Vice-prefeito de Caxias do Sul revê discurso e assinala divergências com Daniel Guerra   - Política - Pioneiro

Crise no governo08/03/2017 | 07h15Atualizada em 08/03/2017 | 09h02

Vice-prefeito de Caxias do Sul revê discurso e assinala divergências com Daniel Guerra  

Ricardo Fabris de Abreu continua exercendo suas atividades na prefeitura 

Vice-prefeito de Caxias do Sul revê discurso e assinala divergências com Daniel Guerra   Porthus Junior/Agencia RBS
Fabris visitou o vereador Paulo Périco (PMDB) na tarde desta terça-feira Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

O "day after" (dia após) o bombástico comunicado de renúncia a partir de 1º de abril foi de trabalho normal para o vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu (PRB). Nesta terça-feira pela manhã, ele acompanhou a sessão da Câmara de Vereadores pela televisão em casa e, como era de se esperar, recebeu inúmeras ligações e mensagens de celular. À tarde, cumpriu expediente na prefeitura. 

Leia mais
Vereadores pedem que vice-prefeito de Caxias reconsidere decisão de renúncia
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Fabris afirma ter sido "deixado de lado" pelo prefeito de Caxias
Ciro Fabres: renúncia do vice-prefeito foi uma surpresa, 'pero no mucho'
Como a renúncia do vice-prefeito de Caxias repercutiu entre lideranças da Serra
Vice-prefeito de Caxias pode desistir de renúncia, diz especialista
Cargo de vice-prefeito não tem substituto 
Vice-prefeito de Caxias do Sul diz que renúncia é "decisão pessoal"
Renúncia de Fabris é a primeira da história por diferenças políticas em Caxias
Vice-prefeito de Caxias do Sul renuncia

Fabris também dirigiu-se ao Legislativo para uma visita ao vereador Paulo Périco (PMDB). Foi no gabinete do parlamentar que ele conversou com a reportagem do Pioneiro, que pôde acompanhar o final da conversa entre os dois. O vice levou a Périco os resultados de sua viagem ao estado americano de Indiana, onde foi conhecer o sistema de segurança de Clamer, cidade vizinha à capital Indianápolis, e pediu ao vereador que dê sequência ao seu trabalho.

Périco comprometeu-se em encampar a bandeira de Fabris, mas destacou como seria importante a administração municipal estar envolvida. O vice emendou:

— Mas como não é possível, vou fazer como cidadão. Isso (segurança) é mais grande, é maior que a prefeitura.

Foi a deixa para expor os motivos que o levaram a sair da prefeitura. Fabris, que na segunda-feira, após a notícia da renúncia, preferiu falar em tom ameno, não poupou o prefeito Daniel Guerra (PRB). Segundo o vice, havia um acordo de que, se a chapa fosse eleita para conduzir a prefeitura, Fabris teria atribuições na área da segurança. Foi essa promessa, inclusive, que o motivou a concorrer.

— Não entendo essa mudança do Daniel depois da eleição. Não foi isso que foi tratado, senão não teria concorrido — disse.

A situação, conforme Fabris, só foi piorando com o passar do tempo. Ele não participou da transição e não era informado das ações do governo:

— Fui deixado de lado no dia após a eleição. Fico sabendo o que acontece pelo Pioneiro. É insuportável essa situação. Realmente não tenho função.

O vice-prefeito, que abriu mão de carro oficial e motorista, diz que sequer tem uma vaga reservada no estacionamento do Centro Administrativo.

— Não tenho vaga para estacionar meu carro.

Sem chance de voltar atrás

Apesar dos apelos feitos por vereadores na sessão desta terça-feira, Fabris não considera voltar atrás. Além do mal-estar, ele não concorda com a postura do prefeito. No episódio dos médicos, o vice reprova a atitude de Guerra ter ligado para um profissional para dar um ¿pito¿ e, depois, divulgar as imagens no Facebook.

— Não que eu concorde com a greve, mas a atitude do prefeito não agrega nada à solução, inflama o problema.

Sobre o processo da área da Família Magnabosco, ele acredita que está sendo tratado com "desdém", assim como o impasse com a Visate. Fabris entende que a prefeitura deve receber a empresa para conversar.

— Não gosto dessa expressão "Lava-Jato". As planilhas são da secretaria, são públicas. Lava-Jato passa a ideia de que a Visate compra as pessoas, os políticos.

Nem bola

Fabris comunicou ao prefeito que renunciaria há cerca de 30 dias e, segundo ele, Guerra "não deu a mínima bola". Na segunda-feira, quando comunicou formalmente a renúncia para o dia 31, Guerra, segundo Fabris, tinha um documento pronto para que ele renunciasse imediatamente.

 
 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros