"A cassação não vai acontecer", diz, confiante, líder do governo na Câmara de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª19/03/2018 | 05h20Atualizada em 19/03/2018 | 06h50

"A cassação não vai acontecer", diz, confiante, líder do governo na Câmara de Caxias do Sul

Para vereador Chico Guerra, denúncia contra prefeito é vergonhosa

"A cassação não vai acontecer", diz, confiante, líder do governo na Câmara de Caxias do Sul André Tajes/Agência RBS
Foto: André Tajes / Agência RBS

O vereador Chico Guerra (PRB), líder do governo na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, se dedica desde o início do ano a esclarecer aos colegas sobre a denúncia de impeachment do prefeito Daniel Guerra (PRB) que está sendo analisada pela Comissão Processante. Segundo ele, ao final das oitivas os “muitos” vereadores devem anunciar seus votos. Ele contabiliza 20 votos pelo arquivamento da denúncia, ou seja, 20 votos contra a cassação. Confira a entrevista.

Pioneiro: Qual o seu trabalho mais relevante neste ano?
Chico Guerra:
Meu foco está voltado para o processo de impeachment. Mesmo assim, consigo atender pessoas no gabinete e, em número menor, visitas aos bairros. Praticamente estacionei os projetos neste período.

Qual a sua função no processo de impeachment?
Muitos colegas vêm conversar comigo no intuito de entender as coisas. Cabe a mim explicar e deixar bem mastigado o porquê de cada ponto (tópico da denúncia). É importante deixar bem explicado para que no momento da votação ninguém cometa erro e saiba do assunto que está votando. Quanto mais mastigados estiverem os itens do impeachment, mais fácil para definir o voto.

O senhor acompanhou todas as oitivas? Qual sua opinião sobre elas?
Não acompanhei a oitiva do secretário (de Governo) Luiz Caetano e do chefe de Gabinete (Júlio César Freitas da Rosa). As outras três acompanhei. Eu li a defesa (prévia do prefeito Daniel Guerra), só que ouvir da boca de um secretário é melhor porque a defesa é muito técnica e quando se ouve a fala, é mais resumida e vai direto no assunto. A sensação que tive é que os pontos não se justificam para estarem em uma denúncia. Os pontos da denúncia são vergonhosos. Estão brincando com uma ferramenta da democracia tão delicada. É um processo que desgasta os vereadores e muito mais a Comissão Processante. A gente vê no semblante deles o desgaste que estão tendo. Felizmente, foram eles os sorteados, não eu.

A Câmara vai cassar o mandato do prefeito?
Com o contato e o feedback dos colegas dá para sentir que a cassação não vai acontecer. Acredito que vamos ter  grande  votação contra o processo. É capaz de ter 20 votos contra a cassação ou 20 votos pelo arquivamento. Depois das oitivas muitos vereadores devem oficializar seus votos. 

É difícil defender o governo na Câmara? Como é ter apenas quatro vereadores que defendem o governo contra 19 na oposição?
Seria mais fácil se tivéssemos todos os vereadores capacitados e responsáveis. Muitas sessões acabam virando um circo. Às vezes, um fato não é verdade, mas, por serem oposição ferrenha, distorcem. Em razão disso, as sessões beiram a criancice. Quanto a minha função de defender o governo, não vejo pesada porque sei que ele (prefeito) está fazendo tudo dentro da legalidade. Eles já fizeram mais de 150 pedidos de informações para o governo e muitos são para travar a administração e deixar o Executivo mais pesado. 

Por que o senhor mantém a decisão de raramente responder às críticas da oposição?
É como briga de casal. Se um fecha a boca não tem discussão. Quando trazem um assunto relevante para a cidade, tem debate. Quando é para agredir, macular a imagem de uma pessoa, eu evito entrar (na discussão). 

A oposição contribui com o governo Guerra?
A oposição responsável, na sua grande maioria, sim. A oposição somente para denegrir, só prejudica. A oposição que busca nos bairros os problemas, contribui. Os vereadores Neri (o Carteiro) e (Arlindo) Bandeira veem as necessidades e trazem para o Executivo resolver. Agora, está acontecendo com outros vereadores. Vereadores de oposição me falaram que estão conseguindo mais obras com a nossa gestão do que quando eram da situação. Eu acredito que a oposição tende a diminuir porque estão vendo que essa gestão quer fazer a coisa acontecer.

Como fazer para desmontar o clima de conflito permanente entre vereadores e o governo?
É outra função minha. Quero aproximar os vereadores do Executivo para que a gente possa discutir qualquer projeto, qualquer demanda. 

O governo não cria conflitos desnecessários com diversos setores da sociedade como, por exemplo, o movimento comunitário?
O ano de 2017 tinha a adequação da Lei 3.019 e impactou diretamente no Executivo. Todos os contratos que venciam entre 1º de janeiro a 31 de dezembro (de 2017) tinham de ser executados da forma como diz a lei. Era uma ruptura muito grande para qualquer contrato como Apae, AABB, Amobs. O prefeito não podia abrir exceção e a regra é o cumprimento da lei. Muitos apontamentos no passado não foram cumpridos porque iria dar tumulto. 

Vereador do PR e líder do governo na Câmara de Caxias do Sul, Chico Guerra.
Foto: André Tajes / Agência RBS

O governo não judicializa demais?
Se as pessoas não aceitam verbalmente o que diz a lei é preciso ir à Justiça para que o juiz comande. O vice-prefeito cometeu um erro de fazer a renúncia (...) e a lei deixa brechas. Depois, veio a decisão da Justiça e o prefeito não disse mais que não tinha vice. Agora, as funções dele são outros quinhentos. É igual ao estepe, vai ser usado quando furar o pneu. Ninguém gosta de ir para a Justiça. É um processo moroso, desgasta a imagem. Nenhum político é masoquista.

O senhor pretende seguir na política?
Sempre recusei os convites, mas na hora aceitei concorrer. Acredito que cada um tem uma missão na terra. Acho que quatro anos está bom, não tenho intenção de ser vereador, mas não vou dizer “não serei”, porque talvez a minha missão ainda não acabou. A minha intenção é parar, mas não vou dizer que está definido.

Está satisfeito com sua atuação na Câmara?
É suspeito falar por mim. Teria de falar com os eleitores. Respondendo por mim, com certeza absoluta. Pelo volume de trabalho que tenho, acredito que me deixa satisfeito porque estou conseguindo fazer coisas que planejava. Minha intenção  nunca foi a criação de projetos (de lei), mas, sim, trabalhar com a comunidade porque consigo visitar muitas pessoas nos bairros. Agora, tem casos que não consigo atender porque são em locais irregulares, mas a gente pode ir lá e falar a verdade. Não estou preocupado com a minha imagem para a próxima eleição.

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