Vice-prefeito de Caxias do Sul avalia a própria atuação no ano e diz: "Foi muito ruim" - Política - Pioneiro

Entrevista da 2ª08/01/2018 | 08h34Atualizada em 08/01/2018 | 08h38

Vice-prefeito de Caxias do Sul avalia a própria atuação no ano e diz: "Foi muito ruim"

Ricardo Fabris de Abreu (sem partido) diz que é difícil analisar porque foi afastado da administração

Vice-prefeito de Caxias do Sul avalia a própria atuação no ano e diz: "Foi muito ruim" Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Afastado das decisões do governo municipal, o vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu (sem partido) diz ser difícil avaliar a administração uma vez que está impedido de participar de qualquer ação do governo, mas considera que o governo criou muitos conflitos desnecessários. Fabris classifica sua atuação de vice-prefeito como “muito ruim”, por não ter qualquer função no governo municipal.

Na entrevista concedida na quinta-feira, o vice também falou sobre o motivo do rompimento com o prefeito Daniel Guerra (PRB), a autoria do pedido de impeachment contra Guerra e suas prioridades caso assuma como prefeito.

Pioneiro: Qual a avaliação do primeiro ano do governo municipal?
Ricardo Fabris de Abreu: fica difícil avaliar porque não pude participar. Eu fui afastado do governo. A avaliação não como vice-prefeito, mas como caxiense é de que foi um ano em que foram criados muitos conflitos desnecessários com os mais diversos segmentos da sociedade sem motivo para isso.

Qual o motivo do conflito entre o senhor e o prefeito. Foi porque queria ser secretário de Segurança?
Nunca quis ser secretário de Segurança. O que combinamos durante a campanha, na hipótese de sermos eleitos, é de que eu trabalharia na Segurança Pública e Procuradoria (Geral do Município). A hipótese de ser secretário foi ventilada no início do ano (José Francisco Malmann foi anunciado no final de dezembro de 2016) quando não se tinha um candidato e se discutiu brevemente que eu poderia ocupar por um curto período, mas não me considerava tecnicamente preparado. Não queria ser secretário, queria trabalhar na segurança. Tivemos alguns desentendimentos porque não participei da transição e me parece inadequado. Nunca quis escolher algum secretário, mas achava importante que fosse discutido conjuntamente porque são secretários do município e não do prefeito. Eu teria que trabalhar com eles e seria conveniente que opinasse, mas isso não gerou grande desgaste. O rompimento ocorreu a partir do momento em que eu reconsiderei a minha renúncia. O prefeito cortou qualquer tipo de comunicação comigo e passou a me hostilizar chegando a ponto de mandar que eu desocupasse meu gabinete e depois moveu uma ação para cassar meu mandato.

Como avalia a sua atuação como vice-prefeito?
Meu dia a dia é tranquilo, mas avalio como muito ruim o trabalho de vice-prefeito porque não pude realizar nada. Definiria como frustrante porque achava que na posição de vice poderia trabalhar com projetos para a cidade. Hoje qualquer coisa ou projeto que sugerir vai ser obstaculizada.

O senhor vai aguentar o desprezo do prefeito Daniel Guerra até o final do mandato?
A opção que eu tenho é essa. É desagradável, é ruim. Até tentei pedir uma licença para voltar para o meu trabalho na Justiça do Trabalho, mas os vereadores assinalaram que não concederiam. Se o prefeito não permite que eu faça algo, também não corro o risco de cometer nenhum erro.

Por que o senhor apresentou o pedido de impeachment?
Fiz em resposta a ação que ele (Guerra) fez para cassar meu mandato. Sinceramente, uma ação de um prefeito para cassar o mandato do vice é bem mais grave do que um pedido (protocolado) de impeachment do vice. Teve a aceitação de cinco vereadores.

Na hipótese de assumir como prefeito, como seria a aceitação da população a seu nome?Nesse momento haveria rejeição das pessoas que apoiam o prefeito. A cidade está dividida, metade quer Fora, Guerra e metade acha que o Guerra tem que ficar. Se assumisse a prefeitura teria a rejeição de metade da cidade. E a única forma de vencer essa rejeição seria mostrando resultado é trabalhando.

E quais seriam as prioridades de seu governo?
Seria necessário dois atos importantes: montar um secretariado suprapartidário com pessoas de diversos segmentos e partidos para que ocorresse uma pacificação política. Também seria necessário uma pacificação social, porque diversos setores da sociedade e os mais vulneráveis estão descontentes com o que está acontecendo. É uma política muito equivocada tratar a cidade como se fosse um tesoureiro de um banco. Uma empresa visa lucro e um município visa prosperidade. Essa premissa que o Daniel adotou, de governar a cidade cortando gastos não é a mais adequada. O município deve gastar adequadamente e devolver com serviços de saúde, segurança e educação, mas também tem que trazer otimismo, bem-estar e alegria para as pessoas, por isso sou contrário ao corte do Carnaval e de festas.

Em nome do interesse da população, não é melhor evitar provocações entre prefeito e vice?Seria bom. Reajo pouco considerando o tipo de desaforo e ilegalidade que sofri. Evito retrucar, mas também não posso ficar totalmente inerte porque não tenho sangue de barata.

O senhor vai concorrer na eleição deste ano?
Isso foi suscitado no período em que estive no PSD, mas nesse momento não penso em concorrer a nada.

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