Ciro Fabres: os jingles de eleição  - Política - Pioneiro

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Opinião 26/09/2018 | 15h12Atualizada em 26/09/2018 | 15h12

Ciro Fabres: os jingles de eleição 

Nenhum tempo é melhor do que outro, do que o atual, apesar de tudo. Cada tempo com seu cada qual

 Tempo sem graça, é uma ladainha bem ao gosto dos saudosistas incorrigíveis. Como eu, aliás. Sou um desses, de carteirinha. Mas cá entre nós, antes havia mais glamour em quase tudo – e mais coisas terríveis também, e é difícil conter a tentação das referências neste momento pré-eleitoral. Antes havia o trem, para ficar em um exemplo aleatório. Viajar de trem impunha um glamour. Havia os bailes, o carnaval de salão. Não era só glamour, havia a contundência das expressões, autênticas, demolidoras. A música é um atestado eloquente. Havia o rock, e o rock não era glamour, por certo, mas era expressão inconfundível. Rock ainda há, mas convenhamos... Eu sei, mais um escorregão saudosista. Havia o pagode do Raça Negra e há o pagode de hoje. Fiquemos por aqui.

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Eram outros tempos. Cada tempo com seu contexto, suas demandas, suas expressões. Nenhum tempo é melhor do que outro, do que o atual, apesar de tudo. Cada tempo com seu cada qual, e é preciso fazer a leitura histórica adequada.

Ah, mas que tinha mais glamour... É que ficam na mente as boas lembranças, o clip dos melhores momentos. É injusta a comparação. Dentro de alguns anos, acreditem, sentiremos alguma saudade destes nossos dias conturbados.

E tinha os jingles, aquelas músicas com finalidades publicitárias que grudam nas mentes. Há quem não goste de jingles, por considerá-los chiclets. Ah, bem lembrado: em outros tempos, havia as gomas de mascar, eram uma diversão. Hoje, quase ninguém mais masca. Mas jingles eram chiclets. O meu preferido sempre foi o da Varig: “Estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul.” Que tempos! Não falei que tinha glamour?

Havia outros. O do Guaraná Antártica – “Pipoca e guaraná, que programa legal. Soy loco por pipoca e guaraná.” O famoso do Bamerindus – “O tempo passa, o tempo voa...” Havia o das Pernambucanas, para os mais antigos. Um clássico – “Não adianta bater, eu não deixo você entrar...” Anos 60, já faz mais de meio século. O tempo passa, o tempo voa... E havia a indefectível mensagem institucional de fim de ano – “Hoje é um novo dia de um novo tempo...” Melosa, mas que evoca lembranças em família.

Há quem não goste de jingle, e não são poucos. Eu gosto, porque sou nostálgico, lembram. E lembro também, saudoso que sou, dos jingles de campanha. Eram peças marcantes da corrida eleitoral. Alguns marcaram época, e só não vale lembrar aqui por causa do tal momento de eleição. Pois bem, esta é uma campanha sem jingles. Que coisa mais sem graça. Pode isso, Arnaldo?

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