Sindicato dos Médicos institui prática do "dedo-duro", em Caxias - Política - Pioneiro

Mirante17/04/2017 | 08h30Atualizada em 17/04/2017 | 08h51

Sindicato dos Médicos institui prática do "dedo-duro", em Caxias

Marlonei dos Santos fala em Código de Ética ao mesmo tempo em que provoca mal-estar entre colegas

Sindicato dos Médicos institui prática do "dedo-duro", em Caxias Roni Rigon/Agencia RBS
Marlonei usa médicos como delatores para sair vencedor na disputa com o prefeito Daniel Guerra Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

O incentivo declarado do presidente do Sindicato dos Médicos de Caxias do Sul, Marlonei dos Santos, para que os profissionais que atendem pelo SUS dedurem os colegas que furarem a greve é perverso. Ele está usando médicos como "alcaguetes" para garantir a terceira paralisação deste ano, marcada para se iniciar nesta segunda-feira e sem prazo para terminar.

Entregar colegas foi oficializado pelo sindicato, conforme revela o próprio presidente ao dizer que em cada UBS um médico estará encarregado de fazer este serviço. Isso ele chama de cumprimento do Artigo 49 do Código de Ética do Conselho Regional de Medicina. Inclusive, compara com as delações premiadas, usadas para apurar corrupção e desvio de verbas públicas no âmbito da Operação Lava-Jato.

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O artigo a que ele se refere prevê que é vedado ao médico "assumir condutas contrárias a movimentos legítimos da categoria médica, com a finalidade de obter vantagens".

Trabalhar e atender aos pacientes é obter vantagens?

Pode-se imaginar o clima pesado. Colegas transformados em inimigos. O direito de fazer greve deve ser o mesmo ao de não aderir.

Aliás, a oposição ao prefeito Daniel Guerra (PRB) concorda com a prática do "dedo-duro" adotada pelo sindicato? É importante que os partidos e seus vereadores manifestem-se neste momento.

Deve ser reconhecido o papel da Comissão de Saúde da Câmara em busca do entendimento entre médicos e prefeitura, por isso, vale um posicionamento político também diante da medida do sindicato.

 
 
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