Empresa de Farroupilha criou produto com ajuda de polo tecnológico de fora da Serra - Política - Pioneiro

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Eleições 201819/09/2018 | 08h30Atualizada em 19/09/2018 | 08h30

Empresa de Farroupilha criou produto com ajuda de polo tecnológico de fora da Serra

Estado precisa favorecer iniciativas parecidas em larga escala

Empresa de Farroupilha criou produto com ajuda de polo tecnológico de fora da Serra Porthus Junior/Agencia RBS
Soprano lançou produto que funciona via smartphone Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

As indústrias possuem papel fundamental no desenvolvimento e crescimento da região, na ótica do Corede Serra. Para o fortalecimento dos negócios tradicionais instalados há um processo consolidado, baseado em ações promovidas pelas governanças dos arranjos produtivos locais e redes de cooperação.  

Mas para a coordenadora-executiva do Corede, Mônica Mattia, é preciso romper com velhas formas de conduzir a atividade produtiva baseada em baixos custos, agregando ao negócio tecnologia e inovação em processos, produtos e marketing.

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Grasiela Tesser, diretora de Projetos e Inovação da Câmara de Indústria e Comércio (CIC) de Caxias do Sul, afirma que o trabalho de parques tecnológicos no Rio Grande do Sul, tão difundido como alternativa de desenvolvimento, é uma ação que não sobe a Serra da maneira que se espera.

— Foi apontado a questão dos polos tecnológicos no Brasil pelo (jornal) Valor Econômico e o Rio Grande do Sul não aparece. Então, precisamos estar nesse mapa. Quando falamos de inovação, vemos propostas de forma individual, pois lá fora estão inovando e as empresas daqui percebem que precisam avançar nisso — analisa Grasiela.

Esse movimento de ir atrás das novidades encontrou eco na Soprano, um dos empreendimentos mais tradicionais de Farroupilha e com unidades na região e fora do país. Confrontada pela chegada ao mercado das chamadas fechaduras inteligentes por parte da concorrência, a fabricante precisou desenvolver um novo produto fora da unidade. Para viabilizar a inovação, a Soprano retirou o projeto da organização, destinou uma verba à parte e concebeu um produto com ajuda de uma startup no Complexo Tecnológico Unitec da Unisinos, em São Leopoldo.

— A fechadura teve que ser pensada fora da empresa por causa da cultura que já temos. Para desenvolver uma expertise que não temos —  revela Júlio Bortolini, coordenador da Unidade Smart.

Se a aposta parece de risco sob o ponto de vista do modelo tradicional, o retorno é surpreendente. A chamada Smart One utiliza um sistema de abertura por meio de um smartphone, permitindo o cadastro de até 500 usuários simultâneos, agendamento de funcionamento de chaves, geração de relatórios de acesso e outros recursos. No Brasil existe uma norma de fechaduras, onde o modelo é só para o país. Antes da invenção da Soprano, as fechaduras digitais vinham de fora. 

— Empresas que não se aliam com esses negócios contemporâneos vão sofrer muito nos próximos anos. Você pode ser surpreendido ter um produto no mercado que substitua o teu. Ao criarmos, a Smart One, fizemos uma fechadura única, com padrão brasileiro, não existe igual no mundo — orgulha-se o executivo da Soprano. 

A médio e longo prazo, a meta é a ampliar a linha de produção.

— O governo do Estado deveria ter a incumbência, criar formas de viabilizar esses ecossistemas modernos — complementa Bortolini. 

Júlio Bortolini, coordenador da Unidade Smart da Soprano, em Farroupilha.
Para um dos executivos da Soprano, Júlio Bortolini, governo gaúcho tem que viabilizar ecossistemas de negócios modernosFoto: Marcelo Moscardi / Divulgação

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OPINIÃO DAS LIDERANÇAS

— É preciso um Estado que transmita confiança no sistema tributário, que mostre como vai fomentar a inovação, que transmita a segurança e facilidade para abrir empresas, para que a Serra não seja apenas um celeiro formador de talentos que vão embora. Para isso, é preciso ter apoio institucional, ter métodos, estar aberto à iniciativa das inovações, de direcionamento estratégico e planejamento. O próximo governo precisa ter pessoas com mentalidade para isso, ser pautada por uma agenda de inovação.
Grasiela Scheid Tesser, diretora de Projetos e Inovação da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias

— A questão tributária é o principal entrave, no caso, a ST-ICMS (Substituição Tributária), que é a antecipação do imposto. Hoje, a indústria vende e tem que recolher todos os impostos que a cadeia gera, o que significa um custo muito alto para as vinícolas nesta operação. Pedimos a exclusão da ST, o que não é a redução de impostos e sim que cada setor pague a sua parte separadamente. Para o Estado é muito cômodo manter assim, pois é mais fácil fiscalizar apenas um setor, mas esse peso tributário nas vinícolas é um entrave. Como 90% da produção vitivinícola no país é no Estado, o governo deveria ter um interesse especial no setor. O governo também precisará manter o Fundovitis, em que uma parcela do ICMS vem em benefício do setor.
Oscar Ló, presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)

