Quem são e o que pensam os candidatos à presidência da UAB de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

Movimento comunitário02/06/2017 | 09h28Atualizada em 02/06/2017 | 09h28

Quem são e o que pensam os candidatos à presidência da UAB de Caxias do Sul

Escolha da nova direção da União das Associações de Bairros e de 196 associações de moradores de Caxias ocorre no domingo

Quem são e o que pensam os candidatos à presidência da UAB de Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Quatro candidatos disputam eleição que ocorre no próximo domingo Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Há 10 anos, a União das Associações de Bairros (UAB) de Caxias do Sul não tinha um pleito tão disputado. Desde 2007, quando três candidatos concorreram à presidência, não houve uma eleição com mais de duas chapas. Agora, no entanto, são quatro candidatos em busca do comando da entidade. 

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Valdir Walter, presidente entre 2011 e 2015, representa a situação. Contra ele, Cassiano Fontana, conhecido como Amarelinho, Tania Menezes e Itacir Pegoraro. Todos eles têm experiência comunitária. Amarelinho e Pegoraro foram presidentes de bairro e Tania esteve à frente da UAB de 2003 a 2007.

Enquanto Valdir defende a continuidade do trabalho desenvolvido pela atual direção, que tem como presidente Flávio Fernandes, os demais reclamam que a UAB está enfraquecida e longe das lideranças comunitárias. Os três candidatos de oposição são unânimes em dizer que é preciso "resgatar o movimento comunitário".

Para conquistar o voto dos eleitores, os quatro postulantes ao posto de presidente da UAB falam sobre suas propostas. Eles também avaliam as gestões municipal, estadual e federal. Confira:

O situacionista Valdir Walter, candidato da chapa 11 Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Valdir Walter - Chapa 11
Idade: 51
Profissão: motorista
Experiência comunitária: foi presidente da UAB entre 2011 e 2015.
Filiação partidária: PT

Por que ser presidente da UAB? 
— A gente quer dar continuidade ao trabalho e a gente sabe da necessidade que a população tem de um movimento forte, que realmente batalhe pela população.

Principais propostas
:: Cobrar mais segurança e policiamento comunitário nos bairros, além de vagas em escolas infantis e melhorias na saúde, com mais médicos nas UBSs.
:: Valorizar o esporte nas comunidades.
— A nossa incumbência é cobrar nossos políticos para que eles venham a dar respaldo à população, porque nossa população paga imposto e temos de ter retorno.

Como avalia os três governos

Governo Guerra
— É um governo que veio como novidade, mas essa novidade está sendo bem difícil, porque ele não está recebendo nenhuma entidade. Fica bem distante da população. A população que necessita de algum trabalho, não está conseguindo acesso. Acho que o poder público municipal tem de chegar mais na comunidade, chegar mais nas entidades e começar a abrir o leque, porque está muito fechado. E esse ¿muito fechado¿ é perigoso, porque amanhã ou depois uma entidade grande pede a cassação dele e o povo vai para a rua, e aí não tem o que fazer. Ele praticamente disse que obras nos três primeiros anos não vão existir. Para nós, população, fica difícil.

Governo Sartori
— Deixa a desejar, mas, claro, o governo do Estado, qualquer um, acho que até se Deus viesse governar o Estado, não ia conseguir resolver. É um Estado que está quebrado. O que temos de fazer é cobrar as dívidas que o Estado tem. Se cobrássemos as dívidas, tenho certeza que o Estado voltaria a crescer e a ser como era antigamente. A gente fica triste e preocupado. Acho que temos de buscar mais empresas para o Rio Grande do Sul e não deixar ir embora.

Governo Temer
— É um governo que veio, infelizmente, através de um golpe. Acredito que antes mesmo da eleição da Dilma já vinha se preparando esse golpe para que o PMDB assumisse e fizesse essas reformas malucas, prejudiciais à classe trabalhadora.

Candidato Cassiano Fontana, o Amarelinho, da chapa 12  Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Cassiano Fontana, o Amarelinho - Chapa 12
Idade: 39
Profissão: representante comercial.
Experiência comunitária: foi presidente das Amobs Alto de Galópolis, Bom Pastor e Vila Lola.
Filiação partidária: PSB

Por que ser presidente da UAB?
— Minha motivação são 22 anos no movimento comunitário. Estou motivado e quero ser presidente por entender que a UAB enfrenta vários problemas. Eu diria que a UAB agoniza nos últimos seis anos. Lamentavelmente, a nossa entidade acabou sendo trampolim de partido político e as lideranças comunitárias acabaram se afastando.

