"Legislativo acaba sendo mal visto", diz presidente da Câmara de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª25/06/2018 | 06h43Atualizada em 25/06/2018 | 06h43

"Legislativo acaba sendo mal visto", diz presidente da Câmara de Caxias do Sul

Alberto Meneguzzi já colocou nome à disposição para 2020

"Legislativo acaba sendo mal visto", diz presidente da Câmara de Caxias do Sul Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Vereador não descarta concorrer a prefeito na próxima eleição municipal Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O presidente da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, Alberto Meneguzzi (PSB), criticou fortemente o quarto pedido de impeachment do prefeito Daniel Guerra (PRB) e a retirada no dia seguinte. Em entrevista ao Pioneiro,  Meneguzzi explicou o motivo da indignação. Ele também falou sobre seu desejo de concorrer a prefeito na eleição de 2020 e a relação do PSB com o Governo Guerra. Confira a entrevista.

Pioneiro: O objetivo dos pedidos de impeachment é atingir o prefeito ou também o Legislativo?
Alberto Meneguzzi:
Todos os pedidos de impeachment foram para atingir o prefeito, mas, de qualquer maneira, por tabela, o desgaste sempre fica com Legislativo, afinal de contas é protocolado aqui, precisamos analisar e votar. O Legislativo acaba sendo mal visto, culpado dessas coisas pelas pessoas que não entendem como funciona a questão do protocolo de um pedido de impeachment.

Há um temor de que essa legislatura fique com a marca de perseguição ao governo municipal?
Não tenho esse temor. Essa legislatura tem sido muito crítica e fiscalizadora das ações do prefeito. Teve discussão, análise e votação aqui, mas nenhum vereador protocolou pedido de impeachment. A fiscalização tem sido rigorosa tanto dos vereadores individualmente quanto das comissões. Acho até normal, saiu um governo de 12 anos e entrou um governo novo, com outros pensamentos, outras ideias, outra postura, é normal que haja uma certa animosidade, é normal que a fiscalização fique acirrada, forte. Quando as coisas ficam só nas questões pessoais, é negativo.

O que o senhor entende por "palhaçada" no quarto pedido de impeachment?
Palhaçada é copiar, colar e protocolar um negócio que é 80% do que já foi protocolado. Um cidadão fez uma cópia e cola de um outro processo, e depois retirou (o pedido que fez). O impeachment é um instrumento que pode ser utilizado democraticamente, mas, do jeito que o cidadão protocolou, é uma piada, embora se tenha essa prerrogativa democrática e constitucional de fazer esse pedido. A lei federal não possibilita que a gente mude esse procedimento, então qualquer cidadão protocola e já tem que ir para uma análise da Câmara. O cara protocolou na quinta-feira e na sexta ficamos discutindo juridicamente se a retirada tinha sentido ou não. Tudo isso tira tempo da gente, da Câmara, tira energia e tem despesa. É uma coisa desgastante.

O senhor será contrário a qualquer pedido de cassação do mandato do prefeito?
Não tenho como dizer isso. Eu gostaria que pudesse ter uma outra maneira de aceitar ou não aceitar o acolhimento (do impeachment) antes de ir para votação, mas a lei federal, pelo que o jurídico já falou, não permite, tem que ser esse procedimento. 

Os pedidos de impeachment estão embasados em lei federal, mas mesmo assim pediu estudo para evitá-los. Quais as alternativas para conter?
Talvez fosse o caso de passar por alguma comissão antes de a gente analisar. E não ser protocolado imediatamente e ir para uma sessão plenária como é hoje. Eu pedi um estudo e a resposta foi: "Tem uma lei federal e tem que ser assim." Lamento, porque isso pode acarretar de a gente ter mais 10, 15, 20 pedidos de impeachment. Gostaria que a lei federal permitisse que a gente tivesse uma análise mais criteriosa aos pedidos de impeachment.

Na sua opinião, o pedido de impeachment deveria ser restrito
Deveria passar por uma análise jurídica mais criteriosa.

Como classifica a relação entre o senhor e o Governo Guerra?
Boa, boa, institucional. Todas as vezes que o prefeito pediu para a gente conversar eu estive lá (na prefeitura). Todos os secretários que quiseram vir conversar não precisaram marcar hora. Às vezes, alguns projetos estão com algum equívoco no texto e são baixados (devolvidos) para o Executivo. No ano passado, o (ex-presidente da Câmara) Felipe (Gremelmaier, MDB) já tinha essa relação boa. Este ano, os secretários apresentaram antes os projetos do aplicativo (de transporte), o de perdão de dívidas da habitação, da Festa da Uva. A gente tem conversado muito, a Câmara tem o papel também de ser o interlocutor com as comissões. O presidente da Câmara não tem reclamações em relação à prefeitura, se a prefeitura tiver alguma reclamação a mim ou a Câmara... mas tenho tentado fazer as coisas fluírem melhor.

A bancada do PSB está mais próxima do Governo Guerra?
No ano passado, na minha primeira declaração como vereador, disse que eu não me enquadraria no grupo os 18 do Forte (formado pelos vereadores de oposição). O PSB tem que andar com as próprias pernas. O PSB é um partido forte, tem representatividade, fez parte de vários governos dos últimos anos e deu uma contribuição para cidade, mas não pode ficar refém de ninguém e de nenhum outro partido. A questão não é ser próximo ou distante, a questão é, vou usar aqui uma expressão que o prefeito diz: "aquilo que é bom para a cidade". O PSB faz uma oposição responsável ao prefeito, votando aquilo que é positivo para a cidade e sendo contra aquilo que é negativo.

O PSB o trata como uma nova liderança política. O partido está apostando no seu nome como candidato a prefeito na eleição de 2020?
Na primeira vez que fui candidato, me elegi e o partido me colocou para ser presidente. O partido até agora me deu todas as condições de trabalho para que eu pudesse trabalhar. Para 2020, entendo que o PSB seja protagonista e tem que estar na majoritária, tem que ter candidato próprio. Chega de andar a reboque. Eu, inclusive, já me coloquei à disposição para ser um candidato à majoritária. Tem outros, tem o (Elói) Frizzo, o Edi Carlos, e podem surgir outros até 2020, o partido que analise.

O senhor é conhecido pelo temperamento explosivo. Isso prejudica o relacionamento de trabalho?
Não. Eu já tive temperamento mais forte, estou bem calmo. Na política, não pode ser tão explosivo, tão apressado. Eu sou muito direto e verdadeiro, talvez seja confundido com temperamento forte, mas confesso que a presidência da Casa tem sido um aprendizado muito importante de não ser apressado, de conversar bastante, de ouvir todas as partes. Não acho que tenho temperamento forte, sou bastante enfático, verdadeiro e tenho posições firmes. Só tenho opiniões sobre as coisas.

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