Nomeação de esposa de vereador provoca reação na Câmara - Política - Pioneiro

Mirante14/07/2017 | 08h51Atualizada em 14/07/2017 | 14h19

Nomeação de esposa de vereador provoca reação na Câmara

Adiló Didomenico falou em nepotismo e Renato Nunes disse que levará lista de casos ocorridos na gestão passada 

Nomeação de esposa de vereador provoca reação na Câmara Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Na Câmara, Renato Nunes (à frente, ao microfone) voltou a dizer que a definição se deu por currículo  Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A nomeação da esposa do vereador Renato Nunes (PR), Cristiane Nunes, como cargo em comissão da Codeca (padrão 4, R$ 2.539,50), divulgada pelo Mirante, ontem, repercutiu na Câmara de Vereadores. E não poderia ser diferente, afinal, o discurso do prefeito Daniel Guerra (PRB), mais uma vez, difere da prática.

Na segunda-feira, ao falar sobre os seis meses de governo, Guerra lascou: "(A prefeitura) Não é lugar de compadrio de amigos e nem de partido políticos... Aqui não tem QI (quem indica). Aqui existem situações em que as pessoas estão tão somente pela sua qualificação, capacidade de fazer".

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Nunes é presidente do PR, que ao lado do PRB e PEN formam a coligação governista. Segundo suplente, ele assumiu vaga na Câmara há pouco mais de um mês e o titular, Elisandro Fiuza (PRB), tornou-se secretário municipal. Ações que contrariam o que o prefeito defendia. Um vereador recebe R$ 10,6 mil.

O vereador Adiló Didomenico (PTB) falou em suspeita de nepotismo cruzado, o que demonstra interferência política da administração municipal na Codeca. Ele disse ter informações de que antigos servidores com FG (função gratificada) sofrem pressão para sair.

— Eu me preocupo com o que vai acontecer com a Codeca, se a pressão política chegou a esse ponto — disse Adiló, que presidiu a companhia por sete anos.

A argumentação de Nunes já era conhecida: ele e a esposa enviaram currículo à prefeitura e participaram de seleção (ele foi para a administração como CC8, até ingressar na Câmara).

Chateado

– Todos têm o mesmo direito. Eu fico chateado quando o senhor fala em nepotismo, porque, na gestão passada, o que mais tinha eram parentes conhecidos. Por exemplo, estava lá (na prefeitura) o (Edson) Néspolo (ex-secretário municipal e ex-presidente da Festa da Uva), e a Eloá (Néspolo, irmã de Edson) estava aqui (na Câmara) – reagiu Nunes.

Ele disse que vai apresentar uma lista com esses casos.

"Política de compadrio"

Rafael Bueno (PDT) também falou sobre a nomeação da esposa de Renato Nunes. E arrematou:

— O vereador Renato Nunes agrada o prefeito aqui. Em contrapartida, para agradecer, o prefeito dá um CC para ele. Esta é a política do compadrio. Fizeram uma manobra, criaram uma bancada aqui na Câmara de Vereadores, que vai gerar mais de R$ 25 mil ao mês de custos. Tiraram CC de lá (na prefeitura) para por aqui (na Câmara), para abrir mais CC lá.

Completou com uma afirmação que constrange o governo municipal, se confirmada:

— Nesta administração, mais de 20 CCs são casais, comadres, compadres, cunhadas.

Confere, prefeito?

 

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