— Percebemos, e não só por parte da micro e pequena empresa, que a infraestrutura de nossas estradas tem sido um empecilho de muitos anos e precisa ser trabalhada urgente pelo próximo governante. A região metropolitana de Caxias, com mais de um milhão de habitantes, não tem acesso com estradas duplicadas, apesar da grande produtividade. Temos um dos maiores polos de microprodutores rurais e a maior demanda é sair do interior até os grandes centros, e pelo caminho enfrentam dificuldades diárias não só pela condição das estradas como pela demora. Isso afeta também o nosso turismo. As pequenas e micro empresas também precisam de linhas de crédito para sua a realidade. O governo precisa trabalhar na criação de um programa específico para esse setor.
Jovenil Vitt Lima, presidente da Associação das Empresas de Pequeno Porte do RS (Microempa)

— O primeiro compromisso é com os trabalhadores e investir no setor produtivo, que vai gerar empregos em outras áreas como comércio, serviço, turismo. Estado, União e municípios precisam estar numa só sintonia, independentemente de partido. Caso contrário, a roda da economia não vai andar. Esse compromisso também envolve a saúde, a educação e a infraestrutura.
Claudecir Monsani, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e região

— A Serra necessita de apoio do governo estadual para que se que tenha um plano de governo, que trate do turismo enquanto economia. Que se crie possibilidade para cumprir o Programa de Regionalização e invista em pesquisa para o segmento. Que trabalhe a promoção do nosso destino turístico. Que estabeleça dotações orçamentárias para transferir  às governanças regionais e crie legislação para dar condições de legalidade às governanças regionais. Que retome os projetos da Câmara de Gastronomia. Que tenhamos equipes internas de apoio. Que o Conselho de Turismo seja atuante. Que incentive o empreendedorismo para o segmento e invista em infraestrutura (rodovias, sinalização).
César Nicolini, presidente da Associação de Turismo da Serra Nordeste (Atuaserra)

— A primeira coisa é acompanhar o setor da uva e do vinho para para uma luta conjunta por um preço justo para os produtores. Além do apoio à produção, o governo precisa estar mais presente nas câmaras setoriais.  A diminuição da carga tributária dos derivados da uva é uma das sugestões. É importante desburocratizar e flexibilizar as leis sanitárias e ambientais, apoiar a agroindústria e cooperativismo, lutar contra a importação de produtos lácteos e ter uma extensão rural (ensinamentos sobre a agricultura, pecuária e economia doméstica) voltada para a realidade regional.
José Luís Pietá, coordenador regional dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de 22 municípios da Serra

— O Estado tem que seguir mantendo o olhar para o turismo cultural de nossa região, através da Lei de Incentivo à Cultura. Precisamos de apoio com ações junto ao governo federal para as questões de ferrovia, de rodovias, de ciclovias e de melhorias para facilitar o acesso. O treinamento de mão de obra em larga escala, por meio de convênios com instituições. é mais do que necessário, pois temos pessoas treinadas para a indústria e não para o turismo. Precisamos de muitos cursos na área.
Tarcísio Michelon, diretor-superintendente da rede Dall'Onder e empresário reconhecido por estimular o turismo da Serra

— Investir principalmente na infraestrutura rodoviária. Temos a ligação principal do nosso polo ao resto do país por uma rodovia com parte de pista simples e vista como via secundária na saída para Farroupilha, onde há uma sinaleira que interrompe o tráfego. A ampliação da extensão BR-448 (entre Esteio e Portão), para que o acesso a Porto Alegre fique facilitado, é outra tarefa. Numa segunda frente, o governo precisa ampliar as linhas de crédito e trabalhar em cima da questão tributária, que é uma das mais altas do país para a nossa competitividade. O apoio do governo nas políticas de inovação também é necessária. Para isso, precisa trabalhar nas questão dos arranjos produtivos locais como instrumentos de desenvolvimento, manter e ampliar essa união entre os diferentes setores.
Reomar Slaviero, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs)

— Não podemos pensar em ações mirabolantes se o futuro governo não fizer primeiro o dever de casa, que é colocar o salário em dia do funcionalismo, tratar a saúde e a educação. Por outro lado, o governo pode ser parceiro no sentido de trazer mais empresas para a nossa região, que vão gerar empregos, como a Havan. Também falamos muito da questão tributária, mas creio que não devemos esperar grande mudança em função de o Estado estar com esse problema financeiro. Temos que pedir que não aumentem a carga tributária.
Idalice Manchini, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) de Caxias do Sul e região

— Precisa investir em infraestrutura. Somos uma região de turismo e estradas boas incentivam a visitação, geram empregos nos hotéis, na gastronomia e no comércio. Também entendemos que o apoio à indústria, como políticas de governo, vai favorecer o comércio também.
Silvio Luiz Frasson, presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Caxias do Sul (Sindicomerciários)

— O futuro governo precisa rever o impacto do ICMS. A redução da alíquota é importante para buscar o desenvolvimento da região. Pesa muito essa diferença de um Estado para o outro. Por outro lado, o setor moveleiro também requer atenção da infraestrutura de transporte e logística, uma área que precisa de investimentos. Estamos numa retomada lenta, mas temos esperança de que o próximo governo faça o que precisa ser feito. Há uma expectativa de melhora no país a partir das eleições. Edson Pelicioli, presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves


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