"Me dedico ao projeto RS Resiliente", diz deputado estadual - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª05/03/2018 | 10h00Atualizada em 06/03/2018 | 09h41

"Me dedico ao projeto RS Resiliente", diz deputado estadual

Deputado João Reinelli (PV) apoia governo Sartori

"Me dedico ao projeto RS Resiliente", diz deputado estadual Juarez Junior/Agência ALRS
Foto: Juarez Junior / Agência ALRS

Eleito com 9.098 votos na eleição de 2014, o deputado estadual João Reinelli, do PV, conversou com o Pioneiro na sexta-feira, por telefone. Na entrevista, ele defendeu ações do governo José Ivo Sartori (PMDB).

Natural de Nova Prata, Reinelli ainda avaliou seu primeiro mandato e diz que pretende concorrer à reeleição, mas revela que está analisando a possibilidade de deixar o PV.

Pioneiro: O senhor foi o deputado eleito com menos votos. Percebeu algum preconceito dos demais colegas?
João Reinelli:
Num primeiro momento sim, não só pelos colegas, mas pela imprensa, que fazia citações de que teria me elegido com número de votos de um vereador de Porto Alegre. Sou de Nova Prata, o colégio eleitoral (na cidade) é de 15 mil eleitores e fiz 45% dos votos.

Quais as dificuldades em exercer um mandato por um partido que nunca havia feito bancada na Assembleia?
Quando a gente é deputado único de uma bancada, só por esse fato já tem o número de cargos de bancada menor do que partidos com vários deputados. Além disso, não se tem com quem discutir os projetos e isso traz uma responsabilidade maior. Também ocorrem atritos com o partido porque tu discorda e não tem o balanço entre vários votos, várias opiniões.

Teve muitos atritos com o seu partido?
É claro que sim, e noto também outros partidos com bancada de um deputado, eles também têm essa dificuldade de diferenciar o que é opinião pessoal e opinião do partido.

Como avalia seu primeiro mandato?
Minha avaliação será sempre tendenciosa, mas avalio de maneira positiva. Tentei fazer o meu melhor. Muitas vezes, a inexperiência faz com que a gente veja que poderia ter sido mais eficiente, mais efetivo, masa gente vai entendendo os mecanismos, e as coisas se tornam um pouco mais fáceis. Tive que aprender a viver com outras autoridades muito distintas do que eu vivenciava. Sou médico de Estratégia de Saúde da Família e tinha uma relação muito próxima com meus pacientes, pessoas mais simples.

O senhor vai concorrer à reeleição?
Pretendo sim. Porque tenho uma cobrança do meu grupo político que acredita que seria um pouco de covardia minha não colocar meu nome à disposição. Tenho a consciência de que aquela realidade (eleição de 2014) não se repetirá e vai me trazer uma dificuldade muito maior. Para mim, seria muito cômodo sair da política sem me colocar à prova mais uma vez, mas, ao mesmo tempo, pareceria muito covarde. Também acredito que devo colocar o nome à disposição para ter um feedback se trabalhei de maneira adequada ou não.

E a disputa será também pelo PV?
Agora existe uma janela até o final de março para poder migrar. Isso abre a possibilidade de avaliar alguns convites. Estou nesse processo de avaliação para ver onde teria melhor condição de uma eventual reeleição. Não tenho essa resposta ainda.

Qual foi o foco do seu mandato?
Me dediquei, não foi aprovado, e ainda me dedico ao projeto Rio Grande Resiliente, que trata sobre que todas as cidades do Rio Grande do Sul tenham onde fazer seus projetos de resiliência (o projeto busca criar estratégias para que as cidades tenham projetos para combater seus principais problemas, como crises econômicas e desastres climáticos). Estou apresentando à sociedade até para receber sugestões, mas deve ser protocolado no mês de março ainda e pretendo ver aprovado até o final do mandato.

O governo Sartori acertou ao tomar a decisão de propor a extinção da Fundação Zoobotânica e a privatização do Jardim Zoológico?
O Jardim Zoológico é patrimônio do Estado. Quando da extinção da Fundação, ele ficou preservado, da mesma forma que o Jardim Botânico, mas não tenho como avaliar se foi um acerto ou erro até porque é uma realidade do Estado que a gente está tentando solucionar e que não vai ser o governador Sartori que vai solucionar. Vai precisar nos próximos quatro anos de alguém com tanta responsabilidade quanto o governador Sartori teve durante o seu mandato. A avaliação será das pessoas no futuro, mas eu não vejo muitas formas de lidar com a crise, além dessa com a extinção de algumas fundações. Ainda hoje, os funcionários das fundações recebem (salário) – porque ainda não foram extintas – antes dos funcionários do Executivo e não recebem parcelado.

Quais são os principais passivos ambientais no Estado e da região?
Toda a atividade comercial vai ter passivo ambiental. O que precisamos ver é o que fazer com esse passivo e dar um tratamento adequado. Por exemplo, a casca do arroz causa assoreamentos de rios. Um enfrentamento a isso é uma usina termoelétrica para queimar a casca do arroz que está sendo construída no Estado. A gente precisa usar um produto que temos no Rio Grande do Sul, que é o carvão de maneira limpa, como fazem no Japão, como alternativa que não emite fuligem, apenas vapor d’água e CO2. Pode ser uma alternativa econômica para o Rio Grande do Sul, visto que a maior reserva do país está enterrada aqui. A atual secretária do Ambiente Sustentável, Ana Pellini, fez um excelente trabalho, não fez flexibilização de lei e, mesmo assim, hoje consegue entregar licenças de instalação e de funcionamento com prazo muito menor do que até pouco tempo atrás.

O senhor atuou na base do governo Sartori?
Eu votei a maioria dos temas, se não a sua totalidade, junto com a base do governo Sartori.

Qual sua posição sobre o regime de recuperação fiscal e as privatizações?
Votei favorável ao regime de negociação da dívida. Acho que isso é um compromisso meu com meus eleitores, de fazer com que o Estado não entre em um espiral negativo e busque sair do buraco. Discordo que a gente assinou um cheque em branco, que é o discurso da oposição. Acredito que era a única forma de ter estabilidade.

Qual a principal demanda da região a ser atendida pelos governos?
Imagino que a principal demanda é a infraestrutura. Segurança, educação e saúde também é infraestrutura. A BR-470 é uma realidade completamente distinta da de 2014, e hoje é uma estrada de excelente qualidade, o trevo da Telasul (no entroncamento com a RSC-453) também está funcionando muito bem.

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