Artigo: as mil mortes da filosofia, por Aquillino Dalla Santa Neto - Política - Pioneiro

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Opinião30/04/2018 | 07h01Atualizada em 30/04/2018 | 07h01

Artigo: as mil mortes da filosofia, por Aquillino Dalla Santa Neto

Autor é professor de filosofia

Artigo: as mil mortes da filosofia, por Aquillino Dalla Santa Neto reprodução/
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Na Grécia de 440 A.C., a filosofia já havia gerado uma demanda por habilidades intelectuais, resultando no surgimento dos sofistas, isto é, filósofos que cobravam para ensinar àqueles que desejavam se destacar por meio da retórica.

Pela primeira vez na história, a filosofia, se podemos chamá-la assim nesse caso, torna-se um ofício remunerado, e não apenas uma atividade intelectual reservada aos pensadores que se dedicavam às produções dos tratados e conceitos filosóficos. Todavia, o compromisso pela manutenção da autenticidade, busca da verdade e excelência, fizeram com que a filosofia travasse uma constante luta através dos séculos para instituir o pensamento científico-filosófico, dando origem às áreas da estética, cosmologia, biologia, metafísica, ética, e outras que, inegavelmente, auxiliaram a humanidade chegar aonde chegou.

Já no Brasil, a partir de 1964, quando a filosofia foi perseguida pela ditadura militar por instigar o senso crítico do indivíduo e, inexplicavelmente, desvalorizada nos 30 anos de redemocratização, agora é simplesmente descartada dos currículos escolares pelos critérios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cuja visão tecnocrática, insensível e limitada, se manifesta numa fase inoportuna. Ou seja: justamente quando o país ocupa as últimas posições no ranking mundial de educação. 

Mas qual a relação da filosofia com a qualidade da educação? Bem, para quem não sabe ou finge que não sabia, o objetivo da filosofia sempre foi o de complementar o ensino-aprendizagem a partir do instante em que desperta de forma sutil e eficaz a sensibilidade crítica, proporcionando um entendimento e, consequentemente, um  questionamento de qualidade sobre os temas científicos, políticos, históricos e sociais.

Por isso, enganam-se aqueles que pensam que tais competências e habilidades não são vitais nos dias atuais, considerando que, devido às distrações existentes numa era virtual, o estudante não consegue mais se concentrar e aprender por explicação, e sim, por provocação. Método que, coincidentemente, também foi desenvolvido pela filosofia.  

Contudo, ainda poderá existir o dia em que a sociedade terá que pagar um preço, quando sentir na pele os efeitos negativos decorrentes da ausência de um estudo que auxiliava o estudante a pensar, discernir e questionar sobre uma realidade social, cuja inexistência de ética e valores estão cada vez mais em evidência. 

Portanto, conceder à classe estudantil a decisão do que e como devem estudar num país onde 90% dos estudantes saem do nível médio sem saber matemática e português, além de absurdo, chega ser criminoso. 

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