"Rico tem de pagar imposto", diz Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL à Presidência da República - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª23/04/2018 | 09h30Atualizada em 22/08/2018 | 11h33

"Rico tem de pagar imposto", diz Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL à Presidência da República

Ele é o mais jovem a disputar o cargo na eleição de 2018

"Rico tem de pagar imposto", diz Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL à Presidência da República Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Desde que foi "ungido" pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pré-candidato do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos, ganhou projeção nacional. No ato antes de se entregar à Polícia Federal, no dia 7 de abril, Lula elogiou fortemente o político, o mais jovem a disputar o cargo de presidente. 

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Agora em maratona pelo país e até fora – na semana retrasada esteve em Portugal –, Boulos não só apresenta suas bandeiras como está empenhado na defesa de Lula. Enquanto ele percorre um ponto do Brasil, sua vice, a líder indígena Sônia Guajajara, visita outros cantos. Nesta entrevista, concedida por telefone, enquanto Boulos cumpria agenda em Porto Alegre, ele fala de suas propostas para o Brasil e por que o PSOL, dissidência do PT, apoia Lula.

Pioneiro: O que o senhor e o PSOL defendem para o Brasil?
Guilherme Boulos:
A nossa candidatura defende um projeto de mudança profunda no país, que vai enfrentar as desigualdades e democratizar o sistema político. Nós colocamos três propostas fundamentais. Uma é no dia 1º de janeiro de 2019, se nós ganharmos as eleições, nós vamos propor um plebiscito para que o povo brasileiro possa decidir se quer manter ou revogar as medidas tomadas por esse governo ilegítimo do Michel Temer. A Reforma Trabalhista que tirou direitos, a emenda constitucional 95 que congelou investimentos sociais pelos próximos 20 anos, a entrega do pré-sal para empresas estrangeiras. O povo tem que decidir sobre isso. Esse governo do Temer não tem legitimidade, e um Congresso desmoralizado para aprovar medidas tão graves. Uma segunda medida para enfrentar o abismo social brasileiro... saiu pesquisa recente da Oxfam, organização britânica (sobre a desigualdade social no Brasil): seis bilionários brasileiros têm mais renda e riqueza do que 100 milhões de pessoas. Isso é inadmissível, é uma barbárie. Para enfrentar isso, nós temos que colocar na mesa o financiamento do Estado brasileiro. Rico tem que aprender a pagar imposto no Brasil. Quem sustenta o Estado é pobre e classe média, que é quem paga imposto de verdade. Os súper ricos, os grandes empresários, os bancos não pagam praticamente nada. É uma farra no sistema financeiro. Queremos enfrentar isso com taxação de grandes fortunas que está prevista na Constituição, com tributação de lucros e dividendos que quase todos os países do mundo têm, inclusive, com isenção das taxas mais baixas do Imposto de Renda, mas que os que têm mais pagam mais e os que têm menos pagam menos. Isso vai permitir recurso para um investimento público maciço que vai gerar emprego e permitir serviços de saúde, educação, moradia, enfim, tudo o que é necessário para melhorar a qualidade de vida do nosso povo. E um terceiro e último ponto que faz parte dessa nossa agenda básica é democratizar o sistema político. Hoje as pessoas não se sentem representadas. Esse sistema está falido. Maior parte do nosso povo não vê alternativa na política porque, efetivamente, esse sistema não representa as maiorias. Representa um por cento, representa as oligarquias que sequestraram o Estado brasileiro, por isso nós temos que colocar na mesa que esse modelo de Presidencialismo de coalizão, que virou um balcão de negócios, de apoio parlamentar por cargo, esse sistema esta falido. Nós precisamos estabelecer outro modelo democrático com participação popular, com plebiscitos, referendos, em que o povo seja consultado sobre as questões fundamentais. Democracia não é apenas apertar um botão a cada quatro anos e depois não decidir mais nada. Não pode ser cheque em branco para os políticos.

O PSOL surgiu de uma dissidência do PT e sempre houve muitas críticas de ambos os lados. Agora, o PSOL está  empenhado na defesa do ex-presidente Lula? Por quê?
Nós do PSOL, o conjunto dos movimentos sociais que compõem essa aliança que se expressa na nossa candidatura, entendemos que há uma verdadeira injustiça sendo levada a cabo. A condenação do Lula é política, com objetivo claro de retirá-lo do processo eleitoral. Não houve nenhuma prova. Foi um processo conduzido sem amplo direito de defesa, passando por cima de vários ritos judiciais e, portanto, isso se demonstrou uma farsa judicial. Isso não começou com Lula e não termina no Lula, ou seja, não se trata de defender o Lula, o PT. Nós temos diferenças, críticas e já tivemos a oportunidade de colocar no debate político. Agora, ter diferenças não vai nos fazer coniventes com injustiça.

O senhor acredita que Lula conseguirá ser candidato?
Nós defendemos o direito dele se candidatar à Presidência.

O senhor acompanhou o ex-presidente Lula antes de ele se entregar à Polícia Federal. Sobre o que conversaram?
Foi um momento de resistência a uma ordem judicial injusta, uma definição de prisão absurda porque, veja, é uma coisa impressionante você ter, por exemplo, o Temer. O Temer tem provas a dar com pau contra ele, tem gravação dele comprando o silêncio do (ex-presidente da Câmara) Eduardo Cunha no porão do palácio, tem malas de dinheiro e o Temer está governando o país. O Aécio Neves: gravação dele pedindo mesada para o Joesley Batista, dizendo até que ia matar o primo antes de delatar e ele está no Senado fazendo leis. Contra o Lula não tem uma gravação, uma prova, um extrato, uma mala e ele está preso em Curitiba. Então, essa percepção de injustiça foi que nos levou a estar com ele no Sindicato dos Metalúrgicos (em São Bernardo do Campo).

A esquerda estará unificada no segundo turno?
Existem diferenças no campo da esquerda em relação a programa, posições políticas, e elas se expressam e são legítimas, pensamento único não é algo que faça parte da nossa tradição, daqueles que querem transformar a sociedade. Nós temos que estar unidos em questões fundamentais, na defesa da democracia, dos direitos e em um eventual segundo turno, nós esperamos estar no segundo turno, para disputar projeto de Brasil, num eventual segundo turno haverá unidade do campo progressista.

Lula sendo declarado inelegível, como o senhor entende que deve se dar a definição sobre quem ele irá apoiar e quem ficará com os votos dele?
Reitero que defendemos o direito de ele ser candidato, agora essa definição cabe a ele e ao Partido dos Trabalhadores. Essa é uma questão que não temos como responder.

No ato antes de se entregar, Lula fez muitos elogios ao senhor e a Manuela D’Ávila (PCdoB), passando a impressão de que vocês são uma espécie de herdeiros dele.
Acho que isso expressou por parte do Lula um reconhecimento do nosso papel na resistência democrática e do papel que nós temos tido no debate de um projeto para o Brasil com a nossa candidatura.

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