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Luto22/03/2018 | 16h35Atualizada em 22/03/2018 | 18h17

Morte de Naiara repercute na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Parlamentares fizeram um minuto de silêncio durante a sessão desta quinta

Morte de Naiara repercute na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul Franciele Masochi Lorenzett/Divulgação
Vereadores durante a sessão desta quinta-feira Foto: Franciele Masochi Lorenzett / Divulgação

A morte da menina Naiara Soares Gomes, sete anos, tomou os discursos dos vereadores na sessão da Câmara de Caxias do Sul desta quinta-feira. Vários parlamentares se manifestaram lamentando o assassinato da criança. Um minuto de silêncio foi feito em sua homenagem. Naiara estava desaparecida desde o dia 9 e seu corpo foi encontrado na tarde desta quarta-feira. 

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Paula Ioris (PSDB), que perdeu o filho Germano, assassinado em 2012, foi uma das vereadoras a ocupar a tribuna para comentar a morte de Naiara. Ela defendeu o fim da progressão de pena para crimes hediondos.

—  Se a pessoa for condenada há 30 anos, ela tem que cumprir 30 anos. Se ela souber que ela vai cumprir 30 anos, ela pode evitar de fazer o crime. Pode ser um limite. Se isso for limite para ela é porque ela tem a condição de refletir e pensar — discursou. 

O vereador Flavio Cassina (PTB) também defendeu o fim da progressão de pena. Já Kiko Girardi (PSD) mostrou-se favoravel à pena de morte para crimes como o praticado contra Naiara. 

A vereadora Denise Pessôa (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, também ocupou a tribuna para lamentar a morte da menina e esclarecer que a comissão não está envolvida na defesa do homem que confessou o estupro e o assassinato de Naiara. 

>> Veja trechos dos discursos dos vereadores na manhã desta quinta: 

"A questão é que a nossa sociedade está doente. E o que nós vamos fazer, nós aqui no nosso pequeno mundo? Pouca coisa. Temos legislações, não as mais ideais. Outro dia eu falei aqui a única pessoa que eu conheci que ficou presa 30 anos foi o bandido da luz vermelha, que a maioria não conhece, não sabe quem foi. Cumpriu 30 anos de pena. Hoje existe uma coisa chamada progressão da pena. O indivíduo, por pior que seja, fica preso meia dúzia de anos e depois está aí progressão da pena. Então, as nossas leis são brandas. Não estou defendendo pena de morte, nem prisão perpétua, mas também o atual status quo vigente não é o ideal. Então, a nossa solidariedade a essa família que já vem tendo problemas de desestruturação. Uma coisa  que escapa do nosso controle. Então realmente nós temos que ficar chocados com esses acontecimentos. Reincidência desse cidadão. Tem cura um elemento desses?" Flavio Casssina (PTB)

"E (temos), ao mesmo tempo, cobrar da sociedade como um todo, porque nós estamos sendo extremamente tolerantes com o descuido com as nossas crianças e nossos jovens. Falávamos no Carnaval isso. Nós temos o exemplo aqui da Os Dezoito do Forte com a Coronel Flores, onde, nas sextas e sábados, à noite, ali, meninas, meninos de 10, 12 anos bebendo e se drogando, e a sociedade parece: "Ah, não é com os meus, eu não me importo." Nós temos que nos importar. E temos que cobrar do Juizado da Infância e da Juventude, do Ministério Público, de todos os segmentos de autoridade que tem responsabilidade, mas nós também, enquanto pais, enquanto mães, saber onde estão nossas crianças, onde estão nossos jovens. Eles estão aí. Então, esse triste episódio, que corta o coração de todos nós, que nos leve à reflexão. E desse monstro que cometeu esse crime, muito mais do que nutrir o ódio para ele, nós temos que nutrir a compaixão. Porque a justiça dos homens pode ser falha [...], mas a justiça divina não falha." Adiló Didomenico (PTB)

"Às vezes, a gente comenta que as leis do Brasil são frouxas, se colocar mais rigor vai morrer inocente, mas inocente está morrendo toda hora, meu Deus do céu. E bandido que não morre? O bandido vai lá para ser sustentado por nós ainda. Então, nós temos que repensar a pena de morte. É uma palavra tão forte, mas não tem como falar outra coisa." Kiko Girardi (PSD) 

"Temos que fazer barulho para não permitir que nós aqui façamos outros minutos de silêncio. É o barulho que nós temos que fazer não somente nas redes, mas nas ruas e barulho diário. Nós não podemos dizer que a Naiara foi a última. A Naiara talvez seja mais uma das estatísticas aqui em Caxias e no Brasil. Por isso, cada um e cada uma que nos assiste (pela TV Câmara e internet) disque 100. Disque 100 para qualquer caso de omissão por parte da família que não denuncia um abuso ou uma violência doméstica para as nossas crianças e adolescentes." Rafael Bueno (PDT)

