Lideranças analisam a capacidade, o estilo e a forma de comunicação do prefeito de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

Dialógo15/07/2017 | 14h40Atualizada em 15/07/2017 | 14h40

Lideranças analisam a capacidade, o estilo e a forma de comunicação do prefeito de Caxias do Sul

Daniel Guerra estabeleceu critérios para agendamento de audiências

Lideranças analisam a capacidade, o estilo e a forma de comunicação do prefeito de Caxias do Sul Paula da Rosa/Divulgação
Guerra atendeu à direção passada da UAB na recepção do gabinete, encontro que se tornou emblemático Foto: Paula da Rosa / Divulgação

As agendas do prefeito Daniel Guerra (PRB) com representantes de entidades e empresas seguem diretrizes para o diálogo pré-estabelecidas pelo governo. Entre os critérios definidos está o de não receber fornecedores do setor público e de que os assuntos sejam primeiramente tratados com os secretários. Dessa forma, o prefeito somente recebe visitas institucionais com interesse da população. A medida também vale para o chefe de Gabinete, Júlio César Freitas da Rosa (PRB). 

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  • A ação foi revelada pelo próprio prefeito durante entrevista coletiva de prestação de contas dos seis meses da administração, na última segunda-feira. No primeiro semestre, Guerra atendeu a 170 pedidos de agendamento de entidades — uma média de 28 por mês. O número total de solicitação de encontros não foi divulgado.

Guerra aproveitou a entrevista coletiva para rebater as reclamações de falta de diálogo. Em poucas palavras, ele garantiu que existe diálogo com a população durante visitas às escolas, UBSs e nos "bairros e vilas" da cidade.

— Como posso saber a realidade se não estou onde vivem as pessoas? Nós dialogamos com todos — defende.

Na maior parte da resposta sobre o diálogo, Guerra disparou:

— O diálogo dos interesses dos partidos, o diálogo do uso do dinheiro público para interesse de pequenos grupos, o diálogo do "jeitinho", o diálogo das negociações. Esse diálogo não vai ter. Não adianta chorar e espernear — ressaltou.

Uma das entidades que reclama a falta de diálogo com a administração está com agenda marcada com o prefeito Daniel Guerra para o dia 28 de julho. O presidente da União das Associações de Bairros (UAB), Valdir Walter, diz que vai apresentar a nova direção que tomou posse no mês passado. Além disso, a entidade pretende entregar um documento com as demandas "mais críticas" da comunidade: segurança e saúde.

— Estamos solicitando o diálogo com o prefeito desde janeiro e não tinha acontecido. Agora com a nova gestão (da UAB) protocolei e deu a resposta em uma semana que iria atender a entidade.

Em fevereiro, a então diretoria da UAB, principal entidade comunitária de Caxias do Sul, que representa os moradores dos bairros, foi até Guerra, mas ele deixou o grupo esperando e apenas o recebeu na antessala do gabinete.

Nas últimas semanas, as agendas políticas de Guerra começaram a ganhar fôlego. Ele recebeu o deputado federal Mauro Pereira (PMDB) e os vereadores Rodrigo Beltrão (PT), Adiló Didomenico (PTB) e Paula Ioris (PSDB).

O presidente da UAB vê com desconfiança a possibilidade de diálogo permanente com Guerra e pretende aguardar para opinar somente após a agenda.

A UAB também pretende convidar o prefeito para apresentar oficialmente o seu secretariado para as lideranças comunitárias. Walter pretende deixar pré-agendado o encontro para a Assembleia Geral do mês de setembro.

Em janeiro, a Visate tentou uma agenda com Guerra. A prefeitura negou o encontro, e disse que não era de interesse público.

Guerra chamou o vereador Rodrigo Beltrão para a sanção de projeto Foto: Petter Campagna Kunrath / Divulgação

Respeito e otimização do tempo

Para o chefe de Gabinete do prefeito Daniel Guerra, Júlio Freitas, as diretrizes para o aceite de agendas com o prefeito estão baseadas em respeito e otimização de tempo. Ele argumenta que, com a escolha de secretários técnicos em cada área, eles estão aptos a atender às demandas da população.

