Patriota, que partido é esse? - Política - Pioneiro

Partido04/11/2017 | 08h15Atualizada em 04/11/2017 | 14h25

Patriota, que partido é esse?

Legenda aposta em Jair Bolsonaro à Presidência e investe em nomes da base do governo em Caxias

Patriota, que partido é esse? Arquivo Pessoal/Divulgação
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Um partido pequeno pretende surpreender nas eleições gerais de 2018. O Patriota, ex-Partido Ecológico Nacional (PEN), aposta na candidatura à Presidência da República do polêmico deputado federal Jair Bolsonaro, atualmente filiado ao PSC.

Fundado em 2012, o PEN defendia os conceitos da social democracia cristã e projetos voltados à ecologia, à preservação dos recursos físicos (água, ar e solo), à fauna e à flora. Para receber Bolsonaro, a legenda mudou de nome – Patriota – e de temas que defenderá. Agora o foco é a segurança pública, a educação, a saúde e a infraestrutura.

Segundo o presidente estadual do Patriota, Luis Afonso Gravi Teixeira, a sigla pretende intensificar a fiscalização de candidatos ficha limpa e da honestidade.

– Muda bastante. Vai ficar a cara e a ideia do Bolsonaro. Não vamos negociar com a ilegalidade. O partido vai valorizar as pessoas, as famílias e os bons costumes. 

Teixeira diz ainda que a organização política, como prefere denominar o partido, vai prestar serviços de qualidade para a sociedade e não para os seus integrantes, como os partidos atuais trabalham.

– A gente vai na contramão do que os partidos pregam, que são os interesses próprios. Não vamos vender e negociar votos, não vamos negociar tempo de televisão.

O presidente estadual diz que a organização pretende resgatar o sentimento de patriotismo dos brasileiros com a reedição das disciplinas Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e de Educação Moral e Cívica nas escolas.

– Não vamos mudar o Brasil, mas podemos melhorar.

Apesar de atrair pessoas simpatizantes à intervenção militar, Teixeira afirma que a organização não defenderá extremismos e radicalismos de qualquer natureza.

– O extremismo e o radicalismo são de pessoas que gostam dele (Bolsonaro) e acham que funciona assim, mas vivemos em um país democrático e que não aceita mais a intervenção militar. Assim como a corrupção, a intervenção militar não tem apoio popular.

O presidente estadual ressalta que o partido, ou a organização política, vai trabalhar democraticamente, ouvindo os diversos segmentos da sociedade.

– Temos que ter bom senso. Vivemos numa sociedade onde as pessoas pensam diferentes e temos que entender. Não somos contra as pessoas, apenas não concordamos com determinados comportamentos, mas a gente respeita. A gente segue um princípio bíblico: Deus odeia o pecado, mas ama as pessoas.

Mesmo sem a oficialização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PEN já usa o nome Patriota.

Potencial de Bolsonaro por trás da mudança de nome
Para o cientista político e doutor em Ciências Sociais Marcos Paulo dos Reis Quadros, a construção do Patriota ainda é uma incógnita, mas diz que o PEN era um dos partidos nanicos que tinham o caráter de sigla de aluguel, sem plataforma clara e que funcionava para cooptar recursos públicos, formar alianças e adquirir cargos de confiança.

Quadros afirma que essa mesma lógica permitiu que Bolsonaro conseguisse assento e mudasse o nome do PEN para Patriota.

– Esse é um fenômeno que ocorre no sistema brasileiro, altamente fragmentado. Os partidos não têm capacidade de impor agendas, não têm bandeiras definidas e são facilmente cooptados por lideranças com potencial eleitoral forte, como é o caso de Bolsonaro.

O cientista política diz ainda que Bolsonaro encontrou uma alternativa mais fácil para concorrer a presidente da República com a mudança de nome da legenda. Quadros conta que a criação de um partido não é tão simples e depende de coletas de assinaturas em vários Estados do país. Ele lembrou que no Rio Grande do Sul o ex-PSL se tornou Livres, também cooptado por um grupo de filiados dissidentes liberais do Partido Novo.

Investida em caxienses
Para dar palanque a Bolsonaro em 2018, a sigla tenta filiar nomes de expressão nas principais cidades para sustentar a candidatura presidencial. Na base do governo Daniel Guerra (PRB), o PEN/Patriota espera convencer o vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu (PSD) a embarcar no projeto Bolsonaro. Fabris disse ao Mirante que “ainda está no PSD” e que “é preciso, por lealdade, conversar com as lideranças”.

O Patriota tentou contato com Daniel Guerra, mas não foi atendido pelo prefeito. O irmão do prefeito, Luis Guerra, chegou a sugerir publicamente o ingresso do prefeito no Patriota. A sigla ainda gostaria de contar com a candidatura à Assembleia de Dalva Guerra, na carona da popularidade do irmão. Dalva, que é filiada ao PRB, ainda não se decidiu sobre o assunto (leia mais na coluna Mirante). O presidente municipal do Patriota João Dreher vai convidar Dalva para mudar de partido. O vereador Chico Guerra, que se elegeu com a notoriedade de Daniel, também estaria nos planos do Patriota.

Nesta semana, Fabris chegou a posar com Bolsonaro para foto em Brasília. Publicada na coluna Mirante, a informação foi reproduzida nesta sexta-feira pelo site oficial do Patriota sob o título “PEN, ou Patriota, tenta atrair vice de Caxias e irmã de Guerra”.

Foto: Arte Pioneiro / Arte Pioneiro


 

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