Silêncio do prefeito Daniel Guerra sobre Festa da Uva é constrangedor - Política - Pioneiro

Mirante05/05/2017 | 08h54Atualizada em 05/05/2017 | 13h19

Silêncio do prefeito Daniel Guerra sobre Festa da Uva é constrangedor

Prefeito segue sem se manifestar publicamente. Vereadores disparam críticas e lamentam decisão. Confira algumas declarações 

Silêncio do prefeito Daniel Guerra sobre Festa da Uva é constrangedor Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Para se preservar, chefe do Executivo se recusa a abordar o adiamento do principal evento da cidade  Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A ausência de uma manifestação do prefeito Daniel Guerra (PRB) sobre o adiamento da Festa da Uva para 2019 é constrangedora. O chefe do Executivo caxiense não veio a público para dizer o que pensa da decisão anunciada pelo Conselho Consultivo na quarta-feira. Não há justificativa para o silêncio diante de um encaminhamento que provoca inúmeras manifestações, tratando-se da principal marca da cidade e seus reflexos em toda a região, tanto econômica quanto culturalmente. 

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O prefeito segue atribuindo a responsabilidade de abordar o assunto à presidente da Comissão Comunitária, Sandra Maria Mioranzza Randon. Ela, por sua vez, disse na quinta-feira que "não haveria tempo hábil para organizar uma festa com uma dimensão como a que vinha ocorrendo".

Alegou ainda que, caso o evento fosse mantido para 2018, estaria fadado ao fracasso e poderia se tornar uma "festinha". A expressão no diminutivo foi usada pelo ex-presidente da Festa da Uva, Edson Néspolo (PDT), no início de fevereiro, quando se referiu à próxima edição e o corte de verba anunciado pela prefeitura.

A declaração de Sandra remete à falta de segurança da equipe para encaminhar a Festa. Esta não seria a primeira vez da realização do evento no ano seguinte a uma troca de governo. Em quatro meses esgotaram-se todas as formas de obtenção de apoio e de recursos?

Na Câmara de Vereadores, foram muitas as manifestações na sessão lamentando a decisão. Críticas pesadas, como bando de covardes e incompetentes, foram ouvidas. Também foram feitas menções a líderes empresariais que apoiaram o adiamento e à família Randon pela ligação com o governo.

Os dois integrantes do PRB, o líder do governo, Chico Guerra, e Elisandro Fiuza, mais uma vez não se manifestaram diante de um assunto polêmico.

Repercussão na Câmara de Vereadores

:: Alberto Meneguzzi (PSB):
— A cidade de Caxias do Sul, que é conhecida pela sua pujança industrial, pela sua coragem empreendedora, pela sua história, até mesmo pelo futebol... e muito pela Festa da Uva, hoje é conhecida como a cidade da Feira de Ibitinga.
— Essa responsabilidade de anunciar o fim ou o cancelamento, o adiamento, deveria ser do prefeito.
— Lamento mais ainda ouvir opiniões de lideranças do nosso município, lideranças empresariais, inclusive, como o presidente do Conselho Consultivo, o presidente da CIC, Nelson Sbabo, dizendo que está bom assim, que a CIC vai ser parceira, que as coisas vão acontecer em 2019, enfim... Em que mundo vive o presidente da CDL (Ivonei Pioner)? A rainha da Festa da Uva, Rafaelle Galiotto Furlan, está deslumbrada com o cargo que ela ocupa. Ficará para história como mandato-tampão.

:: Elói Frizzo (PSB):
— É uma decisão infeliz, de um amadorismo infantil. Mostra que as pessoas que sucederam a administração anterior estão completamente perdidas, despreparadas para uma função de tocar uma cidade de 500 mil habitantes... 

— Eu vejo que se explorou muito o fato de a prefeitura investir na Festa da Uva os tais dos R$ 4 milhões. É uma coisa tão pequena. Nós estamos numa cidade que o orçamento da cidade se aproxima a R$ 2 bilhões. É uma gotinha, e se bem feita, com aporte de recursos pode representar lucros, inclusive devolver para a cidade. É uma administração acovardada. É um bando de covardes. E lamento, lamento que ele tenha usado para essa decisão infeliz pessoas de bem como a Sandra (Randon). O Nelson Sbabo, com toda a sua trajetória, também cair nesse conto do vigário.

