Presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS se desculpa por "tom um pouco mais enérgico" com repórter em acampamento pró-Lula - Política - Pioneiro
 

Mirante30/04/2018 | 21h03Atualizada em 30/04/2018 | 21h51

Presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS se desculpa por "tom um pouco mais enérgico" com repórter em acampamento pró-Lula

Milton Simas diz que vídeo em Curitiba foi editado. Entidades de imprensa criticam episódio ocorrido sábado no Paraná

Presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS se desculpa por "tom um pouco mais enérgico" com repórter em acampamento pró-Lula Facebook/Reprodução
Milton Simas afirma que foi a convite da CUT, que custeou todas as despesas Foto: Facebook / Reprodução

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul (Sindjors), Milton Simas divulgou vídeo, nesta segunda-feira, pedindo desculpas ao jornalista da RIC TV, afiliada da Record no Paraná. No sábado, conforme vídeo que viralizou nas redes sociais, ele intimida o repórter em frente ao acampamento pró-Lula, em Curitiba. Vestindo uma camiseta do MST, ele diz que  não seria recomendável gravar na rua, em frente ao acampamento: "Estou te avisando para o teu bem... A imprensa está toda junta no golpe".

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No vídeo desta segunda-feira, ele afirma que a gravação que mostra sua conversa com o repórter e que viralizou nas redes sociais foi editada. Ele diz que esteve em Curitiba a convite da CUT, que custeou as despesas, e acusou que houve uso político para minimizar o ataque sofrido no acampamento. 

Simas nada fala sobre ter se referido à toda imprensa como golpista, nem sobre ter censurado o repórter ao dizer "para quem fala mal do movimento". 

— Se eu utilizei um tom um pouco mais enérgico com o colega jornalista do Paraná, ressalto aqui que não tinha nenhum representante do sindicato dos jornalistas daquele Estado no acampamento, então eu peço desculpas publicamente para o colega jornalista — diz o presidente do Sindjors.

Confira o vídeo 

A atitude de Milton Simas, em Curitiba, recebeu críticas e repúdio de entidades de imprensa. Confira as notas:

Associação Riograndense de Imprensa (ARI)
A Associação Riograndense de Imprensa reitera sua defesa intransigente da liberdade de expressão. A ARI, com sua trajetória de luta pela democracia, pede serenidade de todos os segmentos da sociedade, especialmente de entidades profissionais e da cidadania que podem e devem defender princípios básicos dentro de suas atribuições. Posturas pessoais são de responsabilidade de quem as adotam. Assim, reafirmamos nosso compromisso na defesa da atuação dos profissionais e dos veículos de comunicação no livre exercício do jornalismo para assegurar uma sociedade democrática.
Luiz Adolfo Lino de Souza - Presidente da ARI
João Batista de Melo Filho - Presidente do Conselho Deliberativo da ARI

Clube de Jornalistas e Editores de Opinião do RS
O Clube de Opinião do RS vêm a público repudiar, com veemência, a tentativa de intimidação sofrida pelo repórter Marc Souza, da TV Record Paraná, por parte de militantes do acampamento pró-Lula, em Curitiba, em especial pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, Milton Simas Jr., que, conforme ficou registrado em vídeo, sugere que o jornalista fique longe do acampamento para “preservar a sua integridade”. Uma ameaça velada de que ele poderia sofrer retaliações somente pelo fato de ser um jornalista tentando exercer seu oficio. Não satisfeito, o dirigente sindical, passa a proferir insultos a todos os jornalistas de diferentes grupos de comunicação, tachando os profissionais de imprensa como "golpistas". Profissionais de imprensa serem barrados, impedidos e/ou intimidados de exercerem sua profissão não é novidade alguma neste país. O que torna o fato mais deprimente e lamentável é que ele tenha sido protagonizado por alguém que deveria defender a atividade jornalística, em quaisquer circunstâncias, em qualquer lugar. Mas, ao invés disso, intimida repórter e destila ódio contra jornalistas. O Clube de Opinião do RS vem reiterar a defesa pela liberdade de imprensa como salvaguarda da democracia. Qualquer ato que atente contra este princípio sagrado será condenado por nós e por todos os jornalistas de verdade.
Julio Ribeiro – Presidente do Clube de Editores e Jornalistas de Opinião do RS

Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão
A Fenaert — Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão — vem a público manifestar seu repúdio à intimidação sofrida pelo repórter Marc Souza, da TV Record Paraná, enquanto intencionava realizar reportagem no acampamento onde estão simpatizantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Curitiba. O profissional foi intimidado pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Milton Simas Jr. O cerceamento da liberdade de expressão contra os jornalistas é ato inadmissível e acompanhamos democracias colocadas em risco em diversos países do mundo por isso. O que surpreende, desta vez, é que tais atos sejam praticados justamente por entidades representativas e colegas de profissão. Ao chegar no local para realizar a cobertura, Souza foi abordado por Simas, que, por sua vez, o aconselhou a se posicionar próximo ao carro da polícia para que tivesse sua "integridade preservada". O presidente também mencionou que "pra quem fala mal de movimento social" não seria recomendável que gravassem no local. Em seu diálogo com o jornalista, o presidente do Sindicato declarou ainda que "a imprensa tá toda junta no golpe", frase que generaliza e demonstra conflito de interesses. Ainda que se diga que a intenção foi "proteger" o profissional, o que se viu foi uma ação de intimidar e condicionar Marc Souza a um espaço específico de trabalho e comportamento condicionado pelos manifestantes para que pudesse atuar no local. Atacar o profissional de imprensa, no seu pleno exercício da profissão, é ferir a Constituição, a democracia e o direito da sociedade em conhecer os fatos e acontecimentos de seu ambiente. Não é aceitável que se confunda militância com o cargo ocupado em uma entidade de classe. A liberdade de expressão não pode ser instrumentalizada para beneficiar terceiros ou para satisfazer vontades delineadas por objetivos políticos.

 
 
 

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