"O Brasil está no timing de rejeitar o golpe", diz o deputado caxiense Pepe Vargas - Política - Pioneiro
 

Entrevista da 2ª29/01/2018 | 07h00Atualizada em 29/01/2018 | 08h28

"O Brasil está no timing de rejeitar o golpe", diz o deputado caxiense Pepe Vargas

Deputado federal e presidente do PT gaúcho avalia futuro da sigla

"O Brasil está no timing de rejeitar o golpe", diz o deputado caxiense Pepe Vargas Luiz Damasceno/Divulgação
Foto: Luiz Damasceno / Divulgação

Principal liderança do PT de Caxias, o deputado federal Pepe Vargas tem se dedicado integralmente nos últimos dias ao movimento de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esteve com ele em um comício em Porto Alegre na terça-feira e na quarta, dia do julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), participou de vigília na capital. Na quinta, em São Paulo para novas atividades, o presidente do PT gaúcho atendeu o Pioneiro por telefone e falou dos planos da sigla para esse ano. Confira: 

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Pioneiro: Qual o futuro do PT agora com a condenação de Lula pelo TRF4?

Pepe Vargas: Lula tem direito a recursos, ele não tem uma sentença transitada em julgado. A legislação permite que seja feito registro da candidatura. Nós temos mais de 140 prefeitos no Brasil que concorreram na última eleição com sentença de segunda instância. Essa luta não terminou ontem (quarta-feira). Vamos denunciar essa decisão política do Tribunal, que não falou nada sobre as provas do processo, que tangenciou todas as questões da defesa e vamos continuar com a candidatura do Lula. Ele terá o registro, terá uma disputa judicial obviamente e, se o TSE julgar de acordo como ele vem julgando nos últimos anos, Lula será candidato. Em segundo lugar, o PT e as ideias do PT independem de um indivíduo. É lógico que a figura do Lula é muito importante, mas, como o próprio Lula diz, as ideias vão muito além do indivíduo e uma parcela significativa da sociedade brasileira, eu diria majoritária, porque as pesquisas apontam, está sintonizada com as ideias que Lula defende e o legado que ele deixou como presidente da República.

Mas se mantendo essa decisão nas outras instâncias? 

Achamos que ele será absolvido pelas nulidades desse processo e pela ausência de provas. O que aconteceu ontem (quarta) foi um absurdo, porque mais ficaram fazendo defesa do (juiz Sérgio) Moro do que julgando o processo. Aliás, o cara (Leandro Paulsen, desembargador) cometeu um ato falho, que qualquer cara que conhece como funciona o Tribunal, ficou escandalizado. Ele disse que “com as alegações da defesa, encerramos essa parte da reunião e vamos dar cinco minutos de intervalo para ler o voto”. Como assim? Quer dizer que as alegações da defesa não foram consideradas. Estava com o voto pronto. Isso é um escândalo. 

E caso Lula fique inelegível?

Ele não ficará inelegível, na nossa opinião. A Constituição diz que a pessoa só perde os direitos políticos com sentença transitada em julgado. Ele não tem. A lei das inelegibilidades garante que, não só até a data da eleição, pode ser antes da diplomação, através de liminar ou de julgamento do mérito, porque pode ser concedida liminar e julgarem o mérito depois da eleição. 

Toda essa situação pode influenciar na eleição de deputados estaduais e federais?

Achamos que influenciará positivamente porque o cenário não é o de 2016. O Brasil está em outro timing que a Globo e seus aliados não entenderam ainda. O Brasil está no timing de rejeitar o golpe e a agenda conservadora que está aí e de, em toda e qualquer pesquisa, colocar o Lula em primeiro lugar. Esse é o timing que estamos vivendo.  

O PCdoB tem se mostrado muito fiel ao PT e a Lula. O PT pode apoiar a candidatura de Manuela D’Ávila?

A candidatura do PT é a candidatura do Lula e nós entendemos que os demais partidos do campo democrático e popular têm o direito de apresentar as suas candidaturas. 

Vocês não trabalham com nenhuma outra hipótese? 

A candidatura do PT é a candidatura do Lula. 

Qual a estratégia do PT para a eleição deste ano ao governo do Estado?

Temos uma pré-candidatura do ex-ministro, ex-vice-governador e ex-deputado federal Miguel Rossetto. Outros partidos do campo democrático e popular têm suas candidaturas e estamos discutindo a possibilidade de ter uma unificação. Se não tiver no primeiro turno, vamos buscar no segundo.

Com quem vocês estão conversando? 

Entendemos que os partidos que podemos conversar são os que estão conosco no processo de resistência, como PCdoB, PSOL, PDT e o PSB se desembarcar do governo (José Ivo) Sartori. O senador (João) Capiberibe (do Pará) veio representar o PSB no ato em Porto Alegre. 

Como vocês irão trabalhar as candidaturas a deputado federal e estadual para garantir que cidades como Caxias do Sul tenham representação? 

Temos uma nominata de candidatos que está sendo formada e no momento adequado e correto será divulgada. Por enquanto, não tem nem prazo para registrar candidatura. 

Mas vocês trabalham com um número de candidatos?

Vamos lançar o maior número de candidatos possíveis. 

O senhor concorre a que neste ano?

Eu vou concorrer àquilo que a nossa discussão coletiva indicar. 

E isso se define quando?

No momento adequado. 

A gente percebe pessoas manifestando pelas redes sociais apreço pela sua pessoa, mas lamentando o fato de o senhor estar no PT e defender o ex-presidente Lula. 

Gozado que eles não lamentam que o Sartori seja do PMDB do Eduardo Cunha. Gozado que eles não lamentam que figuras do PSDB sejam do PSDB do Aécio. Então, são pessoas que têm ou uma posição política e estão fazendo firula ou são pessoas que estão indo na onda de uma tentativa de criminalização do Partido dos Trabalhadores.

Já vi o senhor em discursos dizendo que pessoas dizem que gostam do senhor, mas perguntam porque não troca de partido. 

Aí pergunto para elas: qual é o partido que devo ir? Aí as pessoas ficam com os olhos estralados e dizem: é, o senhor tem razão. Aí eu falo, você está indo na onda de uma criminalização do PT. O PT é o partido que tem o menor número de pessoas envolvidas em episódios de corrupção. O que existe hoje no Brasil é uma tentativa de criminalizar a maior liderança popular da história do Brasil sem que tenha cometido qualquer crime.

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