:: Gustavo Toigo (PDT):
— Já pensou no Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella, chegar e dizer assim: "Olha, nós vamos adiar o carnaval para 2019"? Caiu o Rio de Janeiro.
— E aqueles papinhos também: "Ah, porque saúde, segurança e educação é essencial". Claro, é muito importante. Mas uma coisa não elimina a outra. Elas podem andar juntas.

:: Rafael Bueno (PDT):
— Como estão as agências de viagem, a rede hoteleira? Ficou feio para a família Randon. Ficou feio para uma família que tem história. Feio, não, papelão. Agora, vereador, adiar é um atestado de incompetência.
— E a próxima Festa da Uva será quando? Em 2021, quando terá assumido a outra gestão? É outra indagação que a gente tem que fazer, porque daí não vai ter Festa da Uva também em 2021.
— O gestor é um covarde, incompetente, e o líder do governo não se manifesta para dar posição oficial do governo.

:: Rodrigo Beltrão (PT):
— Acho que nós temos que fazer uma moção de contrariedade, fazer movimento para que o prefeito reveja sua posição. Não é admissível, até porque o prefeito não é o dono da cidade.

:: Alceu Thomé (PTB):
— Eu, até pelo fato de ter trabalhado em torno de 10 ou 12 festas, que trabalhei lá dentro recebendo turistas, trabalhando essa questão da uva, a parte da agricultura, a gente vê como um banho de água fria.

:: Ricardo Daneluz (PDT):
— Neste dia de hoje nós todos, caxienses, estamos expostos ao ridículo. Sentimo-nos menores do que todas as cidades Brasil afora. Esse evento mexe com o calendário de eventos a nível nacional, mexe com a cultura da cidade.

:: Renato Oliveira (PCdoB):
— Ficar nesse governo é vergonhoso para a família Randon.
— Quanta gente perde com a não-Festa da Uva de Caxias? Talvez ele (o prefeito) venha chamar ou nós podemos conversar com ele, se ele pode agendar com a população ali, pegar o megafone dele (em referência ao ato de apoio realizado em abril), chamar a população, se a população quer a Festa da Uva ou não. Vai com o megafone dele, chama ali, se a população quer a Festa da Uva ou não?

:: Adiló Didomenico (PTB):
— Tudo isso está sendo cancelado por um ato sem discutir com a comunidade... Cadê a discussão com a comunidade? Eu fico me lamentando pela família Mioranzza e a família Randon. A Sandra não merecia ser colocada nessa fria, depois puxar o tapete. Ontem (quarta-feira), eu achava até que ela iria entregar a sua carta de renúncia... Porque colocar alguém numa tarefa nobre dessa, representar uma comunidade de 500 mil habitantes e depois puxar o tapete, lhe negar o apoio, é dizer assim: "Pega o teu boné e continua cuidando da tua vida".
— E o trade turístico que vive no meio desses eventos, qual é a credibilidade que eles vão ter para futuras festas?
— É falta de ousadia. Se essa é a nova política, por favor, tragam de volta a velha.

:: Flavio Cassina (PTB):
— O vereador Beltrão até sugeriu um movimento nosso para que pudéssemos fazer com que voltasse atrás dessa decisão. Só que é o seguinte, não conte comigo para ajudar, porque eu não trabalho com a "divindade" (o prefeito).

:: Paula Ioris (PSDB):
— Trago dois pontos para refletir: como a gente olha para a Festa? Como uma festa ou como uma alternativa de uma nova matriz, que é o turismo? Temos uma nova matriz, visto que a situação da indústria está passando por dificuldade, então, não é uma coisa ou outra, mas ambas. O segundo ponto é o que de fato está por trás desta decisão: para mim, é a forma individualista como está sendo coordenada nossa cidade. Duas questões são importantes: olhar a Festa da Uva como alternativa, nova matriz na cidade, e a forma como está sendo governada nossa cidade: individualista.
— Eu estaria totalmente aberta se houvesse uma revisão nessa decisão para nós nos unirmos e pensar o que é bom para nossa cidade.

:: Paulo Périco (PMDB):
— Mais uma vez nós estamos aqui comprovando, infelizmente, que não há uma proposta efetiva de um planejamento, de um plano de governo, de uma nova forma de governar.

:: Velocino Uez (PDT):
— O meu colega gestor do sindicato (Rudimar Menegotto, Sindicato dos Trabalhadores Rurais) foi infeliz na palavra: "Não vejo problema". Na nossa categoria tem muito problema. Vou citar só um: a oportunidade de vir essas 900 mil pessoas (visitantes) a provarem os nossos produtos no ano que vem.

 
 

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