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Mirante09/04/2018 | 09h30Atualizada em 09/04/2018 | 09h30

Lula e PT exploram prisão para uso político

Resta aguardar as eleições para ver se terá o efeito esperado, diante da condenação do ex-presidente por corrupção

Lula e PT exploram prisão para uso político Rovena Rosa,Agência Brasil/Divulgação
Foto: Rovena Rosa,Agência Brasil / Divulgação

Primeiro, o comício. Depois, a prisão. O ex-presidente Lula (PT) explorou o que pôde _ e por um tempo generoso _ a repercussão proporcionada por sua prisão. A estratégia foi montar um espetáculo político-eleitoral no sábado, usando como motivação uma missa na data em que a falecida ex-primeira-dama Marisa Letícia faria aniversário. O discurso que ele fez no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), onde estava entrincheirado desde quinta-feira, foi para a militância. Se vai surtir efeito, é outra história.

A pregação foi no sentido de a esquerda seguir viva e unida. Com o principal líder preso e sem um sucessor natural, a situação do PT é incerta. Não foram à toa as declarações do ex-presidente _ ao seu estilo, sempre adequadas ao momento que ele e o PT estão vivendo. Lula buscou demonstrar que seus sonhos estão enraizados. Procurou injetar ânimo, dizendo que os militantes de esquerda são "milhões de Lulas".

_ Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia misturada com as ideias de vocês _ definiu.

Lula ainda aproveitou para incitar a militância, por meio de seus braços, como MST e CUT:

_ Vocês vão queimar os pneus que tanto querem, as passeatas, as ocupações.Chamou atenção a ênfase dada aos pré-candidatos à Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos, e do PCdoB, Manuela D´Ávila, em posição de destaque no palanque. Quando citou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), apontado como provável plano B para a disputa presidencial, Lula foi econômico.

O desfecho que previa o ex-presidente se entregando não veio com naturalidade. Óbvio. Era preciso mostrar que os apoiadores não queriam deixá-lo ser preso, imagens necessárias para serem usadas na campanha eleitoral, nos braços do "povo".

A prisão aconteceu quase 50 26 horas depois de expedido o mandado e com várias concessões feitas pela Polícia Federal, evitando desdobramentos perigosos. A cena de Lula na PF em Curitiba demonstra a que ponto chegou o país: um ex-presidente da República que obteve altos índices de popularidade, é pré-candidato e lidera as pesquisas eleitorais, ídolo das massas, preso por corrupção e lavagem de dinheiro. 

 
 
 

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