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Mirante18/07/2018 | 20h45Atualizada em 19/07/2018 | 13h22

Clima tenso na Câmara de Vereadores de Caxias entre governista e presidente da Casa

Nunes atribuiu problemas na saúde como consequência do governo passado e Meneguzzi disse que esse tipo de pronunciamento "já está enchendo o saco"

Clima tenso na Câmara de Vereadores de Caxias entre governista e presidente da Casa Juli Hoff/Divulgação
"O senhor não está aqui para mandar em vereador", revidou Renato Nunes Foto: Juli Hoff / Divulgação

A interminável disputa eleitoral de 2016 — naturalmente visando às eleições deste ano e as municipais de 2020 — foi a estratégia do vereador Renato Nunes (PR) para desviar o foco dos problemas na saúde e que motivaram manifestações de parlamentares na sessão de terça-feira. Nunes criticou o governo passado pela atual situação. Ele reproduziu, na sessão desta quarta, vídeo da campanha eleitoral de 2012 em que o então candidato a prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) apresentava como plano de governo a implantação da UPA Zona Norte, de um hospital materno infantil e de um hospital para atendimento de traumatologias. Retomou o fato de Alceu não ter colocado  a UPA em funcionamento.

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A manifestação do governista acabou provocando reação do presidente da Câmara de Vereadores, Alberto Meneguzzi (PSB). O presidente foi direto: "Já está enchendo o saco esse tipo de pronunciamento". O revide de Nunes foi pesado: mandou que o presidente "se colocasse no seu lugar". 

Nunes começou o discurso dizendo aos vereadores de oposição que, "se não fizeram em 12 anos (referindo-se aos últimos mandatos na prefeitura), podem tirar a chuteira". 

— Se tivessem feito bem antes, estaríamos nessa situação? — acusou.

E acrescentou que o governo Daniel Guerra (PRB) está tentando recuperar (a saúde), mas está bem complicado, "por tudo aquilo que não fizeram ou porque fizeram muito mal feito". 

Meneguzzi, então, passou a presidência para o vice Ricardo Daneluz (PDT) e foi à tribuna. Ressaltou que a situação no Postão é séria e que, enquanto ficarem discutindo na Câmara quem é responsável — se é o governo Alceu, se é o governo (José Ivo) Sartori, se é Pepe (Vargas) — , não vão chegar a lugar nenhum. 

"Já está enchendo o saco"

Alberto Meneguzzi prosseguiu, sem meias palavras.

— Já está cansando, já está enchendo o saco esse tipo de pronunciamento aqui, em que a gente fica achando culpados do passado. Nós temos que tentar resolver as questões atuais. A população não aguenta mais esse discursinho aqui. As pessoas estão de saco cheio com a Câmara de Vereadores. Fica difícil, até como presidente, defender o Legislativo, porque dizem: "Vocês só ficam discutindo baboseiras, quem é pai da criança, quem é culpado". Nós temos que resolver as coisas agora.

Meneguzzi defendeu que a Câmara tem feito um esforço muito grande, cada um do seu jeito, cada um com o seu discurso, cada um com a sua ideologia, que a Comissão de Saúde já foi a Porto Alegre, já se encontrou com o secretário estadual, conseguiu evitar que leitos fossem fechados no Hospital Geral, "mesmo assim a gente leva pau, a gente leva crítica". 

— A gente não está torcendo para que as coisas fiquem piores. Tem crianças morrendo. A gente quer que a saúde seja melhor.

O presidente reforçou que é preciso parar de pensar no passado, procurar apresentar sugestões e não interessa em quem os usuários do SUS votaram.

— São pessoas sofrendo na busca de atendimento. Esse governo precisa melhorar isso e nós estamos tentando dar essa contribuição, mas não pode ficar só nisso de ficar toda hora apresentando coisas que um prefeito A ou que um prefeito B não fez. 

"Se coloque no seu lugar"

O vereador Renato Nunes engrossou ao responder ao presidente da Casa, mesmo dizendo que Meneguzzi tinha o direito de fazer a fala que quisesse.

— O senhor se coloque no seu lugar, porque não vai ser o senhor e não vai ser ninguém que vai dizer para este vereador qual o tipo de discurso ou qual o tipo de fala que eu tenho que fazer. Eu uso o argumento que eu achar que eu devo fazer, e o senhor faça o seu trabalho que eu faço o meu. Dá licença. Coloque-se no seu lugar. O senhor é presidente desta Casa, mas o senhor não está aqui para mandar em vereador e querer ensinar vereador a falar. 

Na sequência, Meneguzzi disse que Nunes estava desrespeitando e sendo agressivo com o presidente da Casa. 

Nunes insistiu, dizendo que cada um usa os argumentos e as armas que tem. E voltou a falar de Alceu, mostrando o ex-prefeito no telão, questionando o hospital de traumatologia e o hospital materno infantil. Disse que foi estelionato eleitoral. 

"Táticas diabólicas"

O líder do governo, Chico Guerra (PRB), concordou com Meneguzzi quanto à necessidade de os vereadores levarem soluções. Apesar do discurso do companheiro da bancada governista, Chico disse que "não adianta ficar empurrando, só apontando problemas, jogando na cara do outro, plantando discórdia, plantando informações para depois, lá adiante, ter utilidade".

Segundo ele, isso são "táticas diabólicas".

Serve, portanto, para os dois lados.

Especificamente sobre a saúde, Chico disse que da forma que está atuando, o Postão está esgotado.

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