"Acho que o Estado não pode responder a uma violência com mais violência. O que nós temos que ter sim é uma punição exemplar, uma condenação de acordo com aquilo que foi cometido. Isso o Estado precisa ser eficiente. Mas mais do que tudo, nós precisamos justamente dar atenção, carinho, afeto, cuidados com as nossas crianças, que estão no dia a dia andando pelas estradas de Caxias rumo à catequese, as escolas, aos seus parentes. Nós precisamos estar realmente muito atentos ao que está acontecendo no nosso município. Então, entendo que a polícia fez um trabalho, deve concluir esse trabalho e logo, logo, precisa levar isso para que a justiça seja feita." Gustavo Toigo (PDT)

"Em muitas situações, a gente, inclusive, fica na defensiva, porque fica numa situação muitas vezes constrangedora, porque a direita fascista deste país e algumas pessoas irresponsáveis cunharam essa frase famosa que direitos humanos é defender bandido. Mas desde quando direitos humanos é defender bandido? Direitos Humanos são duas palavras mais lindas, provavelmente da Língua Portuguesa. Quem de nós não está nesta Casa aqui, exatamente, tendo como princípio fundamental da sua ação a defesa dos direitos humanos? O processo civilizatório pressupõe exatamente isso. O tratamento igual entre as pessoas, o reconhecimento entre as pessoas." Elói Frizzo (PSB)

"Pena de morte não! Talvez, prisão perpétua, sim, talvez sim, talvez seja o caminho. Agora, pena de morte não. Fazer justiça com as próprias mãos, não! Porque aí o que vai me diferenciar dessas criaturas, vereador Kiko? Eu vou me tornar como ele. Eu vou combater o mal com o mal. "Matou, eu também mato." Não, não é assim. Desculpa, quem sou para lhe ensinar ou ensinar alguém. Não sou nada. Mas nós temos que combater o mal com o bem. Nós temos que combater a injustiça fazendo justiça. Eu sei que é difícil, eu sei que cada um aqui tem a sua fé, o seu credo religioso. Eu não estou aqui dando uma de pastor, não quero misturar as coisas. Mas a verdade... A minha fé, eu tenho a fé, eu creio na palavra de Deus, eu creio em Jesus Cristo como senhor, meu salvador, meu único e suficiente salvador." Renato Nunes (PR) 

"Justiça é diferente de vingança. Justiça é responsabilidade. E os adultos, nós, adultos, precisamos ter responsabilidade em todos os papeis que a gente desempenha. O papel de vereador, o papel de pai, o papel de mãe, o papel de professor, o papel de político, o papel de guarda de trânsito. Todos precisamos fazer muito bem o nosso papel. É dessa forma que a gente constrói uma sociedade diferente fazendo coisas de verdade. Coisas com responsabilidade. Não fazendo se isso vai dar voto ou não vai dar voto. Vamos refletir sobre tudo isso. Justiça são leis fortes. São leis efetivas, porque a punição é pedagógica. Eu sou contra a progressão de pena para crimes hediondos, porque isso também é pedagógico. Se a pessoa for condenada há 30 anos, ela tem que cumprir 30 anos. Se ela souber que ela vai cumprir 30 anos, ela pode evitar de fazer o crime. Pode ser um limite. Se isso for limite para ela é porque ela tem a condição de refletir e pensar." Paula Ioris (PSDB)

"Infelizmente, por causa das nossas leis brandas, muito fracas, acontece isso. Temos que endurecer, sim, essas leis para que isso não aconteça mais em nossa cidade. Acredito que cada um de nós, vereadores, a população caxiense se empenhou, fez a sua parte na colaboração também. A gente agradece à própria polícia, que se empenhou. E nós da bancada Progressista, queremos nos associar juntos, muito triste nesse dia, e queremos pedir que Deus console essa família, porque acredito que não é fácil, sei que não é fácil e dói em nós também." Arlindo Bandeira (PP)

"Eu quero dizer que o que aconteceu com a Naiara acontece muitas vezes num dia em todo nosso país. Dizer que o que aconteceu com a Naiara, nós também somos responsáveis, senhor presidente, e eu estou muito entristecida, eu sei que Caxias do Sul está entristecida, porém, como nós vamos agir no dia de amanhã? Hoje nós estamos tristes, mas amanhã nós vamos fazer alguma coisa?" Gládis Frizzo (PMDB)

"Mas (esse episódio) tem que servir para que nós tenhamos uma ação diferente. O maior problema disso tudo, e nesse momento eu acho que muitas bobagens se diz, não ajudam, só atrapalham. As coisas que as pessoas falam sem o menor conhecimento. No mínimo, a morte dessa menina, tem que servir para isso. Nós não aprendemos com a Ana Clara, vereador-presidente. Nós não aprendemos. Então, a Câmara é hoje o sentimento, tenho certeza, aqui da sociedade. Mas o que nós queremos mesmo é que não sejam abreviadas vidas que nem dessa menina foi." Edson da Rosa (PMDB)

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