— As diretrizes foram pensadas no respeito a quem busca o poder público e na resolução mais rápida possível para as demandas apresentadas. A forma mais rápida para resolver é falar primeiro com os secretários, que têm informações técnicas para avançar ou para dizer não.

Freitas garante que o governo tem o entendimento ao diálogo de respeito às instituições e aos poderes. Segundo ele, as agendas com políticos seguem o mesmo critério. Sempre que a reivindicação for específica, deve ser procurado o titular da pasta. As agendas de assuntos de interesse geral da comunidade são atendidas por Guerra.

— A aproximação é necessária e nunca deixou de ser feita pela administração pública.

"Ele não conversa e não negocia", diz representante dos médicos

Na entrevista coletiva, Daniel Guerra usou como exemplo negativo a categoria dos médicos da rede municipal que estão em greve e buscavam uma reunião com o prefeito para apresentar a proposta de continuar sem registrar o ponto biométrico e deixar de cumprir a carga horária. Guerra rejeitou o diálogo da 'ilegalidade".

O coordenador da comissão representativa dos médicos do SUS, André Pormann, reconheceu que os médicos haviam apresentado a proposta, mas diz que ela já foi abandonada. O médico afirma que a única proposta é aumento salarial.

— Não há diálogo com as entidades. Infelizmente, ele (Guerra) não conversa e não negocia. A gente espera diálogo e que as partes possam expor as suas reivindicações e que cheguem a um denominador comum.

Pormann ainda acredita que possa haver um diálogo entre a categoria e o prefeito.

— Se estamos com esse movimento de greve organizado é com esperança de que a gente consiga construir um diálogo que seja interessante para o município, os médicos e usuários do SUS.

Com duas audiências realizadas com Daniel Guerra, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) de Caxias do Sul, Sadi Donazzolo, reconhece o bom atendimento, mas diz que outras entidades ainda não conseguiram ser recebidas pelo prefeito.

Para Donazzolo, o prefeito deve melhorar o relacionamento com as entidades caxienses e participar mais dos eventos.

— Ele não tem ido nas reuniões-almoço da CIC. Não tem ido nos eventos para que é convidado, como no Homens na Cozinha. O governador (José Ivo Sartori) estava lá e ele (Guerra) não foi e não mandou representante. Ele tem que se relacionar melhor com as entidades – frisa.

Diretrizes de Guerra
:: Não receber fornecedores do setor público.
:: Os assuntos devem ser primeiramente tratados com os especialistas de cada área. Havendo a necessidade de um posicionamento do governo, o secretário correspondente apresenta a demanda ao prefeito e dá o retorno ao solicitante.
:: O prefeito recebe visitas institucionais e de interesse da coletividade.

Guerra com a Associação de Pais e Alunos do Cetec Santa Fé Foto: Petter Campagna Kunrath / Divulgação

Algumas entidades atendidas
:: Representantes dos moradores de rua.
:: Representantes das associações de recicladores.
:: Associação de Pais e Alunos do Cetec Santa Fé.
:: Estudantes de escolas públicas e privadas.
:: Representantes dos taxistas.
:: Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul (Sindiserv).
:: Festas do Divino Espírito Santo de Criúva e de Vila Seca.
:: Câmara Municipal de Caxias do Sul.
:: Universidade de Caxias do Sul (UCS).
:: Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG).
:: Centro Universitário UniFtec.
:: Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).
:: Sindilojas.
:: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
:: Instituto da Audiovisão (Inav).
:: Associação dos Aposentados e Pensionistas de Caxias do Sul (Aapopecs).
:: Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (CIC).
:: Brigada Militar.
:: Corpo de Bombeiros.
:: Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), entre outras.

* A UAB, principal entidade que representa moradores de bairros de Caxias do Sul, só será atendida em agenda formal agora, dia 28 de julho.


 

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