Maioria entre a população e o eleitorado, mulheres ainda são minoria em cargos eletivos - Política - Pioneiro

Política de saias 29/10/2017 | 14h49Atualizada em 29/10/2017 | 17h04

Maioria entre a população e o eleitorado, mulheres ainda são minoria em cargos eletivos

Movimento lançado nesta semana pretende mudar esta realidade

Maioria entre a população e o eleitorado brasileiros, as mulheres ainda são minoria nos Executivos e Legislativos. Na Câmara dos Deputados, espaço com o maior número de parlamentares entre as casas legislativas, a presença feminina é de 10%. Dos 513 deputados, apenas 50 são mulheres. Na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, são três vereadoras do total de 23. O Legislativo caxiense, aliás, nunca teve mais do que três mulheres em suas legislaturas. Em 125 anos de história, completados neste ano, a Câmara teve 12 vereadoras, sendo 10 titulares e duas suplentes. 

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No Ranking de Presença Feminina no Parlamento 2017, lançado em março, o Brasil ocupa o 115º lugar, ficando atrás de países como Afeganistão, Índia e Estados Unidos. Ruanda ocupa a primeira posição, seguida de Bolívia e Cuba. O levantamento foi realizado pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI), com base no banco de dados primários do Banco Mundial (Bird) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

— O Brasil está muito atrasado — constata, em tom de indignação, Solange Meri Colzani de Borba, 47 anos. 

A advogada é integrante do movimento Política de saias, lançado nesta semana em Caxias. O grupo quer justamente mudar essa realidade, incentivando a participação de mais mulheres na política. Ao lado de Solange, outras seis mulheres iniciaram o trabalho que visa à capacitação feminina para futuras disputas eleitorais. 

— Embora existam mais mulheres em cargos de comando, em empresas, por exemplo, é algo que ainda não está sedimentado. Pode ser que a mulher não acredite que possa, pode ser que tenha outros papéis, que a política não seja prioridade — avalia a psicóloga Márcia Martini, 49, também integrante do grupo. 

O objetivo é formar lideranças capazes de vencer uma eleição e levar em frente um mandato.

— As mulheres não votam em mulheres. A gente tem que tentar compreender para mudar essa realidade — acrescenta a advogada integrante do movimento Cintia Miele Garnier, 45.

Foto: Arte: Andressa Paulino

Sem inclinação ideológica

Embora suprapartidário, o movimento tem quatro integrantes filiadas ao PSDB, entre elas, a vereadora Paula Ioris. Mas elas garantem que o objetivo é capacitar as mulheres sem formação ideológica. Tanto que a intenção é promover palestras com mulheres de diferentes partidos. 

— Queremos ser referência na formação de lideranças femininas. Muitos partidos colocam candidatas apenas para cumprir a cota — diz Fabiana Tanuri, 42, advogada e filiada ao PSDB.

O movimento Política de Saias tem como meta dobrar o número de vereadoras na próxima legislatura. Hoje, são três mulheres em Caxias. 

Iniciativa elogiada por mulheres de outras siglas

O lançamento do Política de Saias promete movimentar os partidos. Vereadora do PMDB, Gládis Frizzo já pensa em procurar as mulheres filiadas à sigla para trazê-las para o dia a dia do partido. Liderança do movimento comunitário, Gládis também quer propor ao movimento Política de Saias que eventos sejam realizados nos bairros. 

— Muitas mulheres gostariam de estar na política, mas não têm coragem ou incentivo – destaca. 

Para a vereadora e presidente do PT caxiense, Ana Corso, a iniciativa é positiva. Ela acredita que o partido, pode contribuir mostrando, por exemplo, a forma de organização do PT, onde 50% dos cargos de direção são ocupados por mulheres: 

— Só vamos crescer politicamente incorporando as mulheres. O homem pode ser solidário às causas das mulheres, mas ele nunca será mulher.

>> Siga na matéria "Mulher não gostar de política é um mito", afirma socióloga e pesquisadora da Uerj 


 

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