Vereadores saem da retranca sobre impeachment de prefeito de Caxias do Sul - Política - Pioneiro
 

Legislativo27/03/2018 | 20h41Atualizada em 28/03/2018 | 08h52

Vereadores saem da retranca sobre impeachment de prefeito de Caxias do Sul

Com fim de oitivas, parlamentares trocaram manifestações sobre denúncia pela cassação do mandato de Daniel Guerra 

Vereadores saem da retranca sobre impeachment de prefeito de Caxias do Sul Franciele Masochi Lorenzett/Divulgação
Presidente da Comissão Processante, vereador Edson da Rosa (PMDB) detalhou trabalho e introduziu assunto ao debate Foto: Franciele Masochi Lorenzett / Divulgação

A denúncia de impeachment do prefeito de Caxias do Sul dominou as discussões na sessão da Câmara de Vereadores na manhã de ontem. Pela primeira vez desde a sessão de admissibilidade do processo em 12 de dezembro do ano passado, o assunto foi discutido publicamente em plenário e concentrou declarações contundentes. Entre as manifestações, a vereadora Paula Ioris (PSDB) revelou que ainda não tinha posição a respeito do impeachment e houve enfrentamentos cruzados entre parlamentares.

Leia mais:
Prefeito de Caxias do Sul não comparece ao depoimento na comissão do impeachment
PT de Caxias do Sul divulga nota oficial contra impeachment do prefeito Daniel Guerra

Um deles produziu áspera discussão nas manifestações dos vereadores Paulo Périco (PMDB) e Rodrigo Beltrão (PT). Em aparte ao vereador Edson da Rosa (PMDB), presidente da Comissão Processante, que puxou o assunto ao relatar os trabalhos da instrução do processo, Périco, que também preside o diretório municipal do PMDB, afirmou que a sigla não seria leviana em anunciar uma decisão sobre a votação do impeachment de Guerra antes da conclusão do trabalho da Comissão Processante, presidida pelo colega de bancada.

– Nosso partido jamais constrangeria vossa excelência por ser presidente da comissão e componente do PMDB até o momento em que o relator, vereador Elói Frizzo apresentar o seu relatório.

Beltrão entendeu a declaração de Périco como uma indireta aos partidos que já se manifestaram contrários ao impeachment. Na semana passada, o diretório municipal do PT anunciou que é contra o impeachment de Guerra, e a decisão deu início às manifestações partidárias que devem sepultar a cassação do mandato do prefeito. Beltrão disse ainda que a decisão petista teve reações contrárias da população e de integrantes da Câmara.

– Tenho o maior respeito por vossa excelência (vereador Paulo Périco), mas o seu partido não tem moral política para falar em leviano. O seu partido provocou o maior golpe político da história do país (se referindo ao impeachment da presidente Dilma Rousseff).

Beltrão defendeu o direito de manifestação dos partidos políticos porque são cobrados para ter opinião e cobrou que a mesma crítica às siglas seja feita à Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (CIC).

– Quando eles (empresários) se manifestam, é bonito. Aí partido político que tem essa missão de ter opinião é leviandade.

A vereadora Paula  lamentou a ausência do ex-procurador Leonardo da Rocha de Souza e do prefeito Daniel Guerra na fase dos depoimentos, encerrada na segunda-feira.

– Durante as oitivas, muitas coisas foram colocadas como de responsabilidade da PGM (Procuradoria Geral do Município). Eu queria muito ouvir o representante da PGM.

Paula também lembrou que a defesa de Guerra pediu para que ele fosse ouvido após os depoimentos das testemunhas. Segundo ela, a ausência do prefeito é um desrespeito com a Câmara.

– A transparência e a humildade são condições primordiais na condução de uma cidade. Seria também um respeito a essa Casa. Achei realmente lamentável que ele (Daniel Guerra) não tenha vindo. A gente conhece as pessoas através das atitudes.

Os vereadores Renato Nunes (PR) e o relator da comissão, Edio Elói Frizzo (PSB) também debateram sobre a denúncia de impedimento. Para Nunes, a comissão cometeu um erro ao marcar o depoimento do denunciado (prefeito) antes das testemunhas.

– Qualquer processo, nós sabemos do princípio da ampla defesa, que o acusado é sempre o último a falar.

Frizzo disse que a Comissão Processante atendeu a orientação da DPM (Delegações de Prefeituras Municipais) para que Guerra fosse ouvido primeiro.

– Eu não tenho nada pessoal contra o prefeito. Temos divergências políticas como a grande maioria dos vereadores desta Casa tem divergência política.

Foto: Arte Pioneiro

Leia também:
Randon inaugura sua quinta unidade em Araraquara (SP)
Deputados de Caxias têm posições divergentes sobre elogios de Ana Amélia aos atos contra caravana de Lula
Exame da causa da morte de Naiara vai definir por quais crimes autor confesso será indiciado

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros