Uma polêmica a cada seis dias no governo do prefeito de Caxias do Sul - Política - Pioneiro

Governo Guerra27/05/2017 | 07h01Atualizada em 27/05/2017 | 07h01

Uma polêmica a cada seis dias no governo do prefeito de Caxias do Sul

Pioneiro listou os principais impasses dos cinco meses da administração municipal, conforme a repercussão

Uma polêmica a cada seis dias no governo do prefeito de Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Nove entidades ou empresas tiveram de sair das réplicas da Festa da Uva e celebração foi adiada Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O governo do prefeito Daniel Guerra (PRB) suscitou um conflito a cada seis dias nos primeiros cinco meses da administração. Para mostrar as principais polêmicas, o Pioneiro relacionou 25 situações de impasse (quadro abaixo) que produziram repercussão, alcançando por seus efeitos a uma parcela da população ou a entidades. Na sessão desta quinta-feira da Câmara, o vereador Adiló Didomenico (PTB) chegou a apontar 39 polêmicas. O Pioneiro considerou em sua contagem apenas aquelas de repercussão inegável.

Durante a campanha eleitoral, Guerra adotou o discurso de gestor. Em seu discurso de posse, fez questão de frisar que faria um governo aberto ao diálogo. Mas, ao longo de sua atuação, a falta de diálogo tem sido apontada em diversas oportunidades e a ela são atribuídos conflitos em série.

Entre as polêmicas de maior expressão, estão a demora em terminar com a greve dos médicos da rede municipal e o adiamento da Festa da Uva, que recebeu a contrariedade da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e de sindicatos patronais na quinta-feira.

Na última semana, o Governo Guerra produziu novos conflitos, incluindo o anúncio do corte de repasses para os atendimentos de fisioterapia e fonoaudiologia da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), o fechamento temporário das cozinhas comunitárias que atendem a cerca de 500 pessoas em vulnerabilidade social e o cancelamento do Casamento Comunitário, que, somente no ano passado, uniu 147 casais. Até um problema de governos anteriores, a superlotação do Postão 24 horas, voltou à pauta.

Porém, nenhuma situação foi tão surpreendente como a solicitação da prefeitura para que os agentes voluntários de proteção e defesa civil de Caxias do Sul entregassem todos os materiais usados com o brasão do município. Um desentendimento irrelevante.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas), Sadi Donazzolo, critica a falta de diálogo e a desconfiança do prefeito Daniel Guerra. No final de março, a entidade foi notificada de que deveria desocupar uma das casas da Réplica da Festa da Uva usada como Museu do Comércio.

– É muito difícil essa forma de administrar. Parece que não confia em ninguém. Está todo mundo querendo ajudar e ele não quer ser ajudado. Ele é um controlador de tudo – diz Donazzolo, que também aponta a falta de diálogo nas secretarias.

Segundo Donazzolo, até o momento não há nada de concreto realizado pela administração, que sequer envia projetos de lei para a Câmara de Vereadores.– Precisamos dar um tempo, mas, até agora, nada de propostas de como vai ser o governo. O sexto mês vai ser fundamental para mostrar a que veio.

O QUE DIZ A UAB
Nesses cinco meses, a União das Associações de Bairros (UAB) convidou duas vezes o prefeito Daniel Guerra para participar da Assembleia Geral da entidade, mas não obteve retorno. Para ouvir as reivindicações dos comunitaristas, o Executivo enviou o coordenador de Relações Comunitárias, Rafael Bado.

Segundo o presidente da Assembleia Geral da UAB, Paulo Sausen, a entidade convidou o prefeito para demonstrar boa vontade, mas não obteve resultado.– É muito preocupante, porque existe uma prática seletiva, e o governo não apresenta nenhuma resolutividade. Os presidentes de bairros estão praticamente abandonados pelo poder público.

Com dificuldades de acesso à prefeitura, Sausen comenta que a UAB está encontrando objeção para as pessoas se envolverem no movimento comunitário.

– As pessoas não veem possibilidade de ter os pleitos atendidos. Isso desestimula.

"Resultado das eleições"
Para o chefe de Gabinete da prefeitura, Júlio César Freitas da Rosa, o resultado da eleição (vitória do prefeito Daniel Guerra) é o principal elemento gerador das polêmicas da administração municipal.

– Há ainda uma inconformidade com o resultado das eleições. Houve uma ruptura de um poder que estava constituído.Rosa diz ainda que as críticas à administração são um movimento de insatisfação das pessoas que querem cobrar, em cinco meses, ações não realizadas nas últimas quatro administrações municipais.

– A população pediu que a administração fosse devolvida para as pessoas e que não continuasse mais com o ¿jeitinho¿, com o amigo e com a acomodação de partidos políticos.

O chefe de gabinete lamentou a decisão da Justiça que bloqueou R$ 65 milhões para o pagamento de dívida indenizatória com a Família Magnabosco.

– Percebemos que, em muitos problemas históricos, resolveram passar a régua, como no processo da Família Magnabosco, que se arrastou por 40 anos e, em cinco meses, foi o momento de acertar a conta. Não estamos colocando a culpa no passado.


 

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