Comissão da Câmara de Caxias pedirá ao MP que investigue possível abuso da Guarda Municipal - Política - Pioneiro

Manifestação22/08/2017 | 21h13Atualizada em 22/08/2017 | 21h13

Comissão da Câmara de Caxias pedirá ao MP que investigue possível abuso da Guarda Municipal

Protesto contra reintegração de posse terminou em confronto 

Comissão da Câmara de Caxias pedirá ao MP que investigue possível abuso da Guarda Municipal André Fiedler/Agencia RBS
Foto: André Fiedler / Agencia RBS

O protesto de um grupo de moradores de diversos bairros de Caxias, contra reintegração de posse, nesta terça-feira, em frente à prefeitura, terminou em confusão e terá desdobramentos nos próximos dias. Manifestantes e Guarda Municipal entraram em confronto e pelo menos uma pessoa ficou ferida. 

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores realizará ainda nesta semana uma reunião extraordinária e pretende encaminhar representação ao Ministério Público (MP) para que investigue suposto abuso da Guarda.

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A intenção, conforme o vereador Rodrigo Beltrão (PT), é ouvir moradores que participaram do ato e membros da administração municipal para levantar informações.

— No meu entendimento, foi uma arbitrariedade, foi claro abuso do poder. O direito de acessar à prefeitura a partir das 10h é de qualquer um. E não dá para ter essa atitude onde há crianças e idosos — diz Beltrão.

A ação, por orientação do governo, foi filmada. As imagens, conforme o chefe de Gabinete, Júlio César Freitas da Rosa, estão sendo analisadas para verificar se houve abuso. 

Reação

A versão de Rosa é de que a Guarda teve de utilizar força para reprimir os manifestantes quando eles tentaram avançar sobre o cordão formado pelos guardas na porta de entrada da prefeitura.

— Qualquer abuso que seja identificado, seja por parte de manifestante, seja por parte da Guarda, será apurado e feito o devido encaminhamento legal da questão — garante Rosa.

A análise das imagens é coordenada pela Secretaria de Segurança. De acordo com o titular da pasta, José Francisco Mallmann, os guardas apenas reagiram a agressões verbais dos manifestantes.

— Qualquer exagero que possa ter sido cometido será apurado, não aprovamos qualquer forma de abuso de força — diz o secretário, que entrou em contato com a assessoria da Comissão de Direitos Humanos avisando que a situação era delicada em frente à prefeitura.

Tentativa de falar com Guerra

Com o tumulto em frente à prefeitura, a sessão desta terça-feira da Câmara de Vereadores terminou mais cedo. Conforme relatos dos próprios parlamentares, pessoas entraram no plenário da Casa pedindo ajuda. Após o fim do protesto, uma comitiva tentou conversar com o prefeito Daniel Guerra (PRB), mas não foi recebida.

Presidente em exercício do Legislativo, Alberto Meneguzzi (PSB) primeiro ligou para o secretário de Governo, Luiz Caetano, que informou que as imagens seriam analisadas e depois poderia falar com os vereadores sobre o episódio. Mesmo assim, Meneguzzi e outros colegas decidiram ir à prefeitura conversar com Guerra ou com o chefe de Gabinete.

— Todo mundo ficou preocupado. Pelos vídeos que vi, foi uma ação bem truculenta — destaca Meneguzzi.

Conforme Júlio César Freitas da Rosa, chefe de Gabinete, os vereadores não foram recebidos nem por ele nem por Guerra, porque já havia sido feito contato com Caetano:

— A Câmara tem de começar a se organizar nos seus movimentos. O primeiro contato foi por telefone do presidente em exercício da Câmara com o Luiz Caetano. Foi dito que assim que fossem analisadas as imagens, seria feito contato com o presidente da Câmara. Veio uma comissão querendo falar com o prefeito. Precisamos nos organizar. Já existia um contato entre presidente da Câmara e secretário de Governo.

Vereador volta a falar em impeachment 

Antes da confusão em frente à prefeitura, o vereador Elói Frizzo (PSB) voltou a falar em impeachment do prefeito Daniel Guerra. Durante a sessão ordinária, Frizzo disse que a sequência de atitudes da administração municipal tem levado à quebra das relações com a comunidade caxiense.

O tumulto desta terça-feira, segundo ele, agrava ainda mais a situação.

— Estão se criando as condições para o impeachment. A questão com o vice virou piada nacional. A relação com a cidade inexiste. Ele está perdendo as condições de governabilidade — destaca Frizzo.

 

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