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Entrevista de segunda14/05/2018 | 08h30Atualizada em 14/05/2018 | 08h30

Conheça as propostas do pré-candidato do PRB (o mesmo de Guerra) à presidência

Empresário Flávio Rocha diz que governo municipal é exemplar

Conheça as propostas do pré-candidato do PRB (o mesmo de Guerra) à presidência Barbara Salvatti/divulgação
Flávio Rocha palestrou no CIC de Bento Gonçalves na sexta-feira Foto: Barbara Salvatti / divulgação

Num ano eleitoral em que um expressivo número de cerca de 20 pré-candidatos à Presidência da República reivindicam nichos ideológicos, o empresário Flávio Gurgel Rocha, 60 anos, se reconhece como o perfil que defende com "maior clamor o coração do eleitor". Embora seja mais conhecido por ter sido CEO do grupo empresarial que gerencia empreendimentos como a Rede de Lojas Riachuelo (ele deixou o cargo em abril), o anunciado representante do Partido Republicano Brasileiro (PRB) já atuou na vida pública. Foi eleito deputado federal para duas legislaturas (1986-1995) e até tentou lançar candidatura à Presidência em 1994. No entanto, o seu partido à época, o PL, decidiu apoiar Fernando Henrique Cardoso.

Em entrevista ao Pioneiro nesta sexta-feira, quando palestrou em Bento Gonçalves no Centro de Indústria, Comércio e Serviços da cidade, Rocha adiantou que as propostas de sua campanha se basearão na defesa do livre mercado e valores conservadores na sociedade.  A ideologia compõe o movimento que Rocha lidera chamado Brasil 200 anos, que faz alusão aos 200 anos de independência que o país completa em 2022 (ano em que termina o mandato do próximo presidente da República).

— O movimento defende o emprego e valores da família. Os dois endereços que dão dignidade ao ser humano: trabalho e lar. Um reforça o outro. Representamos quem puxa a carruagem. É o movimento dos que trabalham contra os que parasitam — comenta.

Confira a entrevista:


Pioneiro: Quais são as suas propostas para o Brasil?

Flávio Rocha: A base é o binômio emprego e família. Emprego tem a ver com recolocar o Brasil no cenário competitivo. Quem produz no país está sob ataque. A gente perdeu 50 posições no ranking de competitividade em cinco anos. Isso significa um ataque financiado com dinheiro público à nossa condição de competir. E quando isso acontece, você destrói empregos. E isso leva à segunda coluna mestra do nosso programa, que é a família. Ideias ruins que destroem empregos sempre estão ligadas a ideias ruins que destroem valores. Nesse ano político tão complexo e com tantas candidaturas, não há nenhuma que defenda com tanto clamor o coração do eleitor na defesa do livre mercado e dos valores mais fundamentais, da família, justiça e instituições.

Mas o que o senhor oferece efetivamente como propostas?

Fundamentalmente, as quatro reformas: trabalhista, tributária, estatal e a previdenciária. Com essas quatro reformas, vamos virar um país normal e sair da companhia de países travados, hostis ao empreendedorismo e aos investimentos, como Venezuela, Cuba e Coréia do Norte, e vamos nos aliar aos países prósperos. Isso tudo pode ser feito  ao longo de um ano.


Qual a sua proposta para a Previdência?

Atacar o problema real... que é o um milhão de superaposentadorias que representam 3/4 do déficit da Previdência. Aparentemente, esse assunto passou ao largo da fragilidade política do governo e a impossibilidade de comprar essa briga dura. Os 32 milhões dos aposentados do sistema geral representam apenas 1/4 da Previdência. E é urgente que migremos para um regime de capitalização. Porque esse regime da "mão pra boca" é insustentável. Cada vez temos mais aposentados e menos contribuintes. É urgente que essas contribuições já sejam contabilizadas num regime de capitalização público ou privado.


O senhor está considerando aliança com Álvaro Dias (pré-candidato do Podemos)? E, nesse caso, quem seria o cabeça de chapa?

