"Se o PDT quiser, eu vou", diz Ciro Gomes, pré-candidato a presidente da República  - Política - Pioneiro

Eleições 201818/10/2017 | 15h20Atualizada em 18/10/2017 | 15h30

"Se o PDT quiser, eu vou", diz Ciro Gomes, pré-candidato a presidente da República 

Depois de passar por Gramado, nome pedetista ao Planalto estará em Caxias nesta quarta-feira

"Se o PDT quiser, eu vou", diz Ciro Gomes, pré-candidato a presidente da República  Felipe Borba/Divulgação
Jairo Jorge (E), ao Piratini, e Ciro Gomes, em roteiro na Serra Gaúcha Foto: Felipe Borba / Divulgação

O pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, cumpre agenda de dois dias na Serra Gaúcha. Nesta terça-feira, o ex-governador do Ceará, fez a palestra de abertura do congresso estadual da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em Gramado. Na noite desta quarta, o pedetista vem a Caxias, onde apresenta a palestra O atual momento político-econômico do Brasil. A programação será realizada no Bloco J (Economia) da Universidade de Caxias do Sul (UCS), às 19h.

De Gramado, por telefone, Ciro conversou com o Pioneiro. Ele antecipou uma análise do cenário eleitoral de 2018 e garantiu que pretende disputar a eleição, mesmo que um dos adversários seja o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, somente o PDT pode retirá-lo da disputa.

— Se o PDT decidir que serei o candidato, mesmo o Lula sendo, eu irei com todo o entusiasmo.

A seguir, confira os principais trechos da entrevista.

Pioneiro: Como interpreta o discurso da nova política?
Ciro Gomes:
Acho que é a velha política tentando enganar a população de que haveria a nova política. As práticas dominantes de corrupção, fisiologismo e clientelismo formam uma política muito antiga e viciada, mas a solução para isso não é mistificação “marquetológica”. Existe uma repulsa da população ao comportamento médio dos políticos atualmente. A gente precisa ajudar a população a entender que não há na obra humana nenhuma outra forma de resolver as questões comunitárias que são seja com a política.

Por que o senhor quer ser presidente da República?
Me preparei e treinei a vida inteira para isso. Mas quero muito entrar para a história como uma pessoa que uniu o Brasil ao redor de uma esperança de futuro muito diferente daquilo que estamos vivendo hoje.

Com quem o PDT pretende fazer aliança?
Nosso projeto vai procurar se sustentar num amplo arco de forças que reúne do centro à esquerda. Vamos formular um projeto que responda aos interesses práticos do setor produtivo e do setor que trabalha. Temos conversado bastante (com partidos), mas temos que dar tempo ao tempo. É natural que as alianças para todos os partidos vão se desenhar na prática a partir de março do ano que vem, quando o quadro vai ficando mais esclarecido. A candidatura do Lula vai ou não vai ficar? A Marina (Silva) é candidata ou não? Como vai de desvendar a confrontação interna do PSDB entre (João) Doria e (Geraldo) Alckmin?

As disputas eleitorais estão alicerçadas em debates raivosos. É estratégia para não debater os problemas estruturais do país?
Claramente. Isso é copiado da marquetagem americana, mas também está presente na direita europeia. Quando se tem um tema que interessa ao povo, esses setores reacionários perdem todos os valores envolvidos. Eles querem substituir por adjetivos, por questões religiosas, morais, porque nesse caso, sabendo que a população é cristã e católica e neopentencostal, eles querem trocar o ambiente onde o debate fere para tentar recuperar alguma vantagem que eles perderam completamente quando se trata da vida real do povo, como emprego, renda, emprego, segurança, saúde e educação. 

O senhor será candidato mesmo que o ex-presidente Lula concorra?
Tenho repetido que não gostaria de ser candidato com ele (Lula) sendo, mas apenas dependo de uma circunstância para ser, qual seja, o PDT decidir que eu seja. Se o Lula for candidato, não haverá um minuto para a gente discutir o país. Será um desserviço a ele e ao país. A eleição vai ser marcada por um radicalização entre ódio e paixão, violência. Se o PDT decidir que serei o candidato, mesmo o Lula sendo, eu irei com todo o entusiasmo.

O senhor acredita que o ex-presidente Lula será condenado em 2ª instância?
Eu torço para que ele seja absolvido. E mesmo do alto das pesquisas, que ele entenda que o seu papel histórico neste momento é não ser candidato. E, com a autoridade de uma pessoa que está exonerada pela Justiça e com a força imensa (demonstrada) nas pesquisas, ainda assim tenha a grandeza de convocar o país a uma união do campo progressista, e não precisa necessariamente que seja eu o candidato. Do oposto (Lula candidato), será ele (Lula) rachando o país, e talvez não se concilie mais ao longo dos próximos 20 anos.

Quais as alternativas para recuperar a crise econômica do país?
Tem que enfrentar três blocos de tarefas que impedem o país de crescer. Primeiro, o explosivo endividamento das empresas e das famílias brasileiras. O mercado isoladamente não vai resolver isso sem haver uma dinâmica público-privada para que a gente possa experimentar outras inovações para limpar essa causa que estrangula o desenvolvimento brasileiro. A outra grande questão é a equação financeira do setor público. É preciso desenhar uma equação que saneie as contas públicas fazendo crescer a economia e fazendo uma reforma fiscal que corrija as distorções do sistema tributário, que cobra muito mais imposto dos mais pobres e da classe média — é de 42% — e muito menos impostos dos mais ricos com uma carga tributária para eles que não passa de 12%. E terceiro, o país precisa desenhar uma dinâmica de reindustrialização forçada para equacionar o desequilíbrio estrutural nas contas do país com o estrangeiro.

Como o senhor define os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff?
É precisa separar. O primeiro governo do ex-presidente Lula tive muita honra em participar e não tenho nenhum pingo de arrependimento. Foi um governo de mudanças profundas. O salário mínimo valia 76 dólares quando ele tomou posse e quando entregou para a Dilma (Rousseff), estava valendo 320 dólares. A rede de proteção social praticamente baniu a fome. O problema é que não havia um projeto e as variáveis que permitiram que isso acontecesse não eram sustentáveis, com uma taxa de câmbio exorbitantemente alta, um ciclo muito pesado de alta de preços de commodities, e tudo isso levou a essa crise profunda, e o país alimentou mais uma vez a ilusão de expandir o consumo sem correspondência na estrutura de desenvolvimento do país.  

E o governo do presidente Michel Temer?
Isso não é governo. Isso é quadrilha.

 

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