"Está faltando uma abertura de diálogo mais ampla", diz o presidente do partido de Daniel Guerra - Política - Pioneiro

Entrevista02/12/2017 | 08h38Atualizada em 03/12/2017 | 12h24

"Está faltando uma abertura de diálogo mais ampla", diz o presidente do partido de Daniel Guerra

Heron Fagundes faz parte do núcleo político do governo municipal

"Está faltando uma abertura de diálogo mais ampla", diz o presidente do partido de Daniel Guerra Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Heron Fagundes é o presidente do PRB, partido do prefeito Daniel Guerra. Apesar de não ocupar cargos na administração municipal, ele faz parte naturalmente do núcleo político do governo. Confira a entrevista:

Pioneiro: Qual o impacto político das novas manifestações contra o governo municipal?

Heron Fagundes: Entendo que algumas mudanças são necessárias e iriam gerar esses impactos. Quando uma situação tem uma sequência e precisa ser modificada, ela gera questionamentos, desconforto. No início do governo, já visualizávamos alguns desconfortos necessários, mas salutares. Essas atitudes planejadas têm suas consequências, mas também o governo deve estar visualizando as benfeitorias que isso gerará. Sei que o município não passa por uma situação econômica boa, e alguns remédios amargos têm que ser aplicados. Vai haver algum tipo de desgaste, mas isso pode ser melhor trabalhado com uma amplitude no processo de comunicação do governo. Precisa melhorar esse processo de comunicação. Está faltando uma abertura de diálogo mais ampla para defender o projeto e criar um processo de melhor comunicação com as lideranças da sociedade.

A falta de diálogo prejudica o governo?

Externamente, ou do lado oposicionista, essa classificação de falta de diálogo talvez seja mais confortável (de fazer). Acho que o governo tem diálogo, mas a forma como está sendo realizado é que deveria ser modificada. A falta de diálogo seria não falar com ninguém, e o governo tem conversado com o Sindicato (dos Servidores Municipais, o Sindiserv), com algumas (entidades de) classes, como a médica, os professores. A oposição quer um diálogo a qualquer momento, e o governo estruturou uma comunicação mais pontual. Precisa melhorar o processo de comunicação e diálogo.

Como o governo deve reagir contra as manifestações?

Não tem como evitar essa situação. Qualquer movimento que gere um desconforto para qualquer classe, ela vai se posicionar, ou através de uma greve ou manifestação. Tem que haver maior proximidade e diálogo com essas categorias para que se possa esclarecer e ficar bem entendido.

O governo precisa melhorar as relações políticas?

Fizemos um trabalho sem realizar trocas. Em Brasília, é muito comum as pessoas negociarem votos. A gente nunca trabalhou com esse perfil para fazer uma política diferente. Agora tem que haver um entendimento entre as partes para chegar a um denominador. Troca de favores não vai existir. Vai haver uma relação respeitosa entre as Casas (Executivo e Legislativo).

A decisão do governo sobre as professores da educação infantil repercute negativamente. O governo deve recuar?

Realmente, houve um movimento bem forte a essa condição (de redução salarial) apresentada pelo governo. Tenho curiosidade se essa decisão vai ser mantida e os contrapontos de por que será mantida, ou se vai ter debate.

A decisão deve ser mantida ou o governo precisa encontrar outro meio para manter a situação como está?

Sei que essas mudanças foram realizadas em virtude da lei (federal 13.019, que regulamenta convênios). Agora, se existe possibilidade de flexibilizar e no que impactaria aos cofres públicos, poderia dizer que seria diferente. Mas poderá gerar uma consequência com outros prejuízos maiores ao município. Seria muito leviano pontualizar sem entender o reflexo que vai gerar tanto para as professoras e também para o município.

 

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