Vaias ao prefeito de Caxias mostram que embates com governo estão longe de acabar - Política - Pioneiro
 

Mirante01/02/2018 | 18h16Atualizada em 01/02/2018 | 19h09

Vaias ao prefeito de Caxias mostram que embates com governo estão longe de acabar

Daniel Guerra alfinetou os que combatem seu governo, classificando de "constante olhar para o retrovisor"

Vaias ao prefeito de Caxias mostram que embates com governo estão longe de acabar Roni Rigon/Agencia RBS
Apesar das manifestações da plateia, Guerra se manteve focado no pronunciamento, mas depois disse que eram "atitudes pequenas" Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Foi mesmo um "evento" a presença do prefeito Daniel Guerra (PRB) na Câmara de Vereadores, nesta quinta-feira, quando levou a mensagem do Executivo para 2018 na abertura do ano legislativo. A ida de Guerra mobilizou todo o primeiro escalão e manifestantes ruidosos, contrários ao governo. Tímidos apoiadores, além do secretariado, também participaram. Assim que o prefeito subiu à tribuna, os protestos vistos em 2017 ressuscitaram, para satisfação de oposicionistas. 

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Foi dado o tom de 2018. Sem mencionar situações específicas (o processo de impeachment, por exemplo), Guerra fez alusão aos interesses político-partidários ao falar em "constante olhar para o retrovisor". Uma alfinetada com destino certo.

— Nosso papel de protagonismo econômico, político e institucional em nossa região não pode ser secundarizado por manifestações e debates que não são prioridade para nossa cidade, por questões laterais de menor porte que não levam a lugar algum senão ao sectarismo, à divisão permanente e ao constante olhar para o retrovisor.

Guerra se manteve focado no pronunciamento, sem se deixar atingir pelos xingamentos, buzinas e vaias. Aliás, conforme o presidente da Câmara de Vereadores, Alberto Meneguzzi (PSB), antes de entrarem no plenário, ele conversou com o prefeito sobre os protestos previsíveis e perguntou se ele queria que fosse interrompido. O prefeito, conta Meneguzzi, disse que não, pois as manifestações eram da democracia e ele estava acostumado. 

Apesar disso, ao falar à imprensa, quando se referiu às vaias, Guerra disse que eram interesses de meia dúzia, "daqueles viciados a utilizar a si próprios do público, em detrimento do interesse maior, que é da população. Certamente continuarão com estas atitudes pequenas..." Assim, esvaziou o que havia dito anteriormente sobre democracia.

E a grande obra?

Logo no início do discurso, a resposta do prefeito pôde ser sentida quando saudou "os trabalhadores de Caxias do Sul que, neste momento, estão nos mais diversos pontos da cidade fazendo desenvolvimento e fazendo com que Caxias possa crescer e continuar crescendo".

Guerra mostra-se otimista em relação a 2018 e até o final do mandato, depois das dificuldades econômicas registradas no país no primeiro ano de governo. Falou em escolas, UBSs, armas para a Guarda Municipal, sem detalhar as ações, evitando se comprometer. De concreto, citou a conclusão da Rótula da Codeca, projeto do governo passado.

Falta o prefeito dizer qual será a sua grande obra.

Ao término de sua fala, ele deu o recado pelo fim das turbulências:

— Se faz necessário elevarmos o nível do debate para as questões que são de interesse de nossa comunidade, e trabalharmos juntos efetivamente para melhorar nossa cidade.

Guerra, porém, começa o ano político sob pressão. Mesmo que ele avalie como um pequeníssimo grupo, sem representatividade, como disse na sequência em entrevista coletiva, é importante ter claro que somente discurso não reverterá o clima tenso e hostil. O governo está em franca desvantagem na Câmara. E isso não pode ser minimizado. 

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