"Preparar bem os nossos gestores", diz novo presidente da Famurs - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª18/06/2018 | 07h30Atualizada em 18/06/2018 | 07h30

"Preparar bem os nossos gestores", diz novo presidente da Famurs

Prefeito de Garibaldi, Antonio Cettolin, está há um mês no cargo que reúne os prefeitos do Rio Grande do Sul

"Preparar bem os nossos gestores", diz novo presidente da Famurs Valéria Loch/Divulgação
Foto: Valéria Loch / Divulgação

Há um mês à frente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), o prefeito de Garibaldi, Antonio Cettolin (MDB), quer buscar a unidade e a integração no Estado. Entre as prioridades para a gestão 2018-2019, saúde, segurança e a preparação dos prefeitos para administrarem bem os municípios. 

Nesta entrevista, concedida por telefone, Cettolin fala sobre a importância de a Serra eleger mais deputados estaduais e federais e da necessidade de uma linha única para se pensar as demandas do país e evitar crises como a gerada pela greve dos caminhoneiros. Confira:

Pioneiro: Quais os principais desafios e prioridades à frente da Famurs?
Antonio Cettolin:
Tem muitas ações. Cito uma, por exemplo. Aqui na Serra a gente não sente muito isso, mas a região celeira, a região da fronteira, aqueles hospitais, têm 80 hospitais de pequeno porte e eles têm dificuldades. É uma bandeira da Famurs junto com os municípios viabilizar esse atendimento e essa é uma bandeira que vai continuar. Outro fator que nós vamos trabalhar é a questão da segurança. Foi lançado na quinta-feira no Palácio Piratini um projeto financiando os municípios para melhorias com câmeras, iluminação pública, é uma série de coisas, porque segurança pública não é só armamento. A Famurs está junto, assinamos um protocolo de intenções e vamos liderar esse processo com o Estado. Outro fator importante, que acredito que é o foco número um, além de todas as demandas que são constantes, é preparar bem os nossos gestores. Usar muito a tecnologia, usar mecanismos, fazer uma gestão voltada totalmente na transparência, com segurança. Recai muita coisa sobre os municípios. Dar todas as condições aos prefeitos para que eles possam trabalhar com tranquilidade. A população nasce nos municípios, a demanda acontece nos municípios, tudo acontece nos municípios. Vamos trabalhar muito forte para que os prefeitos tenham o potencial em suas mãos e possam oferecer aos seus munícipes tudo aquilo que há de bom na saúde, na educação, na segurança.

Quais são os principais problemas da Serra e de que forma a Famurs pode ajudar?
Quando fui presidente da Amesne, um dos pontos foi a segurança, usarmos muito a tecnologia. Com mais tecnologia você consegue atender a todos. Inclusive, tem muitas ações que já estão acontecendo entre a Brigada Militar, a Polícia Civil e Polícia Federal, porque já tem essa integração, tem software interligado. Isso tem dado ótimos resultados. É o suficiente? Ainda não, mas a gente vem conquistando espaços constantemente. Então, queremos na Serra que olhemos para esse lado como uma forma de oferecer a essa região essa possibilidade. Por exemplo, Caxias, que é nossa grande referência de município grande: ter uma central de monitoramento que congregue vários municípios, porque o que acontece em Flores da Cunha, Caxias precisa saber, e vice-versa. Então, com uma ação integrada entre os órgãos de segurança você consegue viabilizar com mais facilidade. É evidente que temos de olhar investimentos, olhar o setor turístico. Conhecendo a Serra, conhecendo o Estado, é evidente que tem situações diferentes. A Serra tem um potencial diferenciado do setor celeiro do Estado, então, temos de trabalhar com diferentes ações. Aqui é uma ação e lá poderá ser outra. A Famurs congrega todos os municípios, são 497, quase 500 municípios.                          

Em 2014, a Serra elegeu três deputados estaduais e um federal. Houve prejuízo para a região? E como a Serra pode aumentar sua representação política?
A Serra, pelo número de votos e de municípios, está distante de uma unidade para termos vários representantes. O Mauro Pereira (MDB), como deputado, foi suplente, e tivemos excelentes resultados financeiros em muitos municípios da Serra. O Pepe Vargas (PT) é outro deputado que é de Caxias, mas é da região. Temos condições de ter mais deputados defendendo a região. Falta unidade pensando no desenvolvimento regional. A Serra é considerada um dos grandes polos do Estado. Na questão política, temos de nos unir mais. Devemos olhar como uma possibilidade de termos melhores condições e ganhos, inclusive, ter essa representação. Caxias tem 300 mil votos aproximadamente, tem condições de eleger três, quatro deputados estaduais. Hoje em dia a gente ouve: "Bah, não vou votar em ninguém porque não resolve." Temos de olhar para aqueles candidatos da nossa região e apoiar essa gente. Isso representa muito. Eu vejo por Garibaldi. Conseguimos valores consideráveis e como isso ajuda nossa comunidade, você poder comprar medicamentos para seus habitantes, poder fazer asfalto no interior, investir em um setor turístico. Vamos votar, sim, em pessoas da nossa região, gente que a gente conhece e confia, pessoas de bem, para trazer tudo isso para nossa região.

A recente greve dos caminhoneiros explicitou a dependência gigantesca do modal rodoviário. A Famurs considera prioritário lutar por outros modais, como o ferroviário?
Analisamos muito esse aspecto. Não é transporte de bens, na verdade, mas se olharmos o trem metropolitano, que engloba Bento, Farroupilha, Garibaldi, Caxias, Carlos Barbosa, é o transporte de passageiros que viria ao encontro para ajudar muito. Já trabalhamos muito e não conquistamos nada. A Serra, de fato, tem essas dificuldades, até pelo abandono das ferrovias. No sistema nacional também é assim. Muito se trabalhou em cima de rodovias e caminhões e foi esquecido o trem. Juscelino Kubitschek levou a capital para Brasília e hoje ela fica muito afastada da população. Quem sente isso (dificuldades) de perto é quem vive junto com a população. O prefeito, o vereador, eles vivem junto da população e tu sente na carne todos os dias isso. O governador está em contato permanente com a população. Os demais, é mais difícil. Teríamos de ter um plano nacional. Eu visitei Chile, Alemanha, Israel e esses países têm uma política de governo. Aqui, o governo central tem uma política, o governo do Estado tem outra e os municípios com suas dificuldades. Nos países onde há linhas todas no mesmo sentido, favorece muito. Nós não temos isso. Aí a Famurs vai brigar por ferrovias. Pode lutar, mas quem tem o poder na mão é o governo central. Mas, enfim, não podemos desistir, temos de apresentar sugestões. Nosso propósito é quebrar paradigmas e incentivar muito a unidade.


 
 
 

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