Prefeito Daniel Guerra obteve vitória, mas oposição sinaliza que não dará trégua - Política - Pioneiro

Mirante06/09/2017 | 07h00Atualizada em 06/09/2017 | 07h53

Prefeito Daniel Guerra obteve vitória, mas oposição sinaliza que não dará trégua

Declarações de alguns vereadores demonstram que movimentos dos opositores prosseguem

Prefeito Daniel Guerra obteve vitória, mas oposição sinaliza que não dará trégua Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O pedido de impeachment do prefeito Daniel Guerra (PRB) não passou, conforme previsto, o que não significa que a oposição vá dar trégua. A rejeição unânime dos vereadores à medida protocolada pelo bacharel em Direito João Manganelli Neto, na verdade, foi motivada pela falta de coesão no grupo contra o governo. Isso foi provocado por interesses políticos externos, que de imediato vislumbram a eleição do próximo ano.

Vários vereadores de oposição demonstraram resistência em acatar o pedido assim que foi protocolado. Se a denúncia fosse aceita com uma margem pequena de votos, seria difícil chegar aos dois terços necessários para a aprovação do impeachment ao final dos 90 dias de investigação.

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O entendimento foi de que não havia sustentação legal para abrir o processo, revelando-se um atropelo nos planos dos adversários mais ferrenhos. Porém, serviu como alerta ao governo e apoiadores, que devem ter em mente que os movimentos prosseguem.

O que ficou claro no discurso do vereador Rafael Bueno, líder da bancada do PDT, partido que tem na presidência o ex-prefeito Alceu Barbosa Velho. Ele afirmou que o pedido de Manganelli era "prematuro porque não tem nada de crime". E deu a letra:

— Mas crime a gente vê quando se nega leitos para as pessoas, e isso vai ser apurado. Com certeza a Câmara de Vereadores irá apurar, porque é inadmissível ver pessoas morrendo e não ter atendimento.

O fato de a autoria do pedido em avaliação não ser da Câmara foi ressaltado na sessão. Ao procurar se eximir do peso de ter vindo à tona a discussão sobre o impeachment, sem sustentação jurídica, vereadores davam a entender que, se for o Legislativo que vier a propor tal medida, deverá ser acolhida.

A fala de Paulo Périco (PMDB) remete a esta interpretação:

— Não estamos aqui votando a favor do prefeito Daniel Guerra. Nós estamos votando contra a admissibilidade de um pedido de um cidadão.

Expressões de Cassina e Bueno mostram que engoliram em seco ao ter que votar contra o impeachment Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Bola fora

Rafael Bueno (PDT), na ânsia de acusar, falou bobagem.
"Uma coisa eu digo para vocês, na história do município de Caxias do Sul, é o único prefeito até hoje que vai levar para o túmulo esse rótulo, que foi o primeiro a sofrer um pedido de impeachment. Aqui na cidade de Caxias do Sul nós tivemos governadores, senadores, deputados federais e estaduais, pessoas sérias e íntegras. Nunca tiveram nenhum pedido de impeachment. Esse ele vai levar para o túmulo dele, que ele foi o primeiro".

Só esqueceu que José Ivo Sartori teve pedido de impeachment quando foi prefeito, em 2011, do Movimento Vivo em Defesa da Saúde Pública de Caxias. Foi rejeitado por unanimidade. Como governador, também teve pedido de impeachment. Renato Nunes (PR) desmentiu Bueno.

Voto vencido 

Flávio Cassina (PTB) deixou claro que, se não fosse por uma decisão de bancada, votaria a favor. E quer conhecer o autor do pedido de impeachment João Manganelli Neto.

— Eu quero enaltecer a figura deste cidadão, que prestou um serviço para a comunidade caxiense. Um trabalho aprofundado e que, algumas das coisas que ele elenca aqui no seu relatório, eu acho que até tem alguma consistência se fosse mais bem trabalhado. Mas agora, o conjunto dos vereadores achou melhor, neste momento, não acatar, não admitir o processo. Então, nós vamos acompanhar a orientação, também da nossa bancada. Eu quero conhecer esse cidadão. Eu voto pela bancada, embora um pouco contrariado, porque fui voto vencido.


 

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