Ex-senador Pedro Simon defende renúncia do presidente Michel Temer - Política - Pioneiro

Entrevista da 2ª29/05/2017 | 07h00Atualizada em 29/05/2017 | 14h26

Ex-senador Pedro Simon defende renúncia do presidente Michel Temer

Ex-senador Pedro Simon sugere que a presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia, assuma a Presidência da República

Ex-senador Pedro Simon defende renúncia do presidente Michel Temer Julio Soares/Divulgação
Foto: Julio Soares / Divulgação

Com mais de 65 anos de vida pública, o ex-senador Pedro Simon (PMDB) defende a renúncia do presidente da República, Michel Temer, após o vazamento da gravação da conversa com o empresário dono da JBS, Joelsey Batista. Segundo ele, esse é o pior período da história política do país.

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Na entrevista realizada por telefone na quinta-feira à noite, Simon argumenta sobre a realização de eleições diretas para a Presidência, mas admite que essa proposta encontrará muita dificuldade. Em caso de eleição indireta, a escolhida do peemedebista para substituir Temer é a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia.

– Não tem de ser obrigatoriamente ela, mas não vejo melhor exemplo atualmente.

Simon duvida da veracidade total da gravação que causou um terremoto que praticamente explodiu o Governo Temer, porém aponta que o principal erro do presidente foi receber o empresário Joesley Batista no "porão do Palácio".

Confira a entrevista na íntegra.

Pioneiro: O que Ulysses Guimarães diria se estivesse vivo?
Pedro Simon:
O doutor Ulysses sempre quis as coisas bem as claras. Ele tinha a equipe de economistas do partido e ficava até a madrugada discutindo, debatendo, mas nunca entrou numa fria. Muita coisa que aconteceu no MDB foi à revelia do Ulysses. Um caso típico foi quando o (Orestes) Quércia, que era governador de São Paulo, se reuniu e disse que estava na hora de o doutor Ulysses descansar e tiraram da presidência do partido. Mas o Ulysses se manteve independente.

O senhor tem uma longa trajetória desde o MDB. Qual o seu sentimento com as denúncias contra o presidente Michel Temer?
Nunca vi um momento como esse que estamos vivendo. Até nós do MDB, que fizemos a campanha das Diretas Já, não apuramos nada. Com a morte do Tancredo (Neves), assumiu o (José) Sarney e não apuramos coisa nenhuma. Hoje tem mil coisas erradas, mas é a primeira vez que estamos dando nome aos bois. As coisas estão acontecendo e, por isso, tenho esperança. A Operação Lava-Jato está fazendo muita coisa positiva. Ontem (quarta-feira), foi um dia histórico, o (Paulo) Maluf pela primeira vez na vida vai ir para cadeia, sete anos de cadeia, vai perder o mandato, não pode ser mais candidato e vai ter que devolver o dinheiro que roubou. O presidente da Odebrecht (Marcelo Odebrecht) já está condenado. A Lei da Ficha Limpa foi uma mudança espetacular. O problema é que tinha coisa demais. Onde tu abre uma porta, estoura um escândalo.

Qual foi o erro do Temer?
O que tem de grave no Temer foi receber aquele cara (dono da JBS, Joesley Batista) às 11 da noite, não deu o nome dele e recebeu no porão do palácio. É uma coisa muito, muito estranha. Acho que dificilmente essa gravação seja toda verdadeira. O problema que eu vejo é que, nessa altura, ele (Temer) deveria renunciar. É muito provável que o Tribunal Superior Eleitoral, afastando ele, quem poderia assumir é a presidente do Supremo (Tribunal Federal), a Cármen Lúcia. É uma mulher, é fantástica, é uma mulher de uma grandeza.

Este é o pior capítulo da história política do país?
Em termos das coisas graves que estão acontecendo, é. Tivemos a ditadura que foi um golpe. As roubalheiras que estamos vendo agora nunca aconteceu. Só a JBS comprou mais de mil políticos, 28 partidos.

O que fazer para recuperar o sistema político brasileiro?
O problema muito é singelo, mas eles não querem fazer uma reforma política para valer. Não fizeram na Constituinte, na reforma da Constituinte e também não querem agora. Até ontem, os caras trocavam de partido e não acontecia nada. O Supremo baixou uma norma: perde o mandato os deputados que mudam de partido. Os deputados e senadores fizeram uma nova emenda constitucional: a não ser que forem para um partido novo. Tem que fazer a reforma política em primeiro ou limitar o número de partidos, ter uma cláusula de barreira, mas nem todos os partidos terão programa eleitoral gratuito, dinheiro do fundo partidário. A segunda coisa é fidelidade partidária para valer. A terceira coisa: tem que terminar com esse voto para deputado e vereador, o voto distrital é algo que tem no mundo inteiro. No sistema de hoje, a maioria votou em alguém que não se elegeu. Não tem credibilidade, seriedade e confiabilidade.

É possível recuperar a credibilidade do PMDB?
Vamos ser sinceros: no nível que está, ninguém pode dizer ¿eu sou o tal¿. Atingiu a tudo e a todos. O PT que era o grande, o puro, tinha uma proposta fantástica e todo mundo torcia pelos trabalhadores, pelo bem-estar social, começou bem, mas os piores escândalos aconteceram com eles. E o governo estava bem, a economia estava bem, não teve pressão. De repente o Lula começou a gostar de jatinho especial, de vinho de não sei quanto, a fazer conferências cobrando uma montanha. Não tenho nenhuma dúvida que, passada essa fase, vai ter uma nova forma de fazer política.

Levando em conta uma possível renúncia de Temer, como fica o cenário político?
Se ele renunciar, se ficaria bem, ou o Supremo tomando alguma decisão, e se a gente conseguisse fazer um entendimento em torno da Cármen Lúcia que é uma pessoa que pode buscar o entendimento nessa fase. Não tem de ser obrigatoriamente ela, mas não vejo melhor exemplo do que ela atualmente. Acho que o presidente está se esforçando, mas o problema é que jogou todas as fichas no Congresso. Até agora, só teve vitórias no Congresso, mas o problema dele são esses nomes. Muitos desses ministros que foram afastados são gente da intimidade dele.

Qual a sua avaliação sobre a decisão do presidente em não renunciar?
Com sinceridade, eu não posso julgar. É uma coisa muito delicada. Se ele fizesse a renúncia em um tom de grandeza e buscando o entendimento para o futuro, acho que vale. A situação hoje é muito dramática.

O presidente Temer tem condições de continuar governando o país?
Não é impossível. Acho que poderia acontecer um bom governo, mas as pessoas que são contra são de tal maneira que eles vão infernizar. Tem gente que quer fazer o terror e vamos viver tempos muito difíceis.

O senhor é a favor da eleição direta?
O ideal seria uma direta. Fazer uma Assembleia Nacional Constituinte com eleição direta, mas agora acho difícil, porque o ambiente não é bom. Uma eleição direta agora, tenho medo.

 
 

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