"Sem Reforma da Previdência, a saída será o aumento de impostos", diz Perondi - Política - Pioneiro

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Entrevista da 2ª31/07/2017 | 07h55Atualizada em 21/08/2017 | 17h28

"Sem Reforma da Previdência, a saída será o aumento de impostos", diz Perondi

Homem da linha de frente do Governo Temer reforça a importância da reforma e revela que o reajuste dos combustíveis não mexe na inflação

"Sem Reforma da Previdência, a saída será o aumento de impostos", diz Perondi DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO

O vice-líder do Governo Michel Temer (PMDB) na Câmara Federal, deputado gaúcho Darcísio Perondi (PMDB), sinaliza com um novo aumento de impostos caso a Reforma da Previdência seja derrotada. Para o peemedebista, somente com a aprovação da reforma haverá a recuperação da economia.

— Se não sair a Reforma da Previdência não tem outra saída: aumento pesado de imposto.

Entrevista da 2ª

Homem da linha de frente do Governo Temer, Perondi também defende a Reforma Tributária e um programa de desburocratização para auxiliar a readquirir a confiança dos investidores.Na entrevista realizada na terça-feira, o deputado criticou a gravação do empresário Joesley Batista, proprietário da JBS, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autor da denúncia de corrupção passiva contra o presidente da República. A seguir, confira a entrevista na íntegra.


Pioneiro: O presidente Michel Temer tem aprovado seus projetos no Congresso. O que ainda é necessário para recuperar a economia do país?

Darcísio Perondi:
A Reforma da Previdência, que sem ela o país afunda. A Reforma Tributária e um programa de desburocratização. São esses três pontos.


Baseado em que o governo acredita que a Câmara não receberá a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Temer?

Votamos duas vezes na Comissão de (Constituição e) Justiça (da Câmara dos Deputados) que a denúncia é inadmissível, mas precisa passar pelo Plenário. Confirmamos que a denúncia é vazia, inconsistente e inepta. A base do governo é forte e a oposição não tem os 342 votos de que precisa. O governo não está de sapato alto. O governo está trabalhando também a sua base. Tenho feito um desafio para a oposição para que não fuja da raia e venha trabalhar dia 2 (de agosto, quando ocorrerá a votação da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Temer) na Câmara. Venha, discuta e vote a favor da denúncia, se quiser, mas venha trabalhar porque vai se desmoralizar se não comparecer. Ela (oposição) se aliou a uma denúncia corporativista do procurador (Rodrigo Janot) que está contra a Reforma da Previdência, mais aquele empresário facínora (Joesley Batista, autor da gravação de Michel Temer) e a oposição. Se ela quiser confirmar esse comportamento, não comparece. Nós vamos continuar trabalhando.


Não é melhor para o presidente votar a denúncia do que ficar à espera de um quórum que pode não acontecer?

A responsabilidade de colocar quórum é da oposição. Eles têm de colocar 342 deputados. A sessão vai abrir com 51 (deputados presentes), a discussão começa com 257 presenças e a votação só começa quando (o plenário) tiver com a presença de 342 deputados. A oposição que quer derrubar o relatório e que validou a denúncia tem que ter 342 votos, mas ela não tem. Se ela quiser ajudar o país a convergir um pouco, vai lá e dá presença. Quem tem que pôr os 342 votos é oposição. A oposição que venha votar. O Brasil todo vai ficar de olho.


O conteúdo das gravações da conversa com Joesley Batista não retira condições políticas do presidente permanecer no cargo?

O conteúdo não é grave? Não, de forma nenhuma. Foi uma gravação montada numa aliança do procurador corporativista e petista, o senhor Janot, aliado ao empresário mais odiado no país, Joesley, que assaltou o país no tempo do PT quando comprou dólar prévio e vendeu ações da empresa alguns dias antes da gravação. Joesley pegou milhões de reais de empréstimo do BNDES a juros subsidiado do Pronaf (o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Essa gravação é fraca e foi a defesa do advogado do Michel. Você não pode gravar uma pessoa em seu benefício. Três institutos de perícia dizem que houve edições, mas o instituto da Polícia Federal diz que não houve, mas admite que houve 280 interrupções. Qualquer delegado ou promotor invalida como prova. O presidente foi vítima de uma gravação de um empresário facínora que fez aliança com um corrupto como o Joesley, que comprou meia República. Apesar da pressão, nunca vista, de uma parte hegemônica da imprensa, o Michel está fechando 65 dias depois da denúncia e o governo segue trabalhando e avançando. Em nenhum momento passou ou passa pela cabeça a renúncia. É impressionante, ele tem uma inteligência emocional e cresce com os desafios. É um homem muito íntegro.


O presidente Temer disse que a população vai entender o aumento de impostos. O senhor concorda com o presidente?

Quando fizemos o impeachment, dissemos que o Brasil iria demorar para se recuperar. Quando o Michel assumiu com uma extraordinária equipe econômica e desenvolveu uma plataforma de reformas, dizíamos e ainda dizemos que o país levaria no mínimo três anos para sair da crise primária. O governo fecha as contas pedindo dinheiro emprestado, porque os tributos não cobrem a gastança desmedida e irresponsável dos governos anteriores, principalmente dos cinco anos e meio do governo da (ex-presidente) Dilma (Rousseff). Conseguimos sair da depressão econômica só este ano. Estamos saindo da recessão, mas a arrecadação não respondeu nesses 14 meses sem aumentar impostos. Por essa manobra satânica do Janot e do Joesley, a Reforma da Previdência foi adiada. Então, tudo isso influenciou. Para não mexer na meta fiscal, o governo fez uma opção de aumentar o imposto, mas a gasolina pode cair daqui a 10, 15 dias, porque agora a Petrobras não está financiando o caixa do governo. Esse reajuste não mexe com a inflação, pior se mexesse com a inflação. Agora o preço da gasolina oscila de acordo com o mercado internacional. Se não sair a Reforma da Previdência, não tem outra saída: aumento pesado de imposto.


A oposição está relacionando o aumento de impostos à designação de emendas parlamentares para os deputados indecisos para a votação da denúncia contra o presidente. Não dá muito na vista a concentração de emendas antes da votação da denúncia?

A emenda parlamentar é uma instituição que está na Constituição Federal, é impositiva e o governo é obrigado a pagar as emendas parlamentares independente da bandeira partidária. A emenda não vai para o bolso do parlamentar, mas para o Hospital Pompeia, para fazer uma ponte entre duas cidades, para uma estrada, para recuperar uma Santa Casa, para recuperar uma escola. É uma instituição absolutamente legal. Sou o vice-líder do governo e tive o mesmo valor da (deputada federal) Maria do Rosário (do PT). O (deputado pelo MS Carlos) Marun, outro líder do governo, teve R$ 5 milhões de empenho e um deputado de São Paulo do PT teve R$ 9 milhões empenhado. Com esses dados, estou dizendo que esse foi um mantra que a oposição levantou. As emendas são legítimas e o governo empenhou proporcionalmente. O governo planejou o empenho a partir de maio e o governo está seguindo um cronograma, houve coincidência.


Deputado, o PMDB terá candidato à presidência em 2018? Qual caminho o partido irá adotar?

Acho que não teremos (candidato). Hoje não temos candidatos. O Michel já declarou logo que assumiu (a Presidência) que em hipótese alguma seria candidato. O governo tem uma base sólida e ele não quer desmontar. O PMDB dificilmente terá candidato à Presidência da República. Possivelmente, (candidato) a vice-presidente, mas a presidente não.

 
 
 

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