Principais propostas
:: Cumprir o estatuto da UAB.
:: Solicitar ao Executivo municipal o retorno do Fundo da Moradia Popular.
:: Defender a construção de quatro pronto-atendimentos de saúde.
:: Acompanhar o déficit das vagas na educação infantil.
:: Defender a realização da Festa da Uva em 2018.
— O papel da UAB não é fazer política. A UAB é uma entidade apartidária, sem cunho religioso, uma entidade que tem de atender a suas associadas. Nós queremos devolver a UAB para as comunidades para que a gente possa ter força coletivamente e encaminhar os pedidos para os órgãos competentes.

Como avalia os três governos

Governo Guerra
_Aquilo que prometeu na campanha está cumprindo. Agora, é lógico que acabou se afastando um pouco das comunidades. Acho que precisaria de um diálogo com as comunidades, com a própria UAB. Vencendo a eleição, vamos tentar criar essa relação para que o movimento comunitário seja respeitado. Aquilo que ele prometeu, está fazendo, mas o resultado é negativo. Ele está fazendo mudanças, mas está indo contra o que os bairros e a nossa população precisam.

Governo Sartori
— O Governo Sartori pega um Estado quebrado, acabou tomando algumas medidas impopulares, mas alguém tinha que iniciar. As medidas que ele fez foram para salvar o Estado para amanhã ou depois não quebrar. É lógico que o servidor público deveria ter tido atenção melhor em algumas questões.

Governo Temer
 Eu diria que é o Governo Dilma e Temer, porque era o Governo Dilma e agora continuou a mesma coisa, os mesmos problemas, tanto na questão econômica quanto na questão política. Acho que é inevitável, não tem como não ter o impeachment dele. E eu defendo eleições diretas para as coisas voltarem ao normal.

Tania Menezes, candidata da chapa 13  Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Tania Menezes - Chapa 13
Idade:
62
Profissão: dentista.
Experiência comunitária: foi presidente da UAB de 2003 a 2007 e é presidente da Amob Villa-Lobos-Vergueiros.
Filiação partidária: PT

Por que ser presidente da UAB?
— É uma decisão coletiva de vários líderes dos nossos bairros, começamos a conversar no ano passado. A UAB precisa mudar, a situação em que ela se encontra é muito ruim, muito desgastante, esvaziada das suas lideranças, desgastada perante o poder público. A UAB é uma entidade que, ao longo da sua história, surgiu para unir as associações de moradores e juntas se tornarem mais fortes.

Principais propostas
:: Resgatar o movimento comunitário.
:: Reativar o Conselho do Orçamento Comunitário.
:: Garantir que a Maesa fique a serviço da comunidade.
— Nossa chapa tem como principal proposta resgatar o movimento comunitário, estar presente nos bairros, junto às associações e através dessa união conseguir melhorar a qualidade de vida dos moradores, tanto no que diz respeito à infraestrutura, como calçamento e saneamento, e também a questão dos serviços, como saúde, educação, políticas de inclusão social, cultura. O resgate passa pelo fortalecimento das lideranças dos bairros. À UAB não cabe fazer oposição a este ou àquele governo. À UAB cabe o papel de unificar os seus filiados na defesa dos direitos dos moradores.

Como avalia os três governos

Governo Guerra
— Acho que o governo ainda está no início, mas nós já temos alguma avaliação em relação à participação popular. É preciso resgatar o Orçamento Comunitário e construir o Conselho do Orçamento Comunitário. Discordamos da orientação que o prefeito deu de fazer reuniões apenas daqui a três anos. Achamos que elas têm de acontecer todos os anos. A participação popular não se dá só em cima de obras, se dá também nas questões de manutenção da cidade e dos serviços. Acho que o prefeito tem de ouvir as comunidades, as associações e a UAB. O presidente de bairro é o que mais entende dos problemas que o bairro tem.

