"O comandante geral serei eu", diz candidato ao Piratini - Política - Pioneiro

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Entrevista de segunda02/04/2018 | 08h00Atualizada em 02/04/2018 | 08h06

"O comandante geral serei eu", diz candidato ao Piratini

Deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP)  fala sobre seus projetos para o RS e sobre o envolvimento de políticos do partido na Lava-Jato

"O comandante geral serei eu", diz candidato ao Piratini André Feltes/Especial
Foto: André Feltes / Especial

Escolhido pré-candidato a governador do Rio Grande do Sul pelo PP, o deputado federal Luis Carlos Heinze terá, entre suas bandeiras, a segurança e a recuperação financeira do Estado. Conhecido por sua luta pelo setor primário, também defenderá a valorização da produção agrícola gaúcha. Nesta entrevista, Heinze fala sobre suas ideias para o RS e também comenta temas delicados, como o envolvimento de políticos do PP na Lava-Jato. Confira. 

Pioneiro: Qual o principal problema do RS?

Luis Carlos Heinze: Temos alguns temas cruciais que a gente está trabalhando para tentar acertar. Um deles é a segurança. É um clamor, não só das grandes cidades, mas também das pequenas. Vamos focar muito forte. Depois, a questão das contas do Estado, como enfrentar essa situação onde hoje o déficit da previdência e os juros que o Estado está pagando consomem  praticamente metade do que o Estado arrecada. E como gerar desenvolvimento no Estado através das cadeias (produtivas) que existem hoje, do polo metalmecânico em Caxias, do polo moveleiro em Bento Gonçalves, em Novo Hamburgo e região o polo calçadista e assim as diferentes situações. Como fazer setores como a agricultura alavancar mais desenvolvimento e gerar mais emprego e não precisar aumentar impostos. 

Quais suas propostas para segurança?

Estou juntando uma equipe em cima do plano de governo. Estou juntando algumas pessoas da Brigada Militar, da Polícia Civil, da Susepe e estrategistas da segurança me dando o norte. Eles vão me passar propostas que dentro de alguns dias vou apresentar ao RS. 


Mas o que o senhor defende na segurança? 

Terei um comandante da BM, um chefe de polícia, alguém que comande a Susepe, vai ter um secretário da área, agora, o comandante geral serei eu. Esses órgãos vão se reportar a mim todas as semanas e vamos conduzir as políticas. Quando fui prefeito de São Borja (de 1993 a 1996), fiz uma ação, um mutirão com a comunidade, oficinas, lojas de peças, até dinheiro eu repassava para a polícia, que não era minha responsabilidade, mas eu entendia que aquilo era importante. Vamos ter que fazer um ato assim no Estado. 

Para a Serra, quais suas propostas? 

Tenho conversando com Maristela Longhi, que é do setor moveleiro, tem demandas que a gente ajuda, tem projetos. Fechamos agora uma lei que eles querem que mantenhamos a desoneração da folha. Preciso ouvir esse segmento das carnes, dos lácteos, do setor metalmecânico, do setor calçadista. Não tenho proposta formatada para isso. Rapidamente, vou ouvir as demandas que a sociedade tem e em cima disso vou me comprometer e trabalhar.

 

Quais suas propostas para o setor vitivinícola? 

Da região da maçã, que vai de Veranópolis a Vacaria, região da uva, forte da Serra, vou juntar com arroz, trigo e leite. Esses cinco produtos sofrem hoje uma concorrência desleal com o Mercosul. Já tenho uma proposta como deputado para juntar esses segmentos e discutir com o governo federal, porque é muito bom o Mercosul para quem exporta. Quem importa, no caso, a uva e o vinho, é prejudicado, principalmente pela Argentina e o Chile. A maçã também é prejudicada pela Argentina. No ano passado, houve perda para os produtores rurais de uva, maçã, leite, trigo e arroz de quase R$ 5 bilhões pelos preços que venderam e pelos preços que poderiam ter vendido. 


Está adequado o uso do relho para resolver diferenças políticas? 

Não sou favorável, inclusive, na nossa convenção até queriam que eu me manifestasse e não me manifestei. Nos chamam de fascistas, mas sempre foi estratégia do PT. Sempre fizeram invadindo propriedade. Quem é? O PT está por trás do MST. Agora, quando alguém fez contra eles, isso é legítimo. Qualquer cidadão, seja produtor rural ou comerciário, as pessoas foram às ruas em cima de um candidato condenado. Ele só não está preso por detalhe. Eu não sou a favor de atirar ovo, pedra. Sou contra. Mas houve uma manifestação legítima de uma parcela da sociedade gaúcha. O que condeno é você utilizar universidade pública para fazer campanha política. Foram fazer campanha dentro de uma universidade pública com as portas fechadas e só entrava quem eles queriam. Estudei na Universidade Federal de Santa Maria e a minha universidade recebeu a caravana do PT. Imagine eu levar os candidatos para fazer campanha para o PP. 


Qual a posição diante da prisão em segunda instância? 

Sou favorável. Eu falei para a (ex-) ministra Ellen Gracie e o que ela me disse? Nenhum país do mundo, uma pessoa condenada em primeira, segunda instância deixa de ser presa. Se aqui não conseguiram convencer o juiz, tchau. Isso vale para mim que sou deputado, para ele (Lula), que foi presidente, para qualquer um. Tem gente do nosso partido beneficiada por isso e eu sou contra. Há projeto e já assinei para manter a prisão em segunda instância. 


O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou quatro políticos do PP réus na Lava-Jato, entre eles, José Otávio Germano. Esse fato prejudica a sua candidatura?

O partido terá que decidir. A instância que vai homologar a minha e qualquer candidatura é a convenção do partido. Se alguém tiver algum problema, será parado. 


Mas se alguém for condenado, mesmo que o senhor não tenha nenhum problema, isso não mancha a sua candidatura ao governo? 

Sim, de uma certa forma, sim. Isso é ruim, prejudica. 


Durante a campanha, seus adversários devem relembrar o vídeo de 2014 em que o senhor diz que índios, gays e quilombolas não prestam. Como o senhor irá lidar com isso?

Vou responder. Aquilo foi distorcido. Se você conhecer a história, saber o assunto, vai ver que quando falei, em Vicente Dutra, dentro de um salão paroquial (RS), não é o negro, não é o índio, não é o gay ou a lésbica, nada, aquilo foi generalizado. Sou contra isso, nada contra o negro, o índio, o gay. Agora, o PT e seus puxadinhos fizeram um cavalo de batalha. O que fizeram comigo naquela ocasião era para que eu não me elegesse. Fizeram uma campanha. Eles distorcem as coisas. Assim eles mataram o (José) Fogaça quando candidato, mataram a Yeda (Crusius) quando candidata, a Ana Amélia (Lemos) quando candidata e vão tentar fazer comigo. Esse processo andou no Supremo e eu fui absolvido.

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