"Contribuição pode ter sido ao comitê do partido", diz ex-governador Germano Rigotto - Política - Pioneiro

Lava-Jato13/04/2017 | 13h23Atualizada em 13/04/2017 | 13h24

"Contribuição pode ter sido ao comitê do partido", diz ex-governador Germano Rigotto

Peemedebista gaúcho teria recebido R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral

"Contribuição pode ter sido ao comitê do partido", diz ex-governador Germano Rigotto Nabor Goulart/Palácio Piratini
Rigotto com diretoria da Braskem, entre eles Alexandrino (de óculos) Foto: Nabor Goulart / Palácio Piratini
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O ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto (PMDB) é um dos citados na lista remetida nesta semana para a Justiça Federal de primeira instância pelo relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. Delatores da Odebrecht afirmaram, perante a Procuradoria Geral da República (PGR), que Rigotto recebeu R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral. O ato configura caixa 2 (crime eleitoral), no entender dos procuradores da República. Agora, a Justiça Federal do RS decidirá se há indícios de crime eleitoral ou de corrupção a serem investigados ou não.

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A doação não-oficializada a Rigotto é mencionada em uma petição pelos colaboradores Alexandrino Alencar e Pedro Novis, ex-dirigentes da Odebrecht. Eles dizem que Rigotto, quando era deputado federal, "se mostrou bastante receptivo às conversas com representantes do Grupo Odebrecht, pois naquela época estavam sendo negociados investimentos para a duplicação do Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul", conforme ressaltou Novis.

Rigotto recebeu doações oficiais da Braskem (subsidiária da Odebrecht que controla o Polo Petroquímico de Triunfo) em 2002 (quando se elegeu governador do RS) e em 2006 (quando foi derrotado na tentativa de reeleição). Neste último ano, a doação, registrada na Justiça Eleitoral, foi de R$ 100 mil.

Já em 2010, a empreiteira Odebrecht realizou repasse de R$ 100 mil para a campanha de Rigotto ao Senado. Ele não se elegeu. O valor está registrado no sistema ¿Drousys¿ (contabilidade secreta mantida pela Odebrecht em computadores na Suíça), mas não foi informado à Justiça Eleitoral, diz o delator Alexandrino Alencar.

"De agosto de 2009 a junho de 2012, a Braskem pagou R$ 2,2 milhões à GR Consultoria e Participações Ltda (de propriedade de Germano Rigotto), a título de consultoria", informou ainda Alexandrino.

A relação de Rigotto com a Odebrecht é antiga. Em 2003, ano em que foi empossado governador, ele beneficiou a Braskem com a política de redução de alíquotas de ICMS no Polo Petroquímico, controlado pela empresa. Em protocolo firmado em junho daquele ano com o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, o recém-eleito governador garantiu incentivos do Fundopem, como a compensação do investimento com os créditos do novo ICMS. O convênio foi renovado após promessa da Braskem de investir mais de R$ 600 milhões. Por meio do convênio, a Braskem ficou com um crédito de R$ 300 milhões em ICMS.

Na gestão de Rigotto como governador, a Odebrecht também tocou obras de prolongamento dos molhes do Porto de Rio Grande, entre outras.

O que diz o ex-governador

O ex-governador Germano Rigotto, que, na Odebrecht, recebeu o codinome de "Desesperado", disse nesta quarta-feira ao Pioneiro que ainda não havia tido acesso à petição. Quando for oficialmente comunicado, irá prestar os esclarecimentos. Ele garante que sempre declarou à Justiça Eleitoral as doações recebidas e, embora não afirme taxativamente, dá a entender que a irregularidade pode ter sido cometida pelo PMDB.

— Essa contribuição pode ter sido feita para o comitê do partido, que repassa ao candidato. Eu não tenho condições de saber o que aconteceu na minha campanha de senador de 2010. Tem que pegar a declaração à Justiça Eleitoral. Uma campanha a senador é uma campanha majoritária. Tem o comitê financeiro do candidato e o do partido, que ajuda na campanha. Tem recursos que vão para o partido e vêm para o candidato. E tem recursos que vão para o comitê financeiro do candidato — explica.

O ex-governador garante, também, que nunca favoreceu empresas ou se beneficiou de alguma delas:

— Isto é uma coisa muito certa, não vai ter nada que diga que, em algum momento, empresa teve favorecimento indevido ou eu recebi alguma coisa indevida por favorecimento. Isso não existe. A transparência no meu governo foi total.

Rigotto confirma que conhecia Alexandrino Alencar e que sua relação com ele era institucional.

 
 

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