"Não vejo oposição e situação", diz vereador de Caxias do Sul Elisandro Fiuza - Política - Pioneiro

Base do governo28/04/2017 | 07h00Atualizada em 28/04/2017 | 07h00

"Não vejo oposição e situação", diz vereador de Caxias do Sul Elisandro Fiuza

Parlamentar do PRB tem pouca participação no governo e acredita que prefeito poderia ser mais flexível

"Não vejo oposição e situação", diz vereador de Caxias do Sul Elisandro Fiuza Felipe Nyland/Agencia RBS
Fiuza diz que sua dedicação é maior ao mandato e que participa da administração quando chamado Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Vereador da base e integrante do mesmo partido do prefeito, Elisandro Fiuza (PRB) tem feito o papel de defesa do governo, claro, mas a relação com a administração é diferente, por exemplo, da que Chico Guerra (PRB), irmão do prefeito Daniel Guerra, tem. O próprio Fiuza admite que sua dedicação é maior ao mandato — o primeiro, aliás — e participa da gestão quando chamado.

Com o colega de bancada, ele diz que mantém um bom relacionamento, mas adota independência, sem combinação de como ambos devem votar nas sessões. Com o prefeito Guerra, garante que não tem privilégios por ser do mesmo partido. Encontra-se com o prefeito uma vez por semana, mas quase sempre para cerimônias na prefeitura. Diz que foi chamado para "alguma e outra" reunião de trabalho. Apesar de elogiar a postura do chefe do Executivo, Fiuza acredita que ele poderia ser mais flexível em algumas situações.

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Com a oposição, a relação, segundo o vereador, é de respeito e despista quando se fala em aproximação. Fiuza atribuiu ao seu perfil conciliador o fato de ter sua proposta de Ouvidoria acolhida pela Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo vereador Rodrigo Beltrão (PT), e os elogios que eventualmente recebe dos colegas.

Na quarta-feira, quando recebeu a reportagem em seu gabinete, o parlamentar falou sobre o mandato, a relação com o Executivo e também avaliou o governo. Confira.

Mandato
"Estamos participando de três comissões: Saúde e Meio Ambiente, Direitos Humanos e Idoso. Observamos que, neste início de mandato, é bem difícil por conta da complexidade que existe na nossa cidade, haja vista que estamos atravessando um processo de troca de governo, onde o governo anterior tentou, acredito eu, de todas as formas, fazer o melhor para a comunidade. Mas é um problema histórico que acontece na nossa cidade. Dois pontos: educação, onde enfrentamos uma dificuldade tremenda a respeito das vagas. Outro déficit terrível é a nossa saúde. Essa crise dos médicos é algo de muitos anos, de falta de médicos, consultas, especialistas."

Relação com o vereador Chico Guerra
"Deixamos a critério do vereador Chico ser o líder de bancada do PRB e de governo. É bem tranquila nossa relação. Sempre pontuei, até numa entrevista para o jornal Pioneiro. Ela (repórter) me perguntou como eu iria me posicionar diante de qualquer atitude do Executivo sendo situação. Independentemente se faço parte da situação ou se não fizesse, a postura seria e será sempre a mesma. Se vermos que existe algo que não vai contribuir para a sociedade, sempre vou expor minha opinião. É bem tranquilo esse posicionamento entre eu, o Chico e os colegas de partido. Não há combinação de que vamos fazer isso ou aquilo. Se acho, por exemplo, que o voto deve ser sim, eu voto sim. Se eu acho que não é pertinente, me pontuo votando não."

Confira a produção dos vereadores clicando na imagem abaixo:

Olhômetro - De olho nos vereadores

Relação com a oposição
"Não vejo oposição e situação, vejo um ato de democracia de cada um dos nobres vereadores ter sua postura, seu posicionamento e suas ideias. Claro que, de repente, se tu me perguntar: tu concorda com algumas posições? Algumas sim, outras não. Isso é normal, é natural de uma democracia."

Relação com o prefeito
"Minha relação é normal. Eu aprendi uma coisa: respeito o espaço das pessoas. No momento em que somos convidados, estamos aí. No momento em que somos chamados para contribuir, estamos sempre prontos. Mas não existe aquela situação de um tratamento diferenciado porque faço parte da situação. Não é porque faço parte da situação que tenho a minha requisição na frente dos demais."

Participação no governo
"O trabalho de vereador é um trabalho bem acirrado, tem muitas agendas, e eu mesmo preferi não me comprometer em ficar no governo, algo que o meu colega Chico tem feito mais. Eu tenho um trabalho mais na vereança, no atendimento, na visita, nas comunidades, nas comissões, que tomam bastante tempo. Tenho me dedicado mais ao meu mandato."

Diálogo do prefeito
"Não vejo falta de diálogo do nosso prefeito para com a sociedade nem para com os vereadores. Agora, depende do diálogo. Às vezes, posso dizer que não tenho diálogo, porque o diálogo que quero ter é a respeito de um pedido que daqui a pouco não posso atender. Depende muito das interpretações. Mas acredito que não falta. Acho que, neste momento, não quero falar uma besteira, o prefeito tem que se colocar numa situação de ser um pouco mais firme em alguma de suas decisões por conta de que algumas coisas precisam ser mudadas."

Vice-prefeito
"Acredito que ele não estava acreditando nessa campanha, de que poderíamos realmente ter uma vitória. Uma pessoa que trabalha há anos na Justiça do Trabalho (Ricardo Fabris de Abreu), uma pessoa que a gente não pode dizer que não seja inteligente e que se expôs de uma forma infeliz, tanto para a pessoa dele como profissional quanto pessoa pública. Ele não precisava se expor dessa maneira. Se expondo, trouxe uma negatividade muito grande para ele e para a própria população, porque ficou como se parecesse um ato de uma pessoa que não mediu a proporção do que aquilo poderia ocasionar. Não vejo nenhum entrave, nenhum atrapalho (para o governo). Vejo uma situação triste para a pessoa dele. Acho que mais para ele se torna uma coisa negativa se não mudar a sua postura. Vai ficar difícil para se relacionar com as pessoas."

Fiuza diz que sua dedicação é maior ao mandato e que participa da administração quando chamado Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Acertos do governo
"A postura do nosso prefeito tem sido positiva, da forma do relacionamento, principalmente, com a sociedade, de promessas que ele fez não só durante a campanha, das posturas que ele teria, pela ética, pelo correto. Mas digo que o tempo é o senhor da razão. O tempo é que vai a cada dia colaborar com a pessoa do nosso chefe do Executivo para se aperfeiçoar cada vez mais no que diz respeito ao relacionamento com a sociedade, com as entidades, com as pessoas. As experiências não são alcançadas do dia para a noite. Às vezes, é preciso haver alguns entraves, algumas complexidades, alguns problemas para que você possa, de uma forma humilde e simplícia, ver o que houve de positivo e negativo e acrescentar para que possa fazer um governo de excelência."

Erros do governo
"Se eu disser para você que só houve acertos e não houve erros, né... Não posso dizer que seja um erro, mas que seria de uma forma mais positiva, daqui a pouco, ser um pouco mais flexível em algumas situações. Acho que seria positivo dar uma baixada, ser flexível para que possa de uma forma mais rápida lidar com conflitos. Não sei até que ponto ele poderia ser flexível, mas no quesito de conversação desses problemas, daqui a pouco do médico, de uma coisa ou outra, acho que nesse sentido."

 

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