um grupo do movimento Direita Gaúcha esteve na exposição filmando. Entre eles, estava Felipe Diehl, responsável por registrar em vídeo a denúncia contra a exposição Queermuseu, no Santander Cultural, em Porto Alegre, no ano passado. Houve bate-boca, quase culminando com agressão física. A Brigada Militar foi acionada.

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Diehl, que é de Porto Alegre, disse que encaminhará denúncia sobre as obras ao Ministério Público, por vilipêndio de objeto de culto (imagens de santos) e pelo acesso de crianças. Na sua versão sobre o tumulto, alguns assessores atentaram contra sua integridade física e de outros quatro integrantes do grupo Direita Gaúcha (três de Caxias). 

Porém, as informações que chegaram à coluna é de que ele teria provocado.

— Nossa denúncia soou para eles como provocação — respondeu.

No seu entendimento, as obras de Dambros são semelhantes às do Queermuseu. Ele acredita que o autor das obras, o diretor e o presidente da Câmara serão chamados à CPI de Maus-Tratos às Crianças, em Brasília.

Esbarrão

O diretor-geral da Câmara, Rodrigo Weber, foi chamado durante a confusão. Disse que tentaram amenizar dos dois lados (contrários e favoráveis) para que não houvesse agressão física. 

A situação ficou mais tensa devido a um esbarrão entre Diehl e um servidor da Casa e a consequente troca de provocações, quando um subia e outro descia a rampa interna do prédio, conforme Weber. Havia três senhoras do grupo contra a exposição na confusão.

Weber acrescentou que o segurança da Casa pediu para que Diehl e o grupo deixassem o local. Por volta das 10h15min, chegaram três viaturas da BM. Os policiais ficaram do lado de fora. 

— A BM só fez o acompanhamento para evitar maiores transtornos. Pouquíssimas pessoas participaram, apenas representantes dos dois lados. No máximo, 15 pessoas. Foi um debate pacífico — afirmou o tenente-coronel Jorge Emerson Ribas.

:: Diehl gravou a entrevista feita pelo Mirante e divulgou parte dela em seu Facebook na tarde de quinta.

"Tentou nos humilhar"

Rafael Dambros contou que estava recebendo um grupo de senhoras em visita à exposição quando veio um rapaz (Diehl) e uma mulher, e começaram a filmar. 

— Ele começou a fazer perguntas e tentou nos humilhar, dizendo que era pedofilia, zoofilia e orgia. Chegaram mais senhoras contra a exposição. Acabou formando-se um bolo de pessoas.

Conforme Dambros, Diehl estava procurando briga, “enfiando o celular na cara das pessoas”.

Desde segunda-feira, de acordo com o autor das obras, foi colocado um papel com a classificação etária. Está no chão, na entrada da exposição no Espaço Cultural Mário Crosa, na frente da escultura Direitos Humanos, de Bruno Segalla. 

O texto diz: "Contém imagens de nudez, não é apropriado para menores de 18 anos, não é apropriado para homofóbicos, gordofóbicos e machistas".

Além disso, ele ressalta que as relações públicas da Câmara orientam sobre a visitação e o conteúdo da exposição.

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