Ex-coordenador de Relações Comunitárias da prefeitura de Caxias acusa governo de centralizador e contrário a críticas - Política - Pioneiro
 

Mirante22/01/2018 | 10h30Atualizada em 22/01/2018 | 10h55

Ex-coordenador de Relações Comunitárias da prefeitura de Caxias acusa governo de centralizador e contrário a críticas

Rafael Bado (PRB) diz que o jeito de governar de Daniel Guerra (PRB) é pior do que o anterior, principalmente para a periferia

Ex-coordenador de Relações Comunitárias da prefeitura de Caxias acusa governo de centralizador e contrário a críticas Arquivo Pessoal/Divulgação
Rafael Bado, que deixou o cargo no dia 8 e é servidor concursado, declara que o sonho de mudança que tinha foi por água abaixo Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

O ex-coordenador de Relações Comunitárias da prefeitura de Caxias do Sul, Rafael Bado, manifestou-se sobre o período de um ano em que permaneceu no cargo como CC8 e sua decepção com o governo Daniel Guerra (PRB). Ele deixou a função no último dia 8. Bado apoiou a candidatura de Guerra na campanha eleitoral, especialmente no segundo turno, embora tenha concorrido a vereador pelo PROS, sigla que integrava a coligação do candidato a prefeito Edson Néspolo (PDT). Atualmente, está filiado ao PRB, mesmo partido do prefeito.

Em um relato enviado pelo WhatsApp, ele afirma que os secretários são competentes, mas não têm autonomia para trabalhar. 

— É um governo centralizador em que não se aceita nenhuma opinião contrária — declara. 

Bado conta que acompanha a luta comunitária há 20 anos. Segundo o ex-coordenador, no início de 2017, havia um projeto sobre o Orçamento Comunitário, em que seriam feitas as obras represadas há anos, mas o prefeito não cumpriu a promessa. Para ele, o atual jeito de governar está pior do que o anterior, principalmente para a periferia.  

A intenção de deixar o cargo foi comunicada em dezembro ao chefe de Gabinete, Júlio César Freitas da Rosa.

— Ele me disse que também era a intenção deles (do governo) — conta. 

Bado é servidor do município (secretário de escola) desde 2014.

Confira trechos do relato

:: Éramos cinco pessoas no setor. O setor da Coordenadoria de Relações Comunitárias é um dos mais importantes na administração pública, porque é ali a porta de entrada da comunidade (na sua maioria carente). Tínhamos pedidos de encaminhamento para todas as secretarias. Tínhamos no sonho da "mudança" a expectativa e promessa de ter um setor com respaldo para atender a todos sem distinção e com estrutura. Mas o ano de 2017, em vez de ser de renovação no setor público, foi um ano inteiro de brigas com várias entidades, fazendo com que o sonho de "mudança" fosse por água abaixo. 

:: Com esse pequeno número de pessoas atendendo a mais de 300 bairros e loteamentos e sem nenhum apoio do próprio governo, fizemos chover no deserto. As pessoas têm que ter ciência que as Amobs (associações de moradores de bairros) e UAB (União das Associações de Bairros) são entidades que estão ao lado dos moradores, principalmente das periferias. 

:: Sentíamos que os líderes comunitários estavam sendo desrespeitados quando a ordem vinha de cima para que não abríssemos mais memorandos às secretarias, pedindo melhorias nas comunidades... De um lado, uma comunidade carente precisando de manutenção no seu bairro e, do outro, pessoas do governo pedindo que fôssemos com calma, para não metermos pressão nos secretários com memorandos.

:: No início do ano, tínhamos um projeto sobre o Orçamento Comunitário. Mas essa promessa não foi cumprida pelo prefeito. Esse era um projeto onde seriam feitas as obras represadas há anos, já iniciando em 2017 algumas pavimentações. Estive presente em uma licitação de compra de pedras. Nós cobrávamos toda a semana que aquelas pedras fossem para as ruas que já tinham a drenagem pronta. O secretário de Obras (Leandro Pavan) sempre nos deu atenção, mas quando marcávamos reunião com o secretário de Governo (Luiz Caetano), essas reuniões eram sempre adiadas. 

:: Antes de eu sair de férias em setembro (por ser servidor, tinha férias para gozar), tive uma conversa com o prefeito e o mesmo me relatou que o projeto continuaria na coordenadoria. No meio das férias, fiquei sabendo pela imprensa que o Orçamento Comunitário agora era Gabinete Itinerante. Achei uma grande falta de respeito com nosso trabalho e setor... Acontece isso direto com outros secretários, a cúpula faz e não avisa os titulares da pasta... Os secretários e secretárias são competentes e tentam fazer o seu melhor, mas não têm autonomia para trabalhar.

:: O lado bom da "mudança" foi que alguns que estavam no governo anterior e que atendiam à população com desprezo, não estão mais. E o lado ruim, é que o jeito de governar está pior, principalmente para a periferia. É um governo centralizador em que não se aceita nenhuma opinião contrária.

:: Como disse a secretária de Recursos Humanos (Vangelisa Lorandi, em 28 de dezembro, no Pioneiro), os CCs que saíram foi porque não atingiram as metas ou por comportamento. Nos encaixamos no quesito comportamento. Não combinávamos mais com o governo, nos posicionávamos e isso incomodou, pois cumprimos, como servidores, o princípio da impessoalidade.

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