Quem estiver na frente. Só estimulei esse acordo pois tenho certeza de que estaremos na frente. Nós temos a maior taxa de conversão. Do 1,4% que tínhamos há uns dias, passamos para um universo de 5% a 6% que sabem da minha existência. Então, com o caminhar dessa campanha robusta que ele está fazendo (Álvaro Dias) de três eventos por dia no Brasil todo, podemos rapidamente liderar esse bloco de centro e  combater os extremos, o iceberg da direita e o iceberg da esquerda, porque os extremos nos conduzem para a mesma tragédia por caminhos diferentes.


Como vê o Rio Grande do Sul em termos de propostas?

O Estado do Rio Grande do Sul paga o preço de uma política externa equivocada. O Mercosul precisa ser renegociado. Tem potencialidades aqui do Sul que estão sendo fortemente prejudicadas. Produtos importados que possuem muito menos carga tributária do que o próprio produto feito aqui. Portanto, não defendo protecionismo como liberal que sou, mas é urgente que a gente melhore a competitividade reduzindo o exorbitante Custo Brasil. 


O senhor tem contato com o prefeito de Caxias do Sul Daniel Guerra (ambos são do mesmo partido)?

Estava com ele (em Bento). Grande admiração. Um exemplo de gestão municipal, uma gestão que nós precisamos.


Sobre essa questão de o senhor defender o conservadorismo: não acha que esse tipo de posição possa contribuir para polarizar ainda mais a população?

Ser conservador não é ser careta nem moralista. É só repudiar o "bagunçar para governar". Essa corrente de ideologia de gênero, por exemplo, é coisa sem nenhum embasamento científico. Tem como objetivo desestruturar a família com a erotização precoce. Isso promove um ataque sistemático à propriedade e à família na busca por destruir os alicerces da sociedade. Eles acreditam que o caos é o caminho para a implantação dessa ideologia anacrônica e fracassada que agora ganhou o nome de populismo bolivariano e que está destruindo os países da América Latina. Mas o povo brasileiro não vai permitir esse retrocesso.


O senhor foi defensor do impeachment de Dilma Rousseff. Está satisfeito com o que o país se tornou desde então?

Não só fui defensor, mas o primeiro entre os empresários de relevo a se posicionar sobre a insustentabilidade do governo da ex-presidente Dilma. Se tivesse continuado, é só olhar o que está acontecendo com a Venezuela. Temos agora um governo realmente desgastado, mas, pelo menos, o valor fundamental da responsabilidade foi reestabelecido na medida do possível. Até o mais ferrenho adversário do Governo Temer tem de reconhecer a recuperação e o estancamento da sangria da economia. 


Recentemente, foi divulgado que o grupo empresarial do qual o senhor faz parte doou mais de R$ 580 mil para políticos envolvidos com Caixa 2 (entre eles, Henrique Eduardo Alves e Rodrigo da Rocha Loures). Como avalia essa situação?

Foram contribuições modestíssimas. Totalmente irrisórias e não tem como confundir com as contribuições milionárias para empresas que exigem contrapartidas. Tentar misturar as duas coisas é ato de má-fé. Na época dessas contribuições, não havia nenhuma suspeição ou imputação de crime contra aquelas pessoas.


Mas, ao ser efetivamente comprovado o envolvimento deles... O senhor acha que houve falha ao ter apoiado esse tipo de candidatura?

É, logicamente... mas  as investigações têm de prosseguir. Na época, foram decisões tomadas à luz das informações que tínhamos.


Como se sente tendo o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL)?

Eu acho que o MBL é feito por jovens idealistas que têm realmente uma maturidade intelectual muito grande e que prestaram uma boa contribuição ao debate numa época de hegemonia de ideias tóxicas, estatizantes e intervencionistas, com as quais eu não tenho nenhuma afinidade. Então, eu fico feliz e aumenta minha fé no Brasil ao ver jovens tão aguerridos e na defesa das ideias que eu compartilho de livre mercado, de democracia e defesa de valores.

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