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Mirante12/04/2018 | 09h09Atualizada em 12/04/2018 | 16h14

PDT e PT de Caxias do Sul retomam divergência

Vereador Ricardo Daneluz disse que nome "Pepe de Lula Vargas" expõe o deputado e ex-prefeito ao ridículo

PDT e PT de Caxias do Sul retomam divergência Franciele Masochi Lorenzett/Divulgação
"Foi a coisa mais ridícula que já vi nos últimos tempos na política", definiu Daneluz sobre mudança do nome do petista Foto: Franciele Masochi Lorenzett / Divulgação

As bandeiras do PDT levadas ao ato denominado Em defesa da Democracia, sábado, na Praça Dante Alighieri, com o objetivo de demonstrar posição contra a prisão do ex-presidente Lula (PT), fizeram barulho. Não pegou nada bem, até porque o presidente do PDT, ex-prefeito Alceu Barbosa Velho, posiciona-se favorável à prisão do petista. Cerca de 50 pessoas participaram da referida manifestação pró-Lula. As relações entre PDT e PT em Caxias azedaram na eleição municipal passada. Depois, amenizaram com a união na oposição ao governo Daniel Guerra (PRB), mas agora, em período pré-eleitoral, as divergências retornam.

Na sessão da Câmara de Vereadores desta quarta-feira, os pedetistas trataram de se desvincular do apoio a Lula. A mudança do nome parlamentar do deputado federal Pepe Vargas (PT) para "Pepe de Lula Vargas" não passou em branco. 

Quem levantou o assunto foi o vereador Ricardo Daneluz (PDT), defendendo a opinião de Alceu sobre a prisão de Lula. E repetiu o que ele disse: "Hoje temos fatos concretos. Ele foi condenado em primeira e segunda instância. Ele não foi julgado por um tribunal de políticos, foi julgado pela Justiça." Daneluz defendeu que seja condenado e preso qualquer um que cometer crime. Sobre a questão do tríplex do Guarujá (SP), motivo da condenação de Lula, disse que é apenas a ponta do iceberg e que vem muito mais coisas de Lula e "de tantos outros corruptos do Brasil". 

E disparou quanto ao nome "Pepe de Lula Vargas":

—Acho que foi a coisa mais ridícula que eu já vi nos últimos tempos na questão política do nosso país. Uma pessoa extremamente respeitada, ex-prefeito de Caxias do Sul, que muitos anos esteve aqui como vereador, como prefeito respeitadíssimo, prestar-se a um papel desses de colocar o nome de um corrupto em meio ao seu nome como parlamentar... Essa é uma questão que expõe ao ridículo a pessoa respeitadíssima que é o senhor Pepe Vargas — afirmou Daneluz.

Disse que as bandeiras do PDT no ato pró-Lula foram manifestações isoladas, que não refletem o pensamento da bancada na Câmara, nem do presidente do partido na cidade. Sobre as bandeiras, o líder da bancada do PDT, Rafael Bueno, disse que não havia anuência do diretório municipal. Chamou a mudança de nome de aberração.

Revide

Rodrigo Beltrão (PT) revidou, dizendo que cada um tem seu partido para cuidar. Ele elogiou o que chamou de "prática exemplar do PDT, que em 2016 não titubeou e votou em favor da democracia" (referindo-se ao impeachment de Dilma Rousseff, PT). Beltrão citou o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, que disse: "Li três vezes a sentença e não encontrei nada que justifique a condenação do Lula".

— No momento de acirramento político que nós estamos vivendo, não existe neutralidade, não existe nenhum campo confortável onde as pessoas possam ficar apontando o dedo, se dizendo totalmente corretos e condenando outros. Aqui todo mundo tem partido, partidos que participam de governo, partidos que têm ônus e têm bônus. No caso do PDT, é um partido que esteve junto com o presidente Lula, esteve junto com a presidenta Dilma, esteve junto com o governador Tarso (Genro) e esteve junto com o prefeito Pepe Vargas — ressaltou o petista.

Vereador Rodrigo Beltrão (PT)
"É uma forma simbólica de mostrar que podem prender fisicamente um homem, mas não suas ideias", defendeu BeltrãoFoto: Matheus Teodoro / Divulgação

Beltrão acrescentou que esperava uma reação preconceituosa, totalitária, de algum partido ou de algum membro que agora tem feito eco ao fascismo, recepcionado o (Jair) Bolsonaro, defendido um programa de ódio político, de acirramento, de exclusão, de misoginia, mas não de um partido com um legado popular como o PDT.  Sobre o uso do nome Lula, Beltrão justificou que "é uma forma simbólica de demonstrar que os algozes desta nação podem prender fisicamente um homem, mas não podem prender suas ideias".

Denise Pessôa (PT) cobrou que Daneluz e Alceu mostrem as provas do crime cometido por Lula.

— Ninguém acha essas provas concretas. Então, de repente, eles apresentando podem ganhar o mundo do sucesso para as suas carreiras políticas — disse ela.

Nunes brinca: "Guerra Bolsonaro"

— Se alguns mudaram o nome, eu também posso mudar. Daqui a pouco eu gostaria de ser chamado Renato Guerra Bolsonaro Nunes — disse o vereador Renato Nunes (PR), sem perder a chance, em tom descontraído, em referência ao prefeito Daniel Guerra e ao presidenciável Jair Bolsonaro. 

Ele criticou o fanatismo. Disse que os petistas ainda chamam Lula de presidente, embora seja ex.

— Hoje ele é presidiário, ele não é presidente. Está preso. Foi condenado, está preso. Não é mais presidente. É presidiário a palavra certa.

O vereador do PR criticou ainda o fato de Lula ser comparado a Nelson Mandela e a Martin Luther King.

— Vamos se respeitar. Aí passou da conta — disse.


 
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