Assessores de deputados federais caxienses recebem R$ 370 mil por mês - Política - Pioneiro

Transparência16/09/2017 | 09h30Atualizada em 16/09/2017 | 09h30

Assessores de deputados federais caxienses recebem R$ 370 mil por mês

Esta é a soma dos salários, mais auxílios, dos CCs de Assis Melo (PCdoB), Mauro Pereira (PMDB) e Pepe Vargas (PT)

Os gabinetes dos três deputados federais caxienses custam R$ 378.023,72 por mês. O valor refere-se ao pagamento dos salários dos cargos em comissão (CCs) e de auxílios alimentação e escola. Cada gabinete parlamentar tem direito a R$ 101.971,94 para o pagamento de salários e pode contratar até 25 assessores, que são escolhidos diretamente pelo deputado. Os valores dos benefícios não estão incluídos na verba de gabinete.

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O deputado Pepe Vargas (PT) é o que tem menos assessores – 21, mas cinco deles recebem acima de R$ 10 mil. Os salários de todos somam R$ 122.098,07, incluindo os benefícios.

O petista dividiu a maioria de seus assessores em Brasília e Caxias do Sul, mas tem representação em Porto Alegre, Lajeado e Bento Gonçalves. Entre os assessores mais conhecidos de Pepe estão o ex-narrador esportivo Gerson Ben, a ex-presidente da União das Associações de Bairro (UAB) Tania Menezes e o presidente do diretório do PT de Bento, Juvelino Milese. O ex-prefeito de Lajeado, Luis Fernando Schmidt, também está lotado no gabinete de Pepe. Na eleição do ano passado, Schmidt perdeu a disputa à reeleição.

Segundo suplente, Mauro Pereira (PMDB) assumiu uma cadeira na Câmara com o ingresso de Giovani Feltes e Márcio Biolchi, ambos do PMDB, na equipe do governo José Ivo Sartori. O caxiense conta com 25 assessores – o número limite. Os salários e benefícios custam R$ 126.367,77 aos cofres públicos.

Mauro também tem a maioria de seus CCs em Brasília e Caxias do Sul, mas espalhou assessores por cidades como Porto Alegre, Alegrete, Carazinho, Santo Ângelo, Sobradinho, São Nicolau, Santa Maria e Imbé.

Entre os assessores mais conhecidos do peemedebista estão Kétia Marques e o jornalista Daniel Corrêa. Ambos foram assessores de Mauro na Câmara de Vereadores. O ex-secretário de Nova Roma do Sul em quatro mandatos Moacir Roman também trabalha para Mauro na região.

Também segundo suplente, Assis Melo (PCdoB) assumiu uma vaga na Câmara no início do ano. Atualmente, ocupa a cadeira de Ronaldo Nogueira (PTB), ministro do Trabalho. O comunista também nomeou 25 assessores para seu gabinete. Juntos, eles somam R$ 129.557,88 por mês entre salários e benefícios. A exemplo de Mauro, Assis decidiu contratar o limite de assessores e apenas um de seus CCs recebe acima de R$ 10 mil.

Entre os principais assessores do comunista estão Salvio Fontes, que trabalha com Assis desde a Câmara de Vereadores, a ex-coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UCS, Andressa Campanher Marques, e o fotógrafo e delegado do Sindicato dos Jornalistas em Caxias do Sul, Mauricio Concatto.

A assessoria de Assis se recusou a informar a lista com os nomes, salários e cidade de atuação de cada assessor. Disse que as informações estavam à disposição no site da Câmara dos Deputados e que, com exceção dos que atuam em Brasília, os demais estão lotados no Estado.

No Facebook, o assessor lotado no gabinete de Assis Ociel Poles Ribeiro usa um banner com propaganda do ministro  Ronaldo Nogueira no seu perfil.

Arte/Pioneiro
Foto: Arte / Arte/Pioneiro

O que dizem os deputados caxienses

Pepe Vargas (PT)
"Não estou usando a totalidade dos 25 (assessores). Estou com um número menor, e nós atendemos uma região enorme. Caxias e toda a região da Serra, todo o Vale do Taquari, Vale do Caí e parte da Região Metropolitana e os Campos de Cima da Serra, tudo dá em torno de 100 municípios. O deputado não tem como estar a toda hora e a todo o momento, e temos que ter uma equipe que tenha capacidade de atender. Temos uma estrutura enxuta em Brasília e prioriza a equipe no Estado para circular, fazer contatos e me representar nos eventos e em setores da comunidade. Também preciso ter gente que trabalha com comunicação, redes sociais e cumpra todas as funções. O tamanho da equipe está dimensionado de acordo com as demandas que surgem no mandato. A questão de definição de salário diz respeito à responsabilidade e competências que as pessoas têm dentro da equipe. Em Caxias, um vereador tem dois assessores para trabalhar um município. Então é óbvio que a Câmara (dos Deputados) vai ter uma estrutura maior. O que tenho de estrutura está de acordo com a legislação e as regras da Câmara. Estou trabalhando dentro das regras."

Mauro Pereira (PMDB)
"Não cuido só de Caxias do Sul e da Serra Gaúcha. Eu cuido da região do deputado eleito Marcio Biolchi. Tive que colocar pessoas na região dele. Nós cobrimos quase 300 municípios. Essas pessoas visitam os prefeitos e encaminham as demandas para mim. No meu gabinete em Brasília, atendo mais gente da Fronteira do que da Serra. Nós optamos em ter lideranças com salários menores e mais pessoas para cobrir todo o Estado. Isso é questão de ética e respeito ao titular. Eu, como suplente, poderia entrar e ser arrogante e não querer saber da vida do titular. Eu assumi e disse para o Marcio Biolchi: “Eu me comprometo com os teus compromissos nas cidades que te apoiaram.” Estou cumprindo à risca. Os assessores foram indicados pelas lideranças da região, por deputados estaduais e pelo Biolchi também. O deputado federal representa em Brasília a sociedade gaúcha. As pessoas que trabalham comigo têm uma relação grande com toda a sociedade."

Assis Melo (PCdoB)
O deputado federal do PCdoB foi procurado pela reportagem do Pioneiro para comentar sobre quais os critérios utilizados para a contratação dos assessores, mas não retornou às ligações até o fechamento da edição.

 

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