Rompidos desde março, prefeito e vice de Caxias seguem sem conviver - Política - Pioneiro

Comportamento25/05/2017 | 07h00Atualizada em 25/05/2017 | 08h44

Rompidos desde março, prefeito e vice de Caxias seguem sem conviver

Rompidos desde 6 de março, Daniel Guerra (PRB) e Ricardo Fabris de Abreu cumprem agenda distintas

Rompidos desde março, prefeito e vice de Caxias seguem sem conviver Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Desde o dia 7 de abril, quando a Justiça negou a extinção de mandato do vice-prefeito, os dois principais políticos responsáveis por administrar Caxias do Sul têm rotinas e comportamentos completamente distintos e cumprem papéis diferentes. Desde a última conversa no dia 6 de março, quando o vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu (então no PRB, hoje sem partido) comunicou o prefeito Daniel Guerra (PRB) que renunciaria ao cargo, os dois nunca mais trocaram uma só palavra. Não existe nenhuma convivência entre eles.

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Guerra segue uma rotina de trabalho despachando em seu gabinete das 8h às 22h, de segunda a sexta-feira, com poucos espaços para agendas internas e externas. O acesso direto ao prefeito é praticamente impossível, seja pessoalmente ou por telefone. Ele já não atende a ligações para seu número pessoal, e a última entrevista coletiva foi concedida em 20 de abril, sobre a greve dos médicos. As poucas manifestações têm ocorrido por notas oficiais.

Isolado em seu gabinete e sem uma função específica no governo, o vice Ricardo Fabris de Abreu é mais acessível. Sem rotina determinada, ele cumpre expediente em seu gabinete na prefeitura de segunda e sexta-feira e atende à população e representantes de entidades que são descartados da agenda de Guerra. Além disso, Fabris participa de eventos em bairros e em agendas fora da cidade, principalmente os ligados a sua área de maior interesse: a segurança. Sem acesso ao gabinete do prefeito, o vice avalia as demandas e encaminha diretamente ao secretário da área afim para tomar conhecimento, com solicitação de providência. Outra agenda que Fabris cumpre com regularidade é acompanhar as sessões da Câmara de Vereadores.

Apesar de ter liminar da Justiça que o mantém no cargo, Fabris diz que tem lhe sido negado o acesso a documentos e informações do Executivo, o que ele diz comprovar por um e-mail recebido. Na semana passada, o vice solicitou providências administrativas ao corregedor-geral, Eduardo Bertoglio.

Apesar da reclusão, Guerra faz alguns gestos para mostrar interação com os eleitores. A situação mais incomum foi a participação na marcha de apoio a seu governo, no início de abril. Após breve manifestação, o prefeito levou os participantes para conhecer o gabinete do prefeito e tirar selfies. No primeiro domingo de maio, houve outra breve aparição pública na inauguração da Feira sem Fronteiras, na Praça das Feiras, no bairro São Pelegrino. As aparições mais recentes ocorreram nos dias 17 de maio, quando visitou duas UBSs.

Aproveitando o apoio popular conquistado durante o período eleitoral do ano passado, o prefeito evita comentar publicamente assuntos polêmicos, como o adiamento da Festa da Uva e o bloqueio de R$ 65 milhões da prefeitura para o pagamento da indenização da área da Família Magnabosco, ainda que a decisão da Justiça de realizar o pagamento tenha ocorrido no ano passado, na administração do ex-prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT).

O comportamento de Guerra, aprovado por maioria esmagadora nas urnas e nas redes sociais, começa a ser submetido ao teste popular.

Contraponto
O chefe de gabinete da prefeitura, Júlio Freitas, nega que exista proibição de entregar documentos para o vice-prefeito Ricardo Fabris.

"Interação com sociedade se tornará mais tranquila", diz o presidente do PRB, Heron Fagundes.

Pioneiro: Por que o prefeito mudou a maneira de atender a imprensa?
Heron Fagundes: No Legislativo, era um trabalho não com a amplitude que se exige no Executivo e também pelas decisões que ele tem que tomar. Tem uma diferença gritante com o trabalho do Legislativo. Do que eu tenho observado e conversado com o Guerra, existem algumas situações e desdobramentos. Em relação aos assuntos que geram polêmicas, a área da comunicação encaminha as demandas. O nível de trabalho é altíssimo, mas isso não é uma desculpa que venha a desqualificar a informação que tenha que debater com a sociedade. Ele tem passado essas manifestações para o secretariado dele. Já ouvi comentários de que ele é muito centralizador, mas isso não é procedente.

O prefeito não deveria se manifestar sobre temas polêmicos?
Sou suspeito em falar. Nunca vi ele dizer que não vai falar, pelo contrário. Ele tem me dito: ¿Conversei com o secretário tal¿, e ele tem toda a condição de despachar e está indo atrás de uma solução. Acho que, com o passar do tempo, esse fluxo de contato com a mídia e com as pessoas vai se tornar mais tranquilo. Do que eu conheço do Guerra, ele gostaria de traçar um trabalho de comunicação com mais tempo, mas, em virtude do volume de trabalho, tenha priorizado resolver esses assuntos periclitantes da cidade do que prestar informações. Nos próximos meses, a forma dele interagir com a sociedade deve se tornar mais tranquila.


 

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