"É importante que a reforma transite", defende José Cechin, ex-ministro da Previdência - Política - Pioneiro

Entrevista03/03/2017 | 14h00Atualizada em 03/03/2017 | 14h54

"É importante que a reforma transite", defende José Cechin, ex-ministro da Previdência

Para ele, mudanças nas regras para aposentadoria são necessárias

"É importante que a reforma transite", defende José Cechin, ex-ministro da Previdência Gustavo Lima/Divulgação
Foto: Gustavo Lima / Divulgação

Ministro da Previdência no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, José Cechin considera boa a proposta de Michel Temer. Para o hoje diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaude), as mudanças nas regras são necessárias para evitar um cenário pior do que o apresentado pelo governo. Confira os trechos da entrevista, concedida por telefone:

Qual a sua opinião sobre a proposta de Reforma da Previdência?
Diria que é muito boa. Ela tem a capacidade de resolver por longo tempo a questão previdenciária, desde que passe sem desfigurar seus pontos principais, como, por exemplo, a idade mínima, a questão de se elevar a idade mínima à medida que o tempo de sobrevida também esteja aumentando. Julgo que essa crítica que muita gente fez de dizer que tem que trabalhar por 49 anos não tem sentido, porque a ideia que deve ter estado por trás da proposta foi para colocar a taxa de reposição, que é o valor da aposentadoria sobre a média salarial, em linha com o que acontece no mundo.

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Tem algum ponto que poderia ser revisto?
Decidi não fazer nenhuma crítica, porque é importante que ela transite. Não tenho intenção de sugerir mudanças.

O senhor considera a reforma necessária?
Se as regras de elegibilidade e aposentadoria não mudarem, o que vai acontecer ao longo do tempo? A quantidade de pessoas com aposentadoria e pensão vai crescer muito. Chegaremos em 2050 caminhando para 35% de beneficiários do sistema do INSS. Em cima disso, tem que acrescentar mais uns 4 a 5 milhões de aposentados e pensionistas do setor público. Teremos mais de um beneficiário de cada três brasileiros. Cada pessoa em idade de trabalho teria que destinar mais da metade da sua renda para que houvesse dinheiro para pagar aposentadorias.

 

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