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Pleito10/02/2018 | 09h00Atualizada em 12/02/2018 | 15h37

Tem cidadania italiana? Confira como votar nas eleições do parlamento da Itália

Votação deve ser feita por correspondência 

Tem cidadania italiana? Confira como votar nas eleições do parlamento da Itália Felipe Nyland/Agencia RBS
Giorgio Pellizzaro é italiano e mora em Caxias do Sul Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Em menos de um mês, a Itália realiza eleições para novos deputados e senadores, e italianos que migraram para o Brasil ou brasileiros com dupla cidadania podem votar. Como o prazo é curto, é preciso ser ágil e não deixar para a última hora. As cédulas foram enviadas pelo Consulado da Itália em Porto Alegre nesta sexta-feira, mas como os Correios estão de feriadão de Carnaval, os envelopes devem chegar na casa das pessoas somente a partir de quarta-feira. 

Assim que receberem, os cidadãos italianos devem preencher as cédulas e enviá-las de volta — pode ser pelo correio ou pessoalmente. O consulado recebe os envelopes até as 16h do dia 1º de março. As cédulas serão reunidas e enviadas para o consulado em São Paulo, responsável por reunir todos os votos do Brasil e mandar para Roma, onde ocorrerá a contagem. A eleição na Itália ocorre no dia 4. 

— O apelo é para votar imediatamente. Se chegar após o dia 24 de fevereiro (no consulado), há o risco  de perder o prazo. E votos após o prazo não serão escrutinados — alerta Nicola Occhipinti, cônsul da Itália em Porto Alegre. 

No Rio Grande do Sul, são 85 mil pessoas com cidadania italiana. Destas, cerca de 60 mil estão aptas a votar. A expectativa é de que metade deste contingente participe do pleito. O consulado italiano no Estado não tem o número de pessoas com cidadania residentes na Serra, mas estima que região seja a segunda na quantidade. 

Quem tem entre 18 e 24 anos, vota apenas para deputado. Quem tem mais de 25 anos, vota para a Câmara e para o Senado. O pleito irá renovar 630 cadeiras da Câmara dos Deputados e 315 do Senado para um mandato de cinco anos. A América do Sul elegerá dois senadores e quatro deputados. Dos 4,3 milhões de eleitores italianos fora da Itália, 1,3 milhão reside na América do Sul. Na Itália, são 45 milhões de eleitores. 

Aguardando para votar

Italiano de nascimento, Giorgio Pellizzaro, 74 anos, veio para Caxias ainda pequeno, com a família. Cresceu e retornou à Itália, onde prestou serviço militar, mas acabou voltando e se estabelecendo de vez na cidade. 

Ele nem sempre vota nas eleições italianas, mas, neste ano, pretende participar. Pellizzaro aguarda a chegada dos envelopes, que terão também a lista de candidatos, para definir seu voto. Mas adianta: 

— Sei em quem não votar — ri. 

Para Pellizzaro, que trabalha com a obtenção de cidadania italiana, é importante que os eleitos defendam a redução do tempo de espera para conseguir o documento. A administradora Simone Piccoli de Mello, 41, também entende que a agilização da liberação da cidadania italiana deve estar entre as bandeiras dos deputados e senadores _ ela levou oito anos para conseguir a sua. 

— Um dia nossos filhos ou netos podem querer morar na Itália, então, que trabalhem para que seja um país melhor — acrescenta. 

Candidatos

A Itália é o único país que reserva vagas em seu parlamento para representantes fora de seu território — seis senadores e 12 deputados em todo o mundo. Por meio do voto, os italianos residentes na América do Sul podem eleger dois senadores e quatro deputados, o que equivale a um terço das vagas disponíveis no Exterior. 

Pelo menos dois candidatos têm relação com a Serra Gaúcha: Luis Molossi, 52, natural de Nova Bassano, e Fabio Vicenzi, 46, morador de Caxias do Sul. Os dois são advogados e disputam o cargo de deputado. 

Molossi nasceu na Linha Nona, interior de Nova Bassano. Aos 15 anos, foi estudar em Curitiba, no Paraná, onde mora até hoje. Na eleição de 2013, obteve 12.501 votos e ficou como primeiro suplente a deputado para a América do Sul. Ele representa o partido Movimento Associativo Italiano no Exterior (MAIE)

Vicenzi é natural de São José do Ouro, no norte do Rio Grande do Sul, e criou-se entre Farroupilha e Caxias do Sul. Ele é candidato pelo Partido Democrático (PD) e concorre pela primeira vez. 

A América do Sul é a região do planeta com a maior comunidade italiana no mundo, e o Brasil é o terceiro país com mais italianos fora da Itália _ fica atrás de Argentina e Alemanha. 

Os eleitos no Exterior têm os mesmos deveres dos parlamentares escolhidos na Itália: votam no orçamento do país, por exemplo. Mas também representam suas comunidades. Entre propostas dos candidatos estão minimizar a fila de pretendentes à cidadania e aumentar o intercâmbio entre micro e pequenas empresas italianas e brasileiras.

TIRE SUAS DÚVIDAS

Quem pode votar
>> Todos os eleitores inscritos no cadastro dos italianos residentes no Exterior. Ou seja, italianos que nasceram na Itália e moram no Brasil ou cidadãos brasileiros com cidadania italiana. Eleitores com mais de 25 anos votam para senador e deputado. Eleitores com entre 18 e 24 anos elegem apenas deputados.

