Resultado previsível. Daniel Guerra fica, mas soou o alarme - Política - Pioneiro
 

Mirante16/04/2018 | 22h20Atualizada em 16/04/2018 | 22h32

Resultado previsível. Daniel Guerra fica, mas soou o alarme

Recado para o prefeito foi de que não terá carta branca. Advogado de defesa pediu união 

Resultado previsível. Daniel Guerra fica, mas soou o alarme Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Vereadores permaneceram em plenário das 8h30min às 20h50min para o julgamento. Com a assinatura da ata, sessão terminou às 21h30min Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O prefeito Daniel Guerra (PRB) permanece no cargo, a denúncia foi julgada improcedente. Como era previsto. Mas ecoou um recado claro: a manutenção do mandato não significa que ele terá carta branca. A definição foi dada pela vereadora Denise Pessôa (PT), favorável ao arquivamento da denúncia composta por sete tópicos e que visava ao impeachment do chefe do Executivo. 

Embora Guerra tenha obtido votos além do necessário a seu favor (17), seis vereadores foram contrários ao parecer da Comissão Processante em alguns dos itens que motivaram o processo (Alceu Thomé, PTB; Rafael Bueno, PDT; Paulo Périco, PMDB; Gládis Frizzo, PMDB; Flavio Cassina, PTB; Felipe Gremelmaier, PMDB). 

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A falta de diálogo por parte do prefeito foi recorrente nos posicionamentos. Adiló Didomenico (PTB) disse que o governo tem que ter sensibilidade e unir a comunidade. Também chamou atenção o fato de o líder do governo, Chico Guerra (PRB), não aproveitar seus 15 minutos para fazer a defesa da gestão municipal. 

Porém, veio do relator da comissão, vereador Elói Frizzo (PSB), adversário de Guerra, a avaliação de que "o processo tinha deficiências e a defesa, com competência, explorou".

— O limite é o que está no processo, não poderia se agregar mais nada. Faltaram testemunhas de acusação. O relatório está limitado ao que está nos autos. Seria algo esquizofrênico votar contra nosso parecer — definiu o relator.

Fora do plenário, ele disse que será encaminhada ao Ministério Público representação contra três itens que integram a denúncia: o que trata das vagas na educação infantil, o referente ao Financiarte (por descumprimento do orçamento) e sobre o mandato do vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu (Avante), este último por usurpação de poder. 

Defesa pede união

Guerra não compareceu à sessão. O advogado de defesa, Heron Fagundes definiu a denúncia como órfã, sem qualquer cabimento.

Se a oposição falava em falta de diálogo por parte do governo, Heron disse que precisam de união e de entendimento. A situação pela qual passa o município foi classificada por Heron como uma vergonha, que não é do Executivo ou do Legislativo, "mas nossa". Disse que é preciso dar um basta, acabar com a puxação de forças de quem pode mais ou menos.

É importante o posicionamento do advogado do prefeito, resta saber se Guerra está disposto a contribuir para a melhoria nas relações. Alceu Thomé (PTB) deu um palpite durante sua manifestação: "Deixe de ser um leão durão e aja com serenidade". 

E a oposição, como vai agir?

Vamos aguardar qual ensinamento o pedido de impeachment trará para governo e oposição.

Plateia e tempo de leitura

A sessão extraordinária se iniciou às 8h30min e seguiu até por volta das 15h sem evolução. O tempo foi usado para leitura das 74 páginas da denúncia (até as 12h30min) e das 55 páginas do parecer da Comissão Processante, que apontou o arquivamento. A solicitação foi feita pelo advogado de Guerra, Heron Fagundes. 

O latifúndio de tempo foi visto como forma de desmobilizar os manifestantes contrários ao prefeito. A estratégia de Heron foi criticada por vários vereadores, considerada desnecessária. 

Se pela manhã o clima era de tranquilidade no plenário (até sonolento), à tarde, quando começaram as declarações dos vereadores, a situação mudou. Os anti-Guerra bombardearam vários vereadores pelo posicionamento contra o impeachment. 

Aliás, de manhã defensores e opositores a Guerra até posaram juntos.

CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 16/04/2018.  Sessão de julgamento do processo de impeachment do prefeito de Caxias do Sul, Daniel Guerra (PRB), na Câmara de Vereadores. Manifestantes a favor e contra o impeachment tiram fotos juntos, citando a democracia. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O vereador Renato Nunes (PR) provocou, dizendo que não havia testemunhas de acusação. Da plateia, veio a resposta: "Outro (pedido de impeachment) virá". A votação se encerrou às 20h50min. A sessão, com a assinatura da ata, acabou às 21h30min.

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