"Vamos combater a sonegação", diz Roberto Robaina, pré-candidato ao Piratini pelo PSOL - Política - Pioneiro

Entrevista da 2ª05/02/2018 | 08h55Atualizada em 05/02/2018 | 08h55

"Vamos combater a sonegação", diz Roberto Robaina, pré-candidato ao Piratini pelo PSOL

Vereador de Porto Alegre quer disputar governo do RS pela terceira vez 

"Vamos combater a sonegação", diz Roberto Robaina, pré-candidato ao Piratini pelo PSOL Candace Bauer/CMPA
Foto: Candace Bauer / CMPA

O  vereador de Porto Alegre Roberto Robaina, do PSOL, é pré-candidato ao governo estadual. Ele irá concorrer pela terceira vez ao Piratini.

Robaina quer apresentar aos eleitores um projeto independente e uma nova forma de fazer política. Por telefone, na terça-feira, apresentou alternativas para recuperar as finanças do RS. Confira a entrevista:

Pioneiro: Porque o desejo de concorrer ao Piratini?
Roberto Robaina: O PSOL tem como característica apresentar um projeto político  independente de construção de uma nova forma de fazer política. Um projeto que tenta fazer o contraponto da política tradicional  vinculada com as minorias, com os privilégios, com defesa dos mais ricos, com envolvimentos em esquemas de corrupção que é o método de gerenciamento do Estado atualmente. Nós queremos renovar o mandato do deputado Pedro Ruas na Assembleia Legislativa, ele era uma opção que tínhamos (como candidato ao Piratini). A Luciana Genro, também uma liderança fundamental, que vai ser candidata a deputada estadual, o Jurandir Silva, candidato a deputado estadual, a nossa vereadora mais votada na Capital, Fernanda Melchionna vai a deputada federal. A direção e os militantes do partido me delegaram essa tarefa e encaro com muita responsabilidade.

O que pretende oferecer ao eleitor?
Na primeira vez que fui candidato, apresentei sozinho crítica à dívida que tornava o Estado ingovernável se não houvesse o enfrentamento desta dívida. Naquela época, denunciávamos como lesivo o acordo entre o governador (Antônio) Brito e o presidente Fernando Henrique Cardoso.  Agora temos quase um consenso e a sensação de uma dívida impagável.  Nessa campanha além de seguir essa disputa contra o capital financeiro, temos o combate à Lei Kandir, que é também um mecanismo de drenagem dos recursos do Estado para a União, e um benefício para os grandes importadores que não tem nenhum retorno para o Rio Grande do Sul. É preciso fazer um governo novo, baseado na auto-organização democrática dos trabalhadores, se apoiando nos movimentos sociais, nos sindicatos combativos e também gerindo o Estado com o corpo de servidores públicos. Apostamos muito em reduzir o peso dos partidos políticos através dos cargos de confiança e empoderar o servidor público na relação com as comunidades nas cidades e, dessa forma, fazer uma gestão com transparência e democrática.

O PSOL trabalha para buscar coligações?
Nossa preocupação não é essa. Os partidos tradicionais têm uma prática muito ruim de fazer grandes acordos que não respondem ao interesse do povo. Na prática, acabam todos governando juntos. O interesse maior é apresentar nosso projeto diretamente para a população. Devemos ter aliança com o PPL, com o PSTU, mas a nossa linha não é de busca de aliados que não respondem aos interesses do povo. 

Qual a sua proposta para recuperar a economia do Estado?
Uma das questões fundamentais é o questionamento da Lei Kandir. A perda calculada com esta lei é de R$ 50 bilhões. Vamos fazer a pressão para que haja o ressarcimento com ações judiciais. A perda anual com a isenção da exportação dos produtos primários é na ordem de R$ 4 bilhões. Sabemos que há um número de isenções injustificadas. Temos casos escandalosos como, por exemplo, o da Videolar que teve uma isenção de R$ 300 milhões para gerar cinco empregos. Também tem o combate a sonegação. Há sonegação de cerca de R$ 9 bilhões. Há uma possibilidade de ter uma política econômica alternativa, mas isso exige independência que os partidos políticos tradicionais não têm.

Qual sua avaliação do governo de José Ivo Sartori?
É um governo que, infelizmente, centrou sua administração no ataque aos servidores públicos. Não garantiu segurança, saúde e educação. É um governo em crise e é um projeto que está ligado ao presidente (Michel) Temer, governo corrupto, ligado ao Eliseu Padilha, que é o gaúcho e braço direito do Temer e é o chefe do PMDB do Rio Grande do Sul. Um governo desastroso do ponto de vista dos interesses populares porque não garantiu melhorias para a população. É um governo que dá respaldo para um projeto que o país inteiro está vendo o nível dos escândalos.

Qual a importância da Lava-Jato?
A luta pela corrupção é fundamental e a operação Lava-Jato teve uma parcela muito importante para ajudar a desmontar os esquemas de corrupção. Ao mesmo tempo, temos visto a influência política e o peso no Supremo Tribunal Federal (STF) a partir da alta cúpula do Judiciário, ações que liberaram lideranças como Aécio Neves (PSDB), vinculado ao esquema de corrupção. O Temer segue presidente porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandado pelo Gilmar Mendes, o absolveu. Ao mesmo tempo que há uma operação importante de combate à corrupção, há muitas instituições, inclusive no âmbito judicial, fazendo uma desigualdade neste combate. O maior exemplo disso é que o Lula está sendo condenado, enquanto Temer é presidente. Se fala da corrupção do PT e não se fala da corrupção do PSDB. Infelizmente, os protagonistas da Lava-Jato não tiveram uma ação firme para resolver essa contradição e essa seletividade.

As denúncias de corrupção a integrantes do PT arranham a imagem dos outros partidos de esquerda?
Na verdade, não só as denúncias de corrupção, o tipo de gestão que o PT fez.  É lógico que na medida em que o PT governa se declarando de esquerda e gerenciando os interesses dos grandes capitalistas, além dos problemas envolvendo corrupção, para a população, a esquerda e a direita ficam muito parecidas. Essa mistura simbólica acaba atingindo aqueles partidos políticos como o PSOL que é de esquerda, mas é de outro tipo. Mesmo assim, para a população, essa diferença acaba ficando mais diluída.

Qual é o futuro dos partidos de esquerda no país?
O problema não é só o futuro da esquerda, mas o futuro do Brasil. Defendo um projeto pela igualdade, onde a população tenha mais poder. A população deve se organizar e defender projetos de seus interesses. A nossa construção está ligada ao processo de mobilização popular.

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