Como se vota
>> Por correspondência. A cédula eleitoral e um envelope pré-pago deverão ser enviados à sede do Consulado-geral da Itália em Porto Alegre (Avenida José de Alencar, 313, bairro Menino Deus).
>> A cédula deve ser preenchida com caneta esferográfica preta ou azul. É possível votar na lista de um partido ou nos candidatos. Nesse segundo caso, o eleitor deve escrever na cédula o sobrenome do candidato na linha ao lado da marcação na lista. Cada eleitor poderá indicar tantas preferências quantas forem as linhas disponíveis ao lado de cada legenda.

Prazos
>>Embora a eleição na Itália ocorra em 4 de março, os votos de quem mora no Exterior devem chegar a Roma até esta data. O envelope com o voto dos eleitores do Rio Grande do Sul deve chegar ao consulado até as 16h de 1º de março. Caso contrário, será invalidado. Devido à demora do correio, o consulado aconselha que os eleitores enviem a correspondência até 20 de fevereiro. O envelope com o voto pode ser entregue em mãos no próprio consulado. 

Quem será eleito
>> Os eleitores italianos que vivem no Brasil ou brasileiros com cidadania italiana votam nos candidatos que concorrem às vagas reservadas à região da América do Sul. Serão eleitos quatro deputados e dois senadores nessa região do planeta. 

Onde estão os italianos
>> A Argentina é o país com o maior número de italianos ou cidadãos com cidadania italiana fora da Itália (800 mil). A Alemanha está em segundo lugar (550 mil), mas, nos próximos anos, deve ser ultrapassada pelo Brasil.

Brasil
>> São cerca de 530 mil italianos ou brasileiros com dupla cidadania no país. Destes, 370 mil estão aptos a votar. As maiores comunidades estão em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

RS
>> 85 mil italianos ou brasileiros com dupla cidadania vivem no Estado. Destes, cerca de 60 mil são eleitores. 

Os atuais parlamentares da América do Sul

>> Senadores

Fausto Longo (Partido Socialista Italiano): Arquiteto e urbanista brasileiro, nascido em Amparo (SP), foi eleito em 2013 com 30 mil votos. Foi o primeiro brasileiro residente no Brasil a ocupar o posto. Foi vereador em Piracicaba (SP).

Cláudio Zin (Movimiento Asociativo Italianos en el Exterior - Maie): Médico e jornalista italiano, chegou aos cinco anos à Argentina. Tornou-se famoso na TV por comentários na área de ciência.

>> Deputados

Fábio Porta (Partido Democrático): Sociólogo, nascido em Caltagirone, Itália, mora em São Paulo. Está em segundo mandato. Em 2008, foi eleito com 17 mil votos. Em 2013, reelegeu-se com 30.298 votos.

Ricardo Merlo (Movimiento Asociativo Italianos en el Exterior - Maie):  Cientista político nascido em Buenos Aires, Argentina, é membro do parlamento italiano desde 2006. É fundador do Maie.

Renata Bueno (União Sul-Americana dos Emigrantes Italianos - Usei): Filha do deputado federal Rubens Bueno (PPS), é brasileira nascida em Brasília, mas com carreira política em Curitiba, onde foi vereadora eleita em 2008. Escolida para o parlamento italiano em 2013 com 18.077 votos.

Mario Borghese (Movimiento Asociativo Italianos en el Exterior - Maie): Natural de Córdoba, Argentina, é médico. Foi eleito em 2013, depois de uma tentativa frustrada de chegar ao parlamento em 2008.

CANDIDATOS DO BRASIL

>> À Câmara dos Deputados

Movimento Associativo Italiani all'Estero (MAIE)
MOLOSSI
LUIS, de Nova Bassano (RS)

Unione Tricolore America Latina (UNITAL)
ROLDI
THIAGO VICENTE, de Colatina (ES)
TADDONE NEVES DANIEL, de São Paulo (SP)

Liberi e Uguali
FANGANIELLO
MAIEROVITCH WALTER, de São Paulo (SP)

Civica Popolare Lorenzin
BUENO
RENATA, de Brasília (DF)
SEHNEM SIMONE, de Taió (SC)
STARLING DE ARAUJO ELAINE, de Brasília (DF)

Lega Nord _ Forza Italia _ Fratelli d'Italia con Giorgia Meloni
DI SAN MARTINO
LORENZATO DI IVREA LUIS ROBERTO, de Orlandia (SP)

Partito Democratico
LONGO
FAUSTO GUILHERME, de Amparo (SP)
VICENZI FABIO, de São José do Ouro, morador de Caxias (RS)

>> Ao Senado

Lega Nord - Forza Italia - Fratelli d'Italia con Giorgia Meloni
PASTORE LUIZ OSVALDO, de São Paulo (SP)

MAIE - Movimento Associativo Italiani all'Estero
LASPRO
LUCIANA, de São Paulo (SP)
CHIANELLO ANTONIO ALDO, de Rio de Janeiro (RJ)

Unione Sudamericana Emigrati Italiani - USEI
VICENTINI
EVALDO RUI, de Casa Branca (SP)

Civica Popolare Lorenzin
MONTANARINI
HELENA, de São Paulo (SP)
DI MARZO TREZZA FERNANDO MAURO, de São Paulo (SP)

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