Governo Sartori
— Primeiro, não cumpriu a grande maioria das propostas, e o que mais o pessoal reclama é a segurança pública. É um problema recorrente, tem se agravado ao longo do tempo e a gente não vê alternativas. Ao contrário. Policiamento Comunitário foi um método utilizado por vários governos e vem sendo esvaziado paulatinamente. Temos pedidos (de núcleos) de vários bairros. Essas coisas não só não avançaram como acabaram diminuindo, inclusive com o fechamento de vários postos de policiamento na cidade.

Governo Temer
— Assumiu com uma proposta de resolver os problemas, principalmente as questões da corrupção, e o que a gente vê é assustador. Cada dia, mais e mais ministros e congressistas envolvidos, e a população não suporta mais. E ainda o que é pior é a falta de democracia. Uma repressão dos movimentos. O Brasil tem uma democracia muito jovem ainda, mas já passamos por lutas muito importantes, como das Diretas Já e, infelizmente, essa é uma palavra de ordem que voltou à tona. Estamos perdendo muitos recursos na área da educação, na saúde. Para nós, moradores de bairros, o ProUni foi muito importante. E na saúde, o fim do financiamento em bloco e o congelamento do orçamento da saúde vão trazer problemas diretos nas nossas unidades básicas.

Itacir Pegoraro, candidato da chapa 14  Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Itacir Pegoraro - Chapa 14
Idade:
51
Profissão: comerciante.
Experiência comunitária: foi presidente da Amob São Victor-Cohab.
Filiação partidária: PSD

Por que quer ser presidente da UAB?
— A gente vê a necessidade de termos uma UAB voltada aos bairros, uma UAB de luta, porque hoje a UAB está muito engessada, muito distante dos bairros, da comunidade. A UAB hoje está vazia. Primeiro, a gente tem de buscar a credibilidade da comunidade, dos presidentes de bairros, para que eles voltem a participar da UAB e trabalhar junto. Hoje tudo é em conjunto com as Relações Comunitárias (coordenadoria da prefeitura), com o gestor. Ter um bom diálogo, levar as demandas ao conhecimento do gestor e ver o que se pode fazer junto.

Principais propostas
:: Estabelecer diálogo com os poderes públicos para encaminhar demandas.
:: Fazer parcerias com a prefeitura para realizar, por exemplo, eventos nos bairros.
:: Defender saúde de qualidade, com aproximação do Conselho Municipal.
:: Cobrar segurança pública.
— A UAB pode fazer muita coisa, porque ela tem muita força. Não adianta estar brigando, com briga tu não faz nada, mas se tu tiver diálogo, vai levar ajuda a muitas comunidades. A gente quer trabalhar, modificar isso aí, quer trazer o novo para a comunidade. A gente vai ter que chegar no poder público, no gestor, nos secretários e fazer essa parceria, porque sem essas parcerias a gente não vai fazer nada.

Como avalia os três governos

Governo Guerra
— Acho que é cedo para a gente estar apedrejando. A gente está analisando nos bairros o que o povo está falando, uns a favor e outros que acham que algumas coisas têm de mudar, por exemplo, o diálogo, que ele não está conversando. Muitos me perguntaram: "ah, não estão recebendo a UAB e tu sendo o presidente da UAB?" Eu acredito que ele vai me atender, com certeza. Ele hoje é o prefeito de Caxias, não estamos criticando, acho que a gente tem de fazer um trabalho junto. Ganhando a UAB, tenho certeza de que, na primeira semana, a gente já vai ter contato com o prefeito.

Governo Sartori
— O Governo Sartori está mostrando a realidade do Estado. Não tem outra saída, não tem de tapar o sol com a peneira. Pegou o Estado e mostrou a situação. Claro que, diante desse cenário político, fica difícil trabalhar. Mas acredito que ele vai colocar o Estado nos trilhos, claro que não é a curto prazo, é uma dívida muito grande. Mas a longo prazo, se caminhar nesse sentido, acredito que vai sair do fundo do poço.

Governo Temer
— Ficou bem complicado, acho que não vai ter sustentabilidade para se manter diante de toda essa situação que vem aparecendo. Não tem mais força. Não tem outro jeito, se ele não sair, não se escapa de outra forma. Vai só levando o país cada vez mais, alongando essa crise. O país precisa urgente retomar o rumo.

Serviço
:: O que:
eleições para presidência da UAB e das Amobs.
:: Quando: domingo, dia 4, das 8h às 15h.
:: Onde: nos bairros.
:: O que levar: documento de identidade.
:: Quem vota: sócios das associações de moradores.

 
 

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