Ex-apresentadora do Fantástico, Valeria Monteiro irá concorrer à Presidência - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª12/02/2018 | 08h00Atualizada em 12/02/2018 | 13h35

Ex-apresentadora do Fantástico, Valeria Monteiro irá concorrer à Presidência

Ela ingressou no PMN e tem usado as redes sociais para propagar suas ideias

Ex-apresentadora do Fantástico, Valeria Monteiro irá concorrer à Presidência Alessandro Nogueira/Divulgação
Para Valeria, política brasileira está "cheia de velhas raposas" Foto: Alessandro Nogueira / Divulgação

Ex-apresentadora do Fantástico, na Rede Globo, Valeria Monteiro promete estar na eleição de outubro. Mesmo sem experiência, quer disputar a Presidência da República. Lançou-se pré-candidata em 2017, antes de estar filiada a algum partido. Em janeiro, ingressou no PMN e tem usado as redes sociais para propagar suas ideias. Nesta entrevista, concedida por telefone na sexta-feira, Valeria explica os motivos de sua pré-candidatura e adianta algumas de suas propostas para o Brasil. Confira: 

Pioneiro: Por que a senhora resolveu entrar na política?

Valeria Monteiro: Para ajudar a ocupar de uma forma melhor esse espaço da política, que é a principal ferramenta de mudança das condições em que a gente vive. Por entender que esse quadro político brasileiro atual está cheio de raposas velhas que têm um plano de permanência perpétua e que é necessário revigorar essa política. 

Por que, de cara, concorrer à Presidência da República? 

Porque a Presidência é a plataforma de mudança principal. Não que ela vá mudar completamente sozinha, mas dá a possibilidade do debate para transformação maior em um período pequeno de tempo. 

Como você se define ideologicamente? 

Ocupo o espaço do centro, do equilíbrio, da moderação, porque a gente precisa unir as pessoas, unir o Brasil, que está muito polarizado entre dois extremos que não satisfazem. 

E qual a linha do PMN?

É um partido de centro, um partido onde as pessoas têm muita liberdade. O centro tem aceitação mais larga das coisas. 

A senhora considera partido um instrumento essencial da democracia ou é necessário apenas por ser uma exigência da legislação? 

A gente tem muitas distorções nas leis eleitorais e uma reforma política seria muito importante, uma verdadeira reforma e não uma minirreforma como a gente teve e que fez com que houvesse uma manutenção de status dos partidos maiores. Hoje, essa é a lei. A gente precisa dos partidos desde que eles se movimentem de maneira apropriada. 

Mas a senhora acha que seria interessante a possibilidade de concorrer de forma independente, sem partido?

A princípio, sou a favor das candidaturas independentes. 

Desde que a senhora se lançou pré-candidata, como tem sido a recepção das pessoas?

A recepção está crescendo, está cada vez melhor. No começo, havia uma certa dúvida de quais eram as minhas intenções reais e acho que, ao longo do tempo, em que vou me colocando e as pessoas vão me conhecendo, está se formando uma base de apoiadores. Sinto reação, desde o Acre, de Roraima, até o Rio Grande do Sul, muito boa. E a gente começa a aparecer em pesquisas estaduais. Apareci com mais de 1% no Mato Grosso do Sul, por exemplo.  

Qual será sua bandeira como candidata?

Tenho algumas bandeiras. Tenho uma específica, que é da redução da desigualdade, porque a desigualdade impede o crescimento, o desenvolvimento e aprofunda discrepâncias entre uma classe muito seleta de pessoas e todo o resto dos cidadãos que estão preocupados em trabalhar, em achar emprego, em produzir, em conseguir atendimento hospitalar, em conseguir educação para os filhos, conseguir andar tranquilamente pelas ruas, conseguir ser ele mesmo. A gente ainda não pode falar de projetos e plano de governo, mas será desenhado em torno disso. 

Como combater a violência que assola o país? 

Ouvi de um especialista em segurança que as planilhas do crime não tornam o crime organizado e que o que deveria, realmente, ser organizado é o Estado, de forma preventiva, com inteligência. Dessa forma que acho que a gente pode reverter essa situação dramática que o país atravessa hoje. 

Qual sua avaliação do governo de Michel Temer?

Tendo a achar que Temer só permanece porque tem muito apoio de parlamentares que vão se beneficiar junto com ele da forma como ele consegue se proteger da Justiça estando no poder. Em outras circunstâncias, nunca conseguiria permanecer. Com mais de 90% de rejeição, a gente não consegue imaginar nenhum outro governo no mundo que conseguisse resistir. 

O governo se esforça em aprovar a Reforma da Previdência. Qual sua a opinião sobre essa proposta de reforma?

É um governo que tenta trabalhar com reformas marqueteiras, porque as principais reformas nunca foram apontadas. A gente precisa de uma reforma política de verdade, de uma reforma tributária, reformas estruturais e a Reforma da Previdência, para mim, não consigo explicação para tanta força, tanta disposição, quando a gente vê que houve um perdão de dívidas de grandes empresas, de grandes bancos em torno de três vezes mais o que a Previdência deve, de acordo com os números que o governo cita. Então, para mim é incabível neste momento e deveria ser discutido com a sociedade, ter tempo para entender se há outras maneiras de arrumar as contas do governo. A gente vê que o governo gasta muito e gasta mal. 

Qual sua opinião sobre condenação após prisão em segunda instância?

O que acho é que a gente tem de começar a cumprir as leis. As pessoas estão falando de reforma da Constituição, fazer uma nova. A gente não consegue nem fazer com que a atual seja cumprida. Se a prisão em segunda instância foi votada pelo STF, por que a gente está sempre recorrendo de normas já definidas? Isso atrasa o país. O Código Penal, da mesma forma, deve ser seguido.

A senhora prefere que o ex-presidente Lula esteja ou não na eleição deste ano?

Fiz um vídeo falando e chamando para a consciência do Lula e dos petistas, que ele se retire da eleição. Ele contribui dessa maneira, nessa forçação de barra, para a instabilidade do país, e isso é perigoso.

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