"A gente está passando por uma fase muito difícil, mas é um difícil útil", diz Arnaldo Jabor - Política - Pioneiro

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Entrevista17/07/2018 | 17h00Atualizada em 17/07/2018 | 17h00

"A gente está passando por uma fase muito difícil, mas é um difícil útil", diz Arnaldo Jabor

Jornalista e cineasta esteve em Caxias do Sul nesta segunda-feira

"A gente está passando por uma fase muito difícil, mas é um difícil útil", diz Arnaldo Jabor Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Embora o momento atual brasileiro não seja dos melhores por conta das crises política e econômica, o jornalista e cineasta Arnaldo Jabor não o considera o pior da história. A ditadura e o governo de Fernando Collor de Melo são citados por ele como períodos difíceis. A diferença agora, segundo ele, é que o difícil é útil, porque há avanço da consciência da opinião pública, combate à corrupção e fim de esquemas ideológicos errôneos. 

De passagem por Caxias na segunda-feira para palestrar em um evento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o polêmico comentarista da Rede Globo conversou com a imprensa sobre cenário político, eleições e economia. E abriu voto para Geraldo Alckmin (PSDB) para presidente da República. 

Confira os principais trechos da conversa com a imprensa: 

Perspectivas
"Eu acho que a gente estava precisando passar por essa experiência do vazio, do inesperado. O Brasil era muito controlado pelos erros, agora a gente pelo menos está vivendo uma época de dúvida, de desesperança, e eu acho importante como tudo na vida. Você só aprende levando porrada, errando, quando sofre. E o brasileiro, agora, não o povo pobre, porque esse está na miséria desde sempre, estou falando da classe média que está tendo de se confrontar com o erro nacional". 

Momento político
"A gente está passando por uma fase muito difícil, mas é um difícil útil. A gente passou 21 anos de ditadura, isso é um inferno. O governo do Collor foi uma loucura. Pelo menos houve um avanço da consciência da opinião pública brasileira nesses últimos anos. A gente aprendeu muito sobre o Brasil. Eu tenho certeza que você sabe mais sobre o Brasil hoje do que você sabia há 20 anos, porque esse negócio da judicialização da política, que eu acho que é inevitável, não faz mal, o que o (juiz Sergio) Moro fez é uma coisa extraordinária. E não é ele. O importante que está acontecendo não é só a luta contra a corrupção, é que estão sendo desfeitos esquemas ideológicos errados, errôneos. Isso aí estava levando o país para um caos". 

Solta não solta de Lula
"Esse cara (Rogério Favreto, desembargador do TRF-4 que concedeu liberdade a Lula durante seu plantão, no dia 8 de julho) é um maluco. Foi uma jogada. O PT tem uma mentalidade leninista, de 1917, então, eles acham que a eleição é para acabar com o Lula. Ninguém leva em conta todas as coisas que foram cometidas, todos os crimes comprovados. Hoje (segunda-feira), a Gleisi (Hoffmann, presidente do PT) estava dizendo que vão partir para impedir a eleição, para vetar as urnas. Pô, que loucura! Então, eu acho que o importante é que essa loucura ideológica ficou prejudicada. Não dá mais para julgar o Brasil como se nós estivéssemos em 1950, com o Stálin no poder". 

Eleições 2018
"Se o Bolsonaro for eleito, eu vou embora (risadas). Eu votarei no (Geraldo) Alckmin (PSDB), tremendo governador (de São Paulo), fez tudo direito, São Paulo está ótima, é um cara sério, não é ladrão. Eu acho que quem vai ganhar, infelizmente, é o Ciro Gomes (PDT)". 

Informações falsas
"Isso é uma invenção daquele cachorro que está lá nos Estados Unidos (Donald Trump). Aquele homem que tinha de estar morto, porque ele só sai morto, viu. Não pode falar isso alto, mas acho que é a solução. Ele inventou esse negócio. Ele chegou num ponto que ontem (domingo) falou que o que ele falou era fake news. Ele está enlouquecendo. Nós estamos vivendo um mundo em que a digitalização põe em questão o que é verdade e o que não é. Claro que a revolução digital é fundamental, mas os malucos todos vão se apropriando desses buracos para fazer essa confusão proposital entre a verdade e a mentira, porque é muito difícil dizer o que é verdade e o que é mentira. Às vezes, são coisas sutis. E as pessoas se aproveitam dessa dúvida para lucrar de uma forma ruim". 

Diminuir o tamanho do Estado
"Se entrar um esquema petista de volta, o que acho difícil, aí quebra de vez, aí vira um caos generalizado em cima de uma teoria louca. A única coisa que o Brasil precisa, na minha opinião, é uma revolução liberal. O Brasil precisa desconstruir o Estado gigante. Temos um déficit anual de R$ 50 bilhões na Previdência. Todo ano aumenta R$ 50 bilhões e não pode fazer reforma porque os caras não deixam. Daqui a dois anos não tem mais dinheiro para pagar aposentado. A agenda do que tem de ser feito no Brasil é muito complexa. Não é fácil de ter uma opinião, então as pessoas tendem a escolher um lado: o bem, o mal, o certo, o errado. O problema não é certo ou errado, esquerda ou direita. O problema do Brasil é um problema de reorganização social e econômica, que é uma coisa muito importante, uma coisa que foi feita durante oito anos e não conseguiu terminar direito porque não deixaram, foi o governo Fernando Henrique. Aquela é a agenda correta para o Brasil: é privatizar, diminuir o tamanho do Estado, fazer cortes fiscais, diminuir o déficit fiscal, aprofundar a importância da educação. Mas o problema principal é o Estado gigantesco. Eles (PT) acham que o Estado é o centro da humanidade. Isso é uma coisa de 1917. Então, o Estado tem de gerir a nossa vida. Se o Brasil adotar uma agenda complexa, pode ser que melhore. Se você procurar qualquer economista importante do mundo e perguntar como resolve o problema do Brasil, todos dizem sete coisas, todos já sabem: diminuir o Estado, educação, cortes públicos, privatização, é isso. Aí fica bom". 

Dilma radical, Lula careta
"A Dilma é brizolista, ela considerava o Lula um pouco careta, de certa forma, porque o governo não foi radical como ela gostaria. Então, ela botou para quebrar. Ela pegou dinheiro público para fazer financiamentos de demanda absoluta ficando sem dinheiro para a oferta. Aí foi pegar dinheiro em banco, aí ficou um caos". 

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