Após 20 horas, prefeito de Caxias do Sul assina carta à população em tom de cautela - Política - Pioneiro

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Impeachment18/04/2018 | 09h30Atualizada em 18/04/2018 | 09h30

Após 20 horas, prefeito de Caxias do Sul assina carta à população em tom de cautela

Texto assinado por Daniel Guerra (PRB) ressaltou maturidade da Câmara de Vereadores com a democracia

Após 20 horas, prefeito de Caxias do Sul assina carta à população em tom de cautela Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Demorou mais de 20 horas a primeira manifestação do prefeito de Caxias do Sul, Daniel Guerra (PRB),após a absolvição no processo de impeachment contra ele ser anunciada na noite de segunda-feira pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Alberto Meneguzzi (PSB). A manifestação deu-se por meio de uma nota oficial.

A nota chegou a ser prometida para a manhã seguinte à votação, mas a chamada Carta à População de Caxias do Sul foi enviada somente no início da noite de ontem. Como em outros momentos durante o processo de impeachment, o prefeito resolveu comentar o tema por meio de um texto e isolar o governo de questionamentos da imprensa. Nos bastidores, a preocupação era tanta que a redação da nota oficial de 12 linhas foi feita dentro do gabinete do prefeito, sem a participação da assessoria de comunicação.

Nem mesmo, o chefe de Gabinete, Júlio César Freitas da Rosa (PRB), integrante do núcleo político da administração, foi autorizado pela assessoria a comentar sobre o resultado que manteve Guerra no cargo e sobre como será a condução da administração municipal após a votação. Com votos de pelo menos seis vereadores a favor do impeachment em alguns dos tópicos da denúncia, ficou um recado de alerta ao prefeito, reforçando a dificuldade de diálogo. A reportagem fez contato com Júlio César e ele disse que respeitaria a decisão adotada, de não se manifestar. 

Cautela. Esse foi o tom da nota assinada por Guerra (abaixo), que evitou a soberba da vitória ou o desdém pela situação vivida. Na Carta à População, o prefeito tratou o dia anterior como “dia histórico para o povo de Caxias do Sul” e ressaltou a maturidade da Câmara de Vereadores com a democracia.

No texto, Guerra repetiu temas que trata rotineiramente, como o governo que respeita a legalidade, a certeza do resultado pela improcedência da denúncia e que o impeachment é provocado por um grupo que não aceita a derrota eleitoral. Por fim, o prefeito agradeceu o apoio dos caxienses e voltou a garantir que a atenção do seu governo está voltada para as pessoas que necessitam de atenção.

Situação

A sessão de julgamento do impeachment de Guerra revelou o comportamento distinto de cada um dos vereadores das bancadas dos três integrantes da Comissão Processante – Edson da Rosa (PMDB), Edio Elói Frizzo (PSB) e Velocino Uez (PDT) – que assinaram relatório pela improcedência dos sete tópicos da denúncia.

Os outros três vereadores da bancada, Felipe Gremelmaier, Gladis Frizzo e Paulo Périco, votaram em algum momento a favor do impeachment, não acompanhando inteiramente Edson da Rosa. Gremelmaier votou uma vez contra a decisão da comissão. Já Gládis e Périco votaram pelo impeachment do prefeito em três tópicos. Périco, que também preside o PMDB caxiense, havia dito que o partido não seria leviano em anunciar uma decisão antes da elaboração do relatório. Deixou para constranger Edson no dia da votação.

Teve um comportamento diferente do esperado. A bancada deixou o vereador Rafael Bueno sozinho. Sem os votos necessários para derrubar Guerra, os outros dois vereadores, Gustavo Toigo e Ricardo Daneluz, preferiram evitar o desgaste com seus eleitores e acompanharam o parecer da comissão, que teve o pedetista Velocino Uez como revisor.

A única bancada de um integrante da Comissão Processante que garantiu unanimidade pela improcedência da denúncia e acompanhou inteira o conteúdo do relatório foi o PSB. Os vereadores Alberto Meneguzzi e Edi Carlos votaram com o relator do processo, Edio Elói Frizzo, um dos líderes da oposição no Legislativo. Os dois teriam seguido caminhos próprios, mas com interesses distintos. Meneguzzi tinha dúvidas sobre a terceirização do Pronto-Atendimento 24 Horas, mas o relatório concluiu que o assunto precisa de maior aprofundamento. O voto de Edi Carlos não causou surpresa. As últimas manifestações dele são de elogios a Guerra.

CARTA À POPULAÇÃO DE CAXIAS 

“Dia histórico para o povo de Caxias do Sul. A Câmara de Vereadores demonstrou, mais uma vez, maturidade com a democracia, respeitando o voto de 148 mil caxienses.
Este governo tem como marca trabalhar sempre respeitando a legalidade. Não tínhamos dúvidas quanto ao resultado da improcedência da denúncia, considerando que a mesma foi construída sem qualquer comprovação do que alegava.
Agradecemos o apoio de milhares de caxienses que se manifestaram externando a sua solidariedade contra esse injusto e descabido processo, arquitetado por uma minoria, com objetivos obscuros, que não aceita a decisão do processo eleitoral ocorrido e tem como único objetivo gerar transtornos às instituições e prejuízos à imagem da cidade, num constante e cansativo olhar para o retrovisor.
Manteremos sempre a nossa maior atenção voltada para aqueles que realmente necessitam de atenção, que é o povo de Caxias do Sul. Obrigado!”
Daniel Guerra, prefeito de Caxias do Sul